Programa de política externa

A partir da comparação entre teorias de política internacional e teorias de política externa, o curso apresenta diversas abordagens analíticas de APE. Os textos do curso abordam distintas perspectivas ontológicas e epistemológicas, assim como estudos empíricos de diversos casos como Brasil, Argentina, Estados Unidos, África do Sul ... O mundo hoje conta com mais de 190 países que se relacionam de forma pensada e planejada, de acordo com seus interesses e objetivos. Esse planejamento é chamado de política externa.A política externa é uma política pública, ou seja, um conjunto definido de medidas, decisões e programas utilizado pelo governo de um país.O objetivo desa política é projetar e direcionar suas ações ... A Política Externa e de Segurança Comum (PESC) da União Europeia foi instituída em 1993, tendo desde então sido reforçada pelos Tratados subsequentes. Hoje, o Parlamento escrutina a PESC e contribui para o seu desenvolvimento, em especial apoiando o Serviço Europeu para a Ação Externa (SEAE), os representantes especiais da UE (REUE) e ... POLÍTICA EXTERNA BRASILEIRA, COOPERAÇÃO SUL-SUL E EDUCAÇÃO SUPERIOR: O CASO DO PROGRAMA ESTUDANTE-CONVÊNIO DE GRADUAÇÃO Fernanda Geremias Leal1 Mário César Barreto Moraes1 RESUMO: A Educação Superior é um dos principais setores da Cooperação Internacional para o desenvolvimento no campo da Política Externa Brasileira (PEB). Dialoga com o Programa Renascença, projeto de construção coletiva de uma política externa pós-Bolsonaro, com a participação de diplomatas, outros servidores públicos e diferentes atores ... Um programa de política externa Um programa consistente de política externa deve partir de diretrizes gerais, que são definidas basicamente a partir das grandes orientações diplomáticas e econômicas de um governo determinado, para depois se debruçar sobre áreas temáticas: relações políticas nos planos bilateral, regional e ... MUDANÇA DE POLÍTICA EXTERNA: PROPOSTA DE UM MODELO Rejeição, em nível internacional, da política de “guerra ao terror” como justificativa para combater as lutas dos povos do mundo. 10. Democratização dos organismos internacionais e combate às medidas promovidas unilateralmente, como no caso do embargo econômico imposto pelos EUA a Cuba. Leia o Programa de Governo completo aqui. A política externa de Angola, embora recém nascida tem ganhado uma boa visibilidade a nível internacional, em particular no continente africano, nestes últimos cinco anos, devido ao fim do da guerra civil e ao bom crescimento econômico do país. Ele também se ocupa de ideias aplicadas à política, em especial à política econômica. Ele constitui uma tentativa de manter um pensamento crítico e independente sobre livros, sobre questões culturais em geral, focando numa discussão bem informada sobre temas de relações internacionais e de política externa do Brasil.

A destruição do tecido industrial brasileiro

2020.09.15 06:37 Hike16 A destruição do tecido industrial brasileiro

Olá, camaradas, quero contribuir para esse sub com um texto que eu e uns camaradas escrevemos, pois acreditamos que os comunistas precisam ter mais acúmulo sobre o desenvolvimento das forças produtivas mas sem que isso se confunda com um desenvolvimentismo cretino. Estamo abertos ao debate, com críticas e apontamentos. Abraços!
Parte I – a importância da indústria
Modos de produção (e reprodução) da vida social são uma unidade de dois aspectos: relações de produção e forças produtivas. A esquerda brasileira em geral costuma com toda a justeza denunciar e almejar uma mudança quase que exclusivamente no primeiro. Cabe perceber que da mesma forma que as relações sociais capitalistas jamais teriam se generalizado se não houvesse o advento histórico da grande indústria de transformação, não pode haver relações de produção plenamente socialistas sem uma correspondente base material muito avançada.
Nesse sentido, quando olhamos o Brasil, vemos vários problemas na produção econômica em solo nacional. No que se relaciona mais diretamente com as relações de produção, vemos uma péssima distribuição da renda nacional, com um índice GINI – que busca esboçar a desigualdade em uma escala de 0 a 1, sendo 1 o mais desigual – de aproximadamente 0,53. Cabe ressaltar que, em países vizinhos, apesar da pobreza, o índice é menor, como é o caso da Colômbia (0,50), Uruguai (0,39), Bolívia (0,42) e Cuba (0,38). No tocante às forças produtivas, estas não são nem um pouco abundantes em termos relativos à população. Hoje, nosso PIB per capita fica na faixa dos 9 mil dólares anuais por pessoa, tendo tido o pico de 13 mil, em 2011. Não é um valor pequeno, de forma alguma, como se verifica em outros países muito mais assolados pelo rapinagem imperialista. Mas está muito longe de estar perto dos países de capitalismo autônomo e avançado, que figuram cifras acima dos 30 mil dólares anuais por pessoa.
É verdade que a produtividade nacional não se impõe como uma barreira imediata e intransponível para o início de uma nova ordem social, como, por exemplo, atesta a valente e forte experiência cubana, ou mesmo a revolução bolchevique partindo da Rússia semi-feudal. Talvez justamente por isso que a esquerda costume focar suas preocupações estratégicas (isto é, quando tem alguma) nos aspectos relativos às relações de produção, além de uma compreensível precaução de não voltar a incidir nas concepções etapistas da revolução brasileira. Trata-se de uma ressalva plenamente justificada: defender a ampliação das condições industriais e produtivas para poder socializá-las com qualidade à maioria da população. Não pode se confundir com ilusões no desenvolvimento da ordem capitalista ou ainda com pretensões nacionais da burguesia nativa, que hoje no Brasil é associada e profundamente dependente do imperialismo.
Ainda que o atraso nas bases econômicas não seja essa barreira intransponível para o início do processo socialista, certamente o é para o seu pleno desenvolvimento. Não pode haver florescimento das capacidades humanas para o/a trabalhadoa, seu ativo envolvimento na vida política e nos rumos do país, sem que haja uma base material arrojada que os libere do trabalho extenuante. Para um país se desenvolver plenamente rumo ao socialismo é condição necessária (mas não suficiente) que ele atinja grau de sofisticação bastante elevado em suas forças produtivas, como se verifica na história da União Soviética e também na China, onde o povo e a força dirigente tiveram que empenhar esforços colossais para superar o atraso tecnológico dessas sociedades. O avanço da revolução socialista nesses países fica tanto mais penoso e dificultado conforme menos desenvolvidas são essas forças produtivas e as relações de produção fruto de sua história.
Nesse sentido, cabe então colocar na ordem do dia o debate sobre os rumos que um país deve adotar para o desenvolvimento de suas capacidades produtivas e da geração de renda, serviços e produtos. A experiência histórica indica que uma indústria manufatureira desenvolvida é condição imprescindível para a geração de riqueza. Ainda que o estágio atual de desenvolvimento do capitalismo possa fazer parecer que o grosso da riqueza está se deslocando cada vez mais para o setor de serviços, sua base material ainda reside na manufatura, pois é na manufatura em que a maior parte do valor é agregada às mercadorias.
Além disso, os serviços sofisticados estão umbilicalmente conectados à indústria. Por exemplo, todos os serviços de informática estão assentados sobre o fato de existir um objeto físico, a saber um computador ou qualquer outro dispositivo, que possibilita a existência desse serviços. Além do mais, o domínio sobre tais serviços sofisticados necessita de um grande desenvolvimento e aprendizado tecnológico, e os países que têm tais domínios são justamente os que têm sua forças produtivas em um grau de maturidade mais avançado. A importância da indústria reside no fato de ser por meio dela que o trabalho humano pode desabrochar muitas de suas potencialidades, como a soma coordenada do trabalho de muitos operários, que é mais produtivo do que a soma simples das partes. Na produção manufatureira, diferentemente dos serviços, a finalidade é um produto, não uma atividade, e portanto a possibilidade de ampliar a produtividade possui menos restrições. Na indústria, temos por excelência a possibilidade de economia de escala e de escopo, que otimizam o potencial produtivo. Assim, sem uma indústria manufatureira desenvolvida, o caminho para a riqueza é impossível.
Entretanto, é comum nos depararmos com objeções postas pelos economistas ortodoxos (neoclássicos, e maiores apologistas da ordem). Para se contrapor à ideia de que uma base manufatureira fecunda é necessária para poder ter desenvolvimento econômico, eles remetem a uma noção desenvolvida por David Ricardo – as chamadas vantagens comparativas. Isto é, um país deveria se concentrar e se especializar em produzir o que ele sabe fazer melhor e com mais produtividade. Por exemplo: se um país tem vastas extensões de terras agricultáveis e recursos minerais abundantes, ele deveria se concentrar nesses setores. Sendo assim, seria capaz de aprimorar cada vez mais tais setores, e isso possibilitaria conseguir trocar suas mercadorias no mercado mundial com tamanha produtividade e eficiência com relação aos demais competidores, que de tal sorte ele conseguiria gerar excedentes e assim adquirir os demais bens que não é capaz de produzir, e se desenvolver – dizem tais mistificadores. Na prática, a vantagem comparativa dos países de capitalismo dependente é produzir bens primários enquanto que as vantagens dos países centrais são a produção de bens industriais de alta tecnologia. Para os defensores dessa visão, o Brasil deveria se focar em aumentar sua produtividade agropecuária e no setor de mineração, e assim as ditas “forças de mercado” conduziriam o país rumo a um crescimento econômico sustentado.
Essa visão é ingênua. De fato, nenhum país (exceto a Inglaterra, de onde tal ideia partiu) se desenvolveu apenas apostando nas suas vantagens comparativas, pois, inicialmente, ninguém dispõe como vantagem de ter forças produtivas avançadas: essas forças tiveram de ser desenvolvidas. Também podemos olhar para os países ricos e constataremos que são – adivinhe, sim! – os países mais industrializados. Se hoje alguns países com altos índices de riqueza per capita não possuem grande participação relativa da indústria, costuma ser porque nestes já houve um pico de industrialização, e agora eles têm grande participação de serviços industriais sofisticados, como a Austrália.
Por outro lado, não podemos cair em uma espécie de “industrialismo ingênuo”, como se tudo se resumisse a um desenvolvimento mais ou menos intrínseco das forças produtivas, ignorando as relações de produção, de propriedade e de trabalho que condicionam, ou em última instância determinam, a alocação do excedente econômico da sociedade. Não menos importante, há que se lembrar da geopolítica do imperialismo, que alavanca os países de capitalismo avançado através da rapina e exploração do restante do mundo, relegando a ele o atraso econômico e a miséria de sua população. Isto é, como via de regra, há sim grande correlação entre países ricos e desenvolvidos com o desenvolvimento de sua indústria, mas rejeitamos um argumento que tome a existência da indústria como explicação simples da riqueza destas nações, algo que simplifique essa questão numa resposta de causalidade unidirecional. Em linhas gerais, simplificadamente, podemos ver que o desenvolvimento industrial de países europeus e dos EUA ao longo do século XIX permitiu que estes gestassem em seu solo grandes monopólios e associações capitalistas que viriam a usar seus respectivos Estados nacionais para seus desígnios comerciais. Com a crescente exportação de capital e a consequente partilha do mundo entre as nações, criou-se uma ordem mundial muito hábil em sufocar os esforços de desenvolvimento autônomo dos demais países. Essa é a situação colocada no cenário internacional a partir do final do século XIX, mas que, mudando o que tem que ser mudado, vigora até os dias atuais com novas determinações. Portanto, ainda que ela tenha cumprido papel indispensável, não é pura e simplesmente pela industrialização que os países capitalistas ficaram ricos, e, nesse sentido, não será pela simples (que de simples não tem nada, na verdade) industrialização que o Brasil superará sua condição de penúria econômica e social – é preciso confrontar a dominação imperialista e seus agentes internos.
Parte II – a tragédia brasileira
Uma coisa importante nem sempre percebida sobre a industrialização de um país é que não basta termos uma boa participação quantitativa industrial na economia nacional para podermos usufruir de todo o potencial qualitativo da indústria. Há uma significativa diferença entre ter indústria e ter um complexo industrial. Isto é, o importante não é apenas ter várias indústrias, mas tê-las em setores que estejam ligados entre si, fornecendo e absorvendo a produção umas das outras. A importância de ter toda a cadeia produtiva em solo nacional é evidente: cada parcela de excedente fica aqui, movimentando a nossa economia. Mais que isso, num momento de instabilidade, de alta demanda por algum produto – como são os ventiladores pulmonares durante a pandemia atual -, vemos que não basta ter dinheiro para querer comprar – quem produz é quem tem vantagem. Se hoje parece “comum” a situação de atraso industrial do Brasil em relação ao mundo, cabe dizer que nem sempre foi assim. A situação atual é produto direto do processo de aprofundamento da dependência e associação das classes dirigentes nacionais ao imperialismo.
Enquanto é verdade que no ano de 1930 o Brasil não viveu uma revolução, o deslocamento das frações de classe no poder alçou a industrialização no país, até então dominado pelas elites rurais. O governo de Getúlio criou importantes bases para que o capitalismo pudesse se desenvolver com força nas cidades, promovendo a industrialização do país. Ao longo das décadas de 1950 até 1970, o Brasil passou por um intenso processo de industrialização, passando de um país essencialmente agrário para uma economia com forças produtivas bastante desenvolvidas, no final da década de 70. O Brasil foi um dos países que mais rápido se industrializou no mundo, tendo atingido taxas volumosas de crescimento. Esse projeto desenvolvimentista teve sua origem nos governos Getúlio Vargas e JK, com a criação de empresas como a Companhia Siderúrgica Nacional (CSN, financiada pelos EUA em troca da participação do Brasil na II Guerra Mundial) e a Petrobras, que tiveram seu caráter estatal garantido por intensa campanha popular.
Mesmo durante o regime civil-militar, esse projeto desenvolvimentista não foi abandonado – estando presente através do I PND e II PND (Plano Nacional de Desenvolvimento). Apesar de estar umbilicalmente ligado ao capital internacional, esse projeto não era tão subserviente ao modo que vemos no governo atual. De fato, durante a ditadura civil-militar, o imperialismo ampliou sua dominação sobre o Brasil, mas isso não impediu tais projetos de terem pontualmente desacordos com os interesses imperialistas, como o programa nuclear brasileiro, por exemplo. O combustível para esse desenvolvimento era crédito internacional barato e de longo prazo, e grandes obras de infraestrutura. No ano de 1979, em virtude das crises do petróleo, houve um choque internacional nas taxas de juros, elevando substancialmente o preço do crédito, o que foi um golpe fatal nesse modelo desenvolvimentista. Como consequência disso, ao longo da década de 1980, a economia brasileira sofreu com crise na balança de pagamentos e calote na dívida externa, que havia aumentado massivamente no período anterior e hiperinflação. A estagnação da década de 80 marca o fim do modelo nacional desenvolvimentista.
Ao início da década de 80, a indústria representava algo em torno de 40% da produção nacional, enquanto que, ao longo dos anos 2000, foi para a casa dos 23%, e hoje, com a crise continuada, estamos estacionados nos 18%. Em muitos países, é comum ver uma diminuição relativa da participação industrial em favor do setor de serviços; trata-se de uma tendência geral. Entretanto, os países de capitalismo desenvolvido o fazem após terem obtido um grau de sofisticação industrial que permitiu o desenvolvimento de serviços de alto valor agregado (o chamado de arco da industrialização) – caminho esse que o Brasil definitivamente não seguiu, pois nossa economia apenas diminuiu sua complexidade. Vejamos o que aconteceu que nos conduziu nesse descaminho:
Ao longo de década de 1990, a economia brasileira passa por uma série de transformações importantes com a adoção das políticas econômicas do “Consenso de Washington”. Ou seja, houve uma brusca abertura comercial, uma série de privatizações, além de medidas para a estabilização monetária (Plano Real) – como uma sobrevalorização cambial e altíssima taxa de juros, tendo a SELIC chegado a 40% ao ano. As medidas do Consenso são excessivamente rigorosas, e verdadeiramente implacáveis contra a indústria. A manufatura brasileira, que se desenvolveu com um amplo protecionismo, era posta desnuda para disputar no mercado mundial. Medidas como sobrevalorização cambial e alta taxa de juros, que eram para ser passageiras para a estabilização monetária, se tornaram o padrão, mas são péssimas para a indústria, e contribuíram significativamente para a manufatura brasileira estar nesse atoleiro.
De toda forma, durante os anos 2000, o Brasil pôde finalmente desenvolver sua economia, com uma moeda estável e inflação controlada. Nesse período, o mundo viu a ascensão de um novo gigante econômico: a China, com sua produção manufatureira abundante e barata, e sua colossal demanda por gêneros agropecuários e minerais, que contribuiu para a alta do preço das commodities, experienciada no período. Assim, conjunturalmente, foi vantajoso para o Brasil aumentar sua produção agropecuária e extrativista para a exportação, enquanto que o câmbio, muito valorizado no período, tornava a importação de manufaturas muito mais em conta do que o estímulo à produção interna. O interesse governamental imediato de segurar a inflação se contrapôs no médio prazo à vitalidade de nossa indústria. Assim, com uma melhoria conjuntural, o Brasil acabou por diminuir a complexidade de sua economia, e aprofundou sua dependência econômica de forma estrutural.
Em 2011, era claro para o governo e para os industriais que o cenário macroeconômico precisava mudar para dar chance à nossa indústria. Foi então que este começou a abandonar a gestão super-ortodoxa da economia e passou a adotar a chamada “Nova Matriz Econômica”, vulgo “Agenda FIESP” – grande proponente e articuladora da mudança. Tratava-se de uma diminuição dos investimentos públicos e ampliação das desonerações fiscais, além de uma baixa nos juros e alguma desvalorização cambial, visando a dar mais espaço e competitividade ao nosso setor industrial. Ocorre que não bastavam condições macroeconômicas para que nossa tecnologicamente atrasada indústria nacional pudesse alcançar o desempenho de suas congêneres mundiais. Mais ainda: nesse período, o mundo começou a testemunhar a diminuição do preço das commodities, que, junto da mudança que a economia brasileira vinha operando, diminuiu radicalmente nossa balança comercial e a arrecadação do governo. As desonerações, ao invés de induzirem os investimentos industriais, serviram apenas para os empresários aumentarem suas margens de lucro.
Em 2015, o segundo mandato de Dilma inicia com um verdadeiro estelionato eleitoral, praticando uma agenda econômica exatamente ao contrário do que dizia nas eleições de 2014. A forma de buscar ajustar a situação fiscal do Brasil foi pela agenda ultra reacionária e anti-povo comandada pelo banqueiro Joaquim Levy, que promoveu inúmeros cortes no orçamento na área de bem-estar social e subiu a taxa SELIC para 14,25% ao ano. Desde então, com o decorrer do golpe de 2016, o debate econômico no Brasil parece ter se reduzido somente ao controle fiscal, com a visão ortodoxa hegemônica condenando por princípio os gastos públicos. O câmbio de fato começou a tornar-se mais favorável à indústria, mas faltava o ambiente político e a coordenação institucional para incentivar os industriais a retomar os investimentos. A verdade é que esse setor, como o restante da burguesia, tem muito pouco compromisso com o país para além de sua rentabilidade pessoal. É preferível para estes girar seu capital para a especulação do que tomar os riscos do investimento produtivo, que poderia induzir um crescimento geral.
Para coroar esse processo, tivemos ainda a contribuição da Lava-Jato, operação articulada a partir dos EUA com o intuito de promover um completo massacre no cenário político e econômico brasileiro, nos tornando presas fáceis para o recrudescimento da dominação imperialista. Os efeitos sobre a política todos já conhecem, mas é importante ressaltar que a vilania lava-jatista também recaiu sobre setores-chave de nossa economia. Dentre as várias “inovações jurídicas” da Lava-Jato, a que mais tocou a indústria foi a pena imposta às empresas cujos dirigentes se envolveram em escândalos de corrupção, de impedi-las de participar de licitações por alguns anos. Trata-se de um tremendo absurdo, uma vez que quem fez o ilícito foram pessoas físicas, ainda que dirigentes das empresas. Impedir as empresas de acessarem projetos públicos, na verdade, é impedir o governo de executar suas obras com o melhor da engenharia nacional – que, importante dizer, infelizmente está concentrada em poucos monopólios, tão suscetíveis a esses escândalos. A promiscuidade entre poder público e poder econômico privado é algo imanente no capitalismo; portanto, não se trata aqui de uma defesa moralista de separar o joio do trigo para defender os “empresários honestos”. Trata-se tão somente de denunciar uma medida da justiça destinada a essa finalidade, que não contribui em nada para o combate à corrupção, e somente cria auto-entraves ao desenvolvimento de nossas forças produtivas.
Com isso, vimos pararem as obras do Complexo Petroquímico do Rio de Janeiro (COMPERJ) e da Refinaria Abreu e Lima em Pernambuco, que acrescentariam enormemente nossa capacidade de refino; podemos citar ainda a Linha 6 do metrô de São Paulo, a Usina Angra 3 da Estação Nuclear Almirante Álvaro Alberto, e outros 90 bilhões de reais em obras paradas que de alguma forma foram afetadas pela Lava-Jato. Mais ainda, a longa saga do submarino nuclear brasileiro (tecnologia que fornece um salto de qualidade operacional à embarcação, essencial para uma marinha contemporânea) também foi interrompida. Nesse caso, não apenas pelo fato de somente a Odebrecht ter capacidade de engenharia para tal empreendimento, como pela vagamente motivada prisão do Almirante Othon, engenheiro-militar brasileiro articulador da tecnologia nuclear no país. Soma-se a isso também a série de operações como a “Carne Fraca” de 2017, que visaram a alcançar frigoríficos do país, afetando duramente sua capacidade de exportação e competição com os monopólios norte-americanos. Ainda que saibamos bem o que significam essas empresas no Brasil, desde a exploração e falta de qualidade de trabalho de seus funcionários até a compra de políticos, não devemos ter dúvidas de que, ainda que não seja essa sua razão de ser, sua participação no mercado mundial é antagônica aos interesses estadunidenses, principalmente neste período de crise mundial continuada. Evidência disso é que, mesmo com a divisão internacional do trabalho empurrando o Brasil para a produção de commodities, os EUA se beneficiaram em 2019 com a política externa imbecil de Bolsonaro, e ampliaram sua exportação de soja para a China no vácuo por nós deixado.
Ao fim e ao cabo, temos o cenário atual, em que a participação da indústria é diminuta (e cada vez menos complexa), os serviços são cada vez menos sofisticados e o setor primário é o salvador da balança comercial. Entretanto, seja no setor da indústria, seja nos serviços, na agropecuária, no mundo financeiro, é imprescindível não perder de vista o caráter dependente e simultaneamente associado de nossa burguesia nativa em relação ao imperialismo. Ela se desenvolveu como “sócia-menor” dos empreendimentos do capitalismo central em nosso país, e desde o golpe de 64 o imperialismo é o setor hegemônico do bloco de forças dominantes no Brasil. Sendo dependente, nossa burguesia articula internamente sua dominação de modo a sufocar as classes subalternas, tanto econômica quanto politicamente, em patamares muito mais intensos do que é necessário no “centro”. Sendo associada, a burguesia nativa brasileira está confortável com essa situação de subordinação, e não possui qualquer projeto como classe para alçar o Brasil a uma condição de capitalismo autônomo, tecnologicamente avançado. Assim, o desenvolvimento tecnológico e em escala de nossa indústria deve ser visto como mais um dos momentos internos ao processo de revolução socialista no Brasil. Trata-se de mais uma das “tarefas nacional-populares”, junto às reformas agrária, urbana, educacional, tributária etc. que a burguesia nativa, diferentemente de suas congêneres europeias, não precisou realizar para instalar sua dominação. Ao contrário de interditá-las por definitivo, a burguesia na verdade joga tais tarefas para as classes subalternas, que deverão cumprí-las no percurso do processo radical de transformação social – como momento interno, e, portanto, não como etapas precedentes – que irá destruir a dominação burguesa (interna e externa) em nossas terras e construir um Brasil livre, soberano, popular e socialista!
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2020.08.27 16:02 Scabello More about Belarus color "revolution"

Text from a amazing marxist virtual magazine from Brazil.

https://revistaopera.com.b2020/08/26/belarus-nacionalismo-e-oposicao/

Belarus: nacionalismo e oposição


As manifestações em Belarus estão recebendo uma grande cobertura nos meios ocidentais, o que se reflete na imprensa brasileira, que se contenta em traduzir e repetir aquilo que é dito em grandes veículos europeus. A amplitude e até a paixão dessa cobertura gera, por efeito de contraste, uma sensação de falta de profundidade, já que em meio de tantas notícias, carecemos até mesmo de uma introdução sobre aspectos específicos do conflito e dos atores que participam dele. O que a cobertura nos oferece, no entanto, é uma narrativa sobre manifestantes lutando contra um ditador em nome da liberdade, discurso fortalecido por uma certa abundância de imagens. Na frente desta luta, a candidata derrotada – alegadamente vítima de fraude – Sviatlana Tsikhanouskaya, uma “mulher simples”, “apenas uma dona de casa”, o símbolo da mudança. Em alguns dos meios de esquerda e alternativos, este posicionamento da grande mídia já gera uma certa desconfiança. Imediatamente surgem perguntas sobre quem forma essa oposição e se podemos fazer comparações com a Ucrânia em 2014, onde uma “revolução democrática” foi acompanhada por grupos neofascistas, ultranacionalismo e chauvinismo anti-russo. Outros já se revoltam contra o reflexo condicionado e declaram que não podemos julgar os eventos de Belarus pela ótica dos eventos ucranianos, e que avaliações não deveriam ser feitas na função inversa da grande mídia. Me deparando com a diversidade de problemas que podem ser desenvolvidos a partir do problema de Belarus, decidi começar com um problema simples de imagem e simbologia, mas que nos traz muitas informações. As imagens que estampam os jornais são dominadas por duas cores: branco e vermelho.

Uma disputa pela história

Uma faixa branca em cima, uma faixa vermelha no meio e outra faixa branca embaixo – esta bandeira domina as manifestações oposicionistas em Belarus. Ela surgiu primeiro em 1919, em uma breve experiência política chamada de República Popular Bielorrussa, órgão liderado por nacionalistas mas criado pela ocupação alemã no contexto do pós-Primeira Guerra, Guerra Civil na Rússia e intervenção estrangeira que ocorreu naquele período. Uma bandeira diferente do símbolo oficial de Belarus: do lado esquerdo, uma faixa vertical reproduz um padrão tradicional bielorrusso, como na costura, em vermelho e branco, do lado duas faixas horizontais, vermelho sobre verde (somente um terço em verde). Bandeira muito similar à velha bandeira da República Socialista Soviética de Belarus, com a diferença que na antiga o padrão tradicional estava com as cores invertidas e na massa vermelha horizontal brilhava a foice-e-martelo amarela com uma estrela vermelha em cima. Os manifestantes também usam um brasão de armas histórico do Grão Ducado da Lituânia, a Pahonia, onde vemos um cavaleiro branco, brandindo sua espada e segurando um escudo adornado por uma cruz jaguelônica. O emblema oficial de Belarus, no entanto, é diferente, correspondendo à simbologia soviética, onde um sol que se levanta sobre o globo ilumina o mapa de Belarus, com bagos de trigo nos flancos e uma estrela vermelha coroando a imagem. Essa diferença entre símbolos do governo e da oposição não é só uma diferença política momentânea, mas remete a uma disputa pela identidade nacional de Belarus, a processos divergentes de formação de consciência nacional, conforme exemplificados por Grigory Ioffe. Quando Belarus se tornou independente da União Soviética nos anos 90, isto aconteceu apesar da vontade popular, sem movimentos separatistas como os que ocorreram vigorosamente nas repúblicas soviéticas bálticas, vizinhas de Belarus pelo norte, ou na parte ocidental da Ucrânia, país que faz fronteira com Belarus pelo sul. Pelo menos até pouco tempo atrás, a maioria dos cidadãos se identificava com a Rússia e concebia a história de Belarus no marco de uma história soviética. Para a maioria da população, o evento mais importante da história de Belarus foi a Grande Guerra Patriótica, isto é, a resistência contra os invasores nazistas, o movimento partisan como primeiro ato de vontade coletiva. É depois da guerra que os bielorrussos se tornam maioria nas cidades do país (antes de maioria judaica, polaca e russa), bem como dirigentes da república soviética – líderes partisans se tornaram líderes do partido. Esse discurso filo-soviético também é acompanhado pela ideia de proximidade com a cultura russa, inclusive a constatação de que é difícil fazer uma diferenciação nacional entre as duas culturas. Em termos de narrativa histórica, isso é acompanhado por afirmações como a de que a Rússia salvou o povo das “terras de Belarus” da opressão nacional e religiosa dos poloneses. Então, figuras históricas da Rússia são lembradas, como por exemplo o general Alexander Suvorov (1730 – 1800), que é celebrado como um herói da luta contra a invasão polonesa das “terras de Belarus” e da Rússia em geral. Essa ideia de união entre Rússia e Belarus é fundamental para o pan-eslavismo. A revolução em 1917 também é considerada um episódio nacional, o começo da criação nacional de Belarus dentro da União Soviética, com sua própria seção bolchevique e adesão dos camponeses à utopia comunista, mas nem isso e nem a história nacional russa superam a Segunda Guerra Mundial como fator de consciência nacional. Contra esta visão surgiu uma alternativa ocidentalizante, que propõe que Belarus é um país completamente diferente da Rússia, que foi dominado pela Rússia e que precisa romper com Moscou para ser um país europeu. Essa tendência tenta afirmar a existência de um componente bielorrusso específico na Comunidade Polaco-Lituana, identificando a elite pré-nacional com nobres locais. Atribuem a “falta de consciência nacional” no país à intrigas externas. Seus heróis de forma geral são heróis poloneses, e celebram quando os poloneses invadiram a Rússia. Se esforçam por fazer uma revisão histórica que justifique a existência de uma nacionalidade bielorrussa atacando a narrativa ligada à Segunda Guerra Mundial, renegando a luta dos partisans e enquadrando sua nação como uma “vítima do estalinismo”, que passa ser comparado com o nazismo como uma força externa. Suas preocupações centrais, além de tentar construir uma história de Belarus antes do século XX, está a preservação da língua bielorrussa em particular, com suas diferenças em relação ao russo. Nessa visão, as repressões do período Stálin deixam de ser uma realidade compartilhada com os russos e outras nacionalidades soviéticas, para ser entendida como uma repressão contra a nação de Belarus, exemplificada principalmente pela repressão de intelectuais nacionalistas. Na tentativa de desconstruir o “estalinismo” e os partisans, os nacionalistas defenderam a Rada Central de Belarus, um órgão colaboracionista criado pela ocupação alemã, que não pode ser chamado sequer de governo títere, mas que adotava a visão histórica dos nacionalistas e fez escolas de língua exclusivamente bielorrussa em Minsk. A Rada foi liderada por Radasłaŭ Astroŭski, que foi para o exílio norte-americano e dissolveu órgão depois da guerra para evitar responsabilização por crimes de guerra. A versão nacionalista não só defende a “posição complicada” dos colaboradores nos anos 40, como revisa positivamente o papel do oficial nazista Wilhelm Kobe, Comissário Geral para Belarus entre 1941 e 1943 (até ser assassinado pela partisan Yelena Mazanik). Argumenta-se que Kobe seria um homem interessado nas coisas bielorrussas e seu domínio permitiu o florescimento nacionalista. Do lado colaboracionista existiu uma Polícia Auxiliar e a Guarda Territorial Bielorrusa, as duas ligadas aos massacres nazistas e associadas a uma das unidades mais infames da SS, a 36ª Divisão de Granadeiros da SS “Dirlewanger”. Depois, foi formada por uma brigada bielorrussa na 30ª da SS. A colaboração usava as bandeiras vermelha e branca, com a Guarda Territorial usando braçadeiras nessa cor. Essas cores seriam retomadas na independência do país em 1991, mas foram muito atacadas por sua associação com a colaboração. Por isso ela foi rechaçada por uma maioria esmagadora em um referendo realizado em 1995, que definiu os símbolos nacionais de hoje e mudou o “Dia da Independência” para 3 de Julho, dia em que Minsk foi libertada das forças de ocupação nazista, em 1944. A visão nacionalista e ocidentalizante é minoritária, compartilhada por algo entre 8% e 10% da população; número que é consistente com o número de católicos do país – um pouco maior, na verdade, o que serve para contemplar uma minoria de jovens de Minsk, que proporcionalmente tendem a ser mais adeptos de uma visão distinta da história soviética. Em 1991, o nacionalismo se reuniu na Frente Popular Bielorrussa, em torno da figura do arqueólogo Zianon Pazniak, que representava uma militância radical, anti-russa, europeísta e guardiã dessa simbologia nacional. O movimento fracassou e parte disso provavelmente se deve à liderança de Pazniak, tido como intolerante. Havia também um movimento paramilitar chamado Legião Branca, que se confrontaria com Lukashenko no final dos anos 90. Estes seriam “os nazis bielorrussos dos anos 90”, pecha que é disputada por seus defensores, que os retratam até mesmo como democratas, mas que é justificada por seus detratores baseada em seu separatismo étnico e intolerância dirigida aos russos apesar de viverem no mesmo espaço e a maioria do seu próprio país falar a língua russa. Ainda assim, o alvo-rubro vem sendo reivindicado como um símbolo de liberdade, democracia e independência: seus defensores vêm tentando firmar a identidade dessa bandeira mais em 1991 do que em 1941. Para todos os efeitos, se tornou um símbolo de oposição Lukashenko, símbolo de “outra Belarus”, com boa parte dos jovens mantendo uma atitude receptiva em relação a ela – um símbolo carregado de controvérsia, mesmo assim. Essas divergências simbólicas escondem diferentes histórias e questões políticas radicais. Além disso, é possível constatar que Belarus tem dois componentes nacionais externos em sua formação: os poloneses e os russos. No plano religioso, o catolicismo associado com Polônia e a ortodoxia associada à Rússia (segundo dados de 2011, 7,1% da população católica, 48,3% ortodoxa e 41,1% diz não ter religião, 3,5% se identificam com outras). Na disputa histórica, existe uma narrativa filo-soviética e outra ocidentalizante. Nesta última década, o próprio governo Lukashenko presidiu sobre uma política de aproximação e conciliação dessas narrativas históricas sobre Belarus, tentando ocupar uma posição mais nacionalista, mesmo que mantendo o núcleo soviético como fundamental. Esta aproximação foi muito criticada por um núcleo duro de patriotas e irredentistas russos. Por outro lado, dentre os manifestantes não necessariamente há uma ruptura total com a narrativa histórica partisan e motivos antifascistas, pelo menos não se buscarmos casos individuais – nesse caso, o uso histórico da bandeira seria ignorado ou superado por outra proposta. Apesar de existir uma oposição que busca lavar a bandeira alvirrubra, é possível identificar nacionalistas radicais na oposição?

Belarus não é Ucrânia – mas pode ser ucranizada?

Pelo menos em meios ocidentais, se afirmou muito que “a crise de Belarus não é geopolítica”. Muitos textos publicados no Carnegie Moscow Center elaboraram em torno dessa afirmação. A declaração da Comissão Europeia afirmou isso. O professor e colunista Thimothy Garton Ash escreveu no The Guardian que sequer se pode esperar um regime democrático liberal depois da saída de Lukashenko, e relata contatos com bielorrussos que dão a impressão de um sentimento ao mesmo tempo oposicionista e pró-russo. Por esse argumento, Belarus é diferente da Ucrânia, as manifestações não têm relação com geopolítica, os bielorrussos até gostam da Rússia e a lógica extrapola ao ponto de dizer que, portanto, Putin tende a apoiá-las. Mais de um texto fala de como a identificação entre bielorrussos e russos, como povos irmãos ou até iguais, “anula” essas questões – isto é, estes textos têm como pressuposto uma solidariedade nacional, uma continuidade entre os dois povos, algo distinto do radicalismo nacionalista. Até parecem acreditar que isto tiraria de Putin o interesse de ajudar Lukashenko ou da Rússia enquadrar esses eventos na sua visão estratégica como algo equivalente ao problema ucraniano. De fato, Belarus não é a Ucrânia. A divisão sobre a identidade nacional não é tão polarizada em Belarus como é na Ucrânia. A divisão regional e linguística, bem como as diferentes orientações geopolíticas, não é tão radical. A marca da colaboração e suas consequências políticas não é tão forte em Belarus como é na Ucrânia – não acredito que o nacionalismo em Belarus está no mesmo patamar do ultranacionalismo ucraniano. No plano da operação política, a comparação com a Ucrânia é feita em função do Maidan de 2014, onde também existem diferenças. O Maidan teve a participação decisiva de partidos políticos consolidados e posicionados dentro do Parlamento, que no momento final tomaram o poder do presidente Yanukovich usando seu poder parlamentar. Partidos ligados a oligarcas multimilionários, com políticos que enriqueceram em negócios de gás, e nas ruas uma tropa de choque de manifestantes formada por nacionalistas bem organizados. Dito isso, devemos olhar para o posicionamento da oposição bielorrussa e não aceitar de forma acrítica as narrativas de que a manifestação não tem nada a ver com geopolítica e que não possuí liderança. Alegam que questões como adesão à OTAN e integração europeia não são primárias na política de Belarus – será mesmo? E essas questões nacionais, não têm relação alguma com as manifestações? Primeiro, um dos movimentos que protagoniza enfrentamentos de rua em Belarus desde outros anos (especialmente nos enfrentamentos de rua de 2010) e se destaca nos meios oposicionistas, inclusive com reconhecimento ocidental, é a Frente Jovem, que é um movimento nacional radical, acusado de filo-fascista e ligado aos neofascistas ucranianos. Este movimento também é ligado ao partido Democracia Cristã Bielorrusa (DCB), o qual ajudou a fundar. Ambos são contra o status oficial da língua russa e querem retirar o russo das escolas. Pavel Sevyarynets, um dos fundadores da Frente Jovem e liderança da DCB, é frequentemente referido como dissidente e “prisioneiro de consciência” foi organizador da campanha “Belarus à Europa”. Ele foi preso antes das eleições como um organizador de distúrbios. A Revista Opera teve acesso ao material de um jornalista internacional que entrevistou um professor de artes bielorrusso, autoproclamado anarquista e defensor das manifestações, que se referiu à prisão de Sevyarynets como um ato preventivo do governo e respondeu a uma pergunta sobre as reivindicações do movimento dizendo que as pessoas tem em sua maior parte bandeiras nacionalistas. Em segundo lugar, cabe ressaltar que um dos principais partidos de oposição e representante das declarações atuais é o Partido da Frente Popular Bielorussa (PFPB), descendente da Frente Popular dos anos 90, um partido de direita, adepto da interpretação nacionalista, hostil à Rússia e pró-europeu. O PFPB, a Democracia Cristã, a Frente Jovem e o partido “Pela Liberdade” são parte de um “Bloco pela Independência de Belarus”. Estes movimentos tiveram vários contatos com grupos neofascistas ucranianos, com a Frente Jovem em específico mantendo relações de longa data e tomando parte em marchas em homenagem a colaboradores como Stepan Bandera e Roman Shukeyvich (que na SS Natchigall foi um carrasco dos habitantes e partisans do sul de Belarus) – diga-se, entretanto, que não necessariamente funcionam da mesma forma que as organizações extremistas. Mesmo movimentos que se organizam como ONGs, com aparência de ativismo genérico e recebendo dinheiro de programas para promover a democracia a partir da Lituânia (que por sua vez direciona dinheiro do Departamento de Estado dos Estados Unidos), servem como organizações nacionalistas, como é o caso da ONG BNR100. Em terceiro lugar, podemos olhar para algumas lideranças de oposição presentes no Conselho de Coordenação formado para derrubar Lukashenko. Foi proclamado que o Conselho de Coordenação é composto por “pessoas destacadas, profissionais, verdadeiros bielorrussos”, por aqueles que “representam o povo bielorrusso da melhor maneira, que nestes dias estão escrevendo uma nova página da história bielorrussa”. Olga Kovalkova, peça importante da campanha de Sviatlana Tsikhanouskaya, que já havia listado pessoas do conselho antes dele ser anunciado oficialmente, em sua página do Facebook. Ela mesma é um dos membros. É graduada pela Transparency International School on Integrity e pela Eastern European School of Political Studies (registrada em Kiev, patrocinada pela USAID, National Endowment for Democracy, Open Society Foundation, Rockefeller Foundation, Ministério das Relações Exteriores da Polônia, União Europeia e estruturas da OTAN). Kovalkova é co-presidente da Democracia Cristã Bielorrussa; defende a saída de Belarus da Organização Tratado de Segurança Coletiva (OTSC; Tratado de Takshent), a separação do Estado da União com a Rússia e a retirada do russo da vida pública. O outro co-presidente da DCB, Vitaly Rymashevsky, também está no conselho. Ales Bialiatski, famoso como defensor dos direitos humanos e que foi preso sob acusação de enganar o fisco a respeito da extensão de sua fortuna, também fez parte do movimento nacionalista da Frente Popular de Belarus, do qual foi secretário entre 1996 e 1999 e vice-presidente entre 1999 e 2001. Também é fundador da organização Comunidade Católica Bielorrussa. É presidente do Viasna Human Rights Centre (financiado por Eurasia Foundation, USAID e OpenSociety) e recebeu o prêmio liberdade do Atlantic Council, além de prêmios e financiamentos na Polônia. Sua prisão em 2011 foi baseada em dados financeiros fornecidos por promotores poloneses e lituanos, enquadrado por um artigo de sonegação da lei bielorrussa.
Na hoste dos nacionalistas mais comprometidos representados no Comitê de Coordenação temos também Yuras Gubarevich, fundador do partido “Pela Liberdade”, antes um dos fundadores da “Frente Jovem” e foi durante anos liderança do Partido Popular; uma das grandes lideranças oposicionistas.
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Pavel Belaus é ligado à Frente Jovem, um dos líderes da ONG Hodna e dono da loja de símbolos nacionalistas Symbal. Ele também é ligado ao movimento neofascista ucraniano Pravy Sektor e esteve envolvido na rede de voluntários bielorrussos para a Ucrânia. Andriy Stryzhak, do BNR100, ligado ao Partido da Frente Popular, coordenador da iniciativa BYCOVID19. Participou do Euromaidan, de campanhas de solidariedade com a “Operação Antiterrorista” de Kiev no leste da Ucrânia e de articulação com voluntários bielorrussos. Andrey Egorov promove a integração europeia. Alexander Dobrovolsky, líder liberal ligado ao velho eixo de aliados de Boris Yeltsin no parlamento soviético, é pró-ocidente. Sergei Chaly trabalhou em campanhas de Lukashenko no passado, é um especialista do mundo financeiro, ligado a oposição liberal russa e pro ocidente. Sim, também existem elementos de esquerda liberal ligados ao Partido Social Democrata de Belarus (Hromada), uma dissidência do PSD oficial, que é a favor da adesão à União Europeia e da OTAN. Dito isso, não falamos o suficiente da influência nacionalista. Tomemos por exemplo o grupo Charter 97, apoiado pelo ocidente, principalmente pela Radio Free Europe, que se estiliza como um movimento demo-liberal. Dão espaço para a Frente Jovem, onde naturalmente seu líder pode chamar os bielorrussos que combatem na Ucrânia de “heróis” pois combatem a “horda” (se referindo a Rússia da mesma maneira que o Pravy Sektor). Voluntários bielorrussos combateram ao lado de unidades do Pravy Sektor e do Batalhão Azov. Durante as manifestações, o Charter 97 publicou, no dia 15 de agosto, um texto comemorando o “Milagre sobre o Vistula: no dia 15 de agosto o exército polonês salvou a Europa dos bolcheviques” e “Dez Vitórias de Belarus”, em que a Rússia é retratada como “inimigo secular” dos bielorrussos. Ações de ocupação de poloneses contra a Rússia são celebradas como “vitórias bielorrussas”. É importante também observar o papel que padres católicos vêm cumprindo nas manifestações, inclusive se colocando à frente de algumas delas. O bispo católico Oleg Butkevich questionou as eleições no dia 12 de agosto. Pelo menos em Lida, em Vitebetsk, Maladzyechna e em Polotsk, clérigos organizaram manifestações. Em Minsk, tomou parte o secretário de imprensa da Conferência de Bispos de Belarus, Yury Sanko. Em Polotsk, sobre a justificativa de ser uma procissão, o padre Vyacheslav Barok falou do momento político como uma “luta do bem contra o mal”. É claro que padres católicos podem participar de movimentos políticos de massa, eles também são parte da sociedade, mas este dado não deixa de ter uma significação política específica, visto que os radicais do nacionalismo bielorrusso se organizam no seio da comunidade católica. Ao mesmo tempo, isso gera ansiedade em um “outro lado”, no que seria um lado “pró-russo”, não só por conta de conspirações sobre “catolicização” do país, mas por ter visto na experiência ucraniana a associação de clérigos do catolicismo grego a neofascistas e eventualmente o Estado bancando uma ofensiva contra a Igreja Ortodoxa russa, o que inclui tomada de terras e expropriação de templos. O mesmo problema está ocorrendo neste ano com os ortodoxos sérvios em Montenegro; existem dois precedentes recentes no mundo religioso cristão ortodoxo que podem servir para uma mobilização contra as manifestações.

Programa de oposição: em busca do elo perdido

A candidatura de Tikhanovskaya não tinha um programa muito claro fora a oposição a Lukashenko. Porém, um programa de plataforma comum da oposição, envolvendo o Partido da Frente Popular, o Partido Verde, o Hramada, a Democracia Cristã e o “Pela Liberdade” chegou a ser formulado em uma “iniciativa civil” envolvendo estes partidos e ONGs que estava no site ZaBelarus. Depois, parte deste programa foi transferido para o portal ReformBy. Quando o programa passou a ser exposto no contexto das manifestações (por volta do dia 16), a oposição tirou o site do ar, mas ele ainda pode ser acessado com a ferramenta Wayback Machine. O programa quer anular todas as reformas e referendos desde 1994, retornando à Constituição daquele ano (e conforme escrita pelo Soviete Supremo). Se compromete a retirar da língua russa seus status oficial, além de substituir a atual bandeira por uma vermelho e branca. Existe uma proposta de reforma total de todas as instituições: bancárias, centrais, locais, judiciais, policiais, militares.
O programa também tem uma sessão dedicada à previdência, criticando o sistema de repartição solidária de Belarus como “falido” e responsável por uma “alta carga tributária sobre os negócios”. Propõem “simplificação”, “desburocratização” e “alfabetização financeira da população” para que esta assuma sua parcela de responsabilidade pela aposentadoria. O sistema seria “insustentável” no ano de 2050 por razões demográficas. Também criticam o “monopólio” da previdência pública, “sem alternativas no mercado”. A proposta oposicionista é de contas individuais de pensão com contribuição obrigatória, mas sem eliminar o sistema solidário, tornando o sistema “baseado em dois pilares”; elevar a idade de aposentadoria das mulheres (57) para igual a dos homens (62); “desburocratização” através da eliminação e fusão de órgãos públicos de seguridade social; eliminar diversos tipos de benefício e igualar os valores para todos os cidadãos (independente da ocupação). Essas propostas previdenciárias em específico são assinadas por Olga Kovalkova. Na seção de economia, o programa fala de um “problema do emprego” criticando as empresas estatais e demandando flexibilização da legislação, “incentivos para os investidores”, “uma política macroeconômica de alta qualidade, i.e. inflação baixa, política fiscal disciplinada, escopo amplo para a iniciativa privada”; “o mercado de trabalho é super-regulado”, diz o documento. “Melhorar o ambiente de negócios e o clima de investimentos”, “tomar todas as medidas necessárias para atrair corporações transnacionais”, “privatização em larga escala”, “criação de um mercado de terras pleno”, “desburocratização e desmonopolização da economia”, “adoção das normas básicas de mercado e padrão de mercadorias da União Europeia”, enumera o programa dentre as diversas propostas, que incluem privatização de serviços públicos e criação de um mercado de moradia competitivo. Até aqui, com exceção da referência à língua russa, estamos falando mais de neoliberais do que nacionalistas propriamente. Podemos dizer também que pontos como adoção de padrões europeus e reformas econômicas influenciam a questão geopolítica. Ainda assim, boa parte dessas reformas econômicas também são defendidas por Viktor Barbaryka, empresário bielorrusso que era tido como principal candidato de oposição a Lukashenko que está preso por crimes financeiros; Barbaryka é considerado um “amigo do Kremlin”, pró-russo. Existe uma seção perdida, a seção de “Reforma da Segurança Nacional”. Na primeira semana de protestos, surgiu na rede uma suposta reprodução do conteúdo dessa seção¹. O conteúdo é uma análise ocidentalista que enquadra o Kremlin como uma ameaça, propondo a saída do Tratado de Takshent, da União com a Rússia e medidas para fortalecer o país com “educação patriótica”. Muitos temas que já foram vistos na Ucrânia, com a identificação do Kremlin como uma ameaça tendo como consequência a proposição de medidas contra “agentes do Kremlin” dentro do país, na mídia e na sociedade civil (e, dentre elas, uma proposta de “bielorrussificação” das igrejas). Tão logo isso passou a ser denunciado na primeira semana depois das eleições, o site inteiro foi tirado do ar. A oposição, tendo entrado em um confronto prolongado que pelo visto não esperava (contando com a queda rápida de Lukashenko) sabe que esse tipo de coisa favorece o governo e cria um campo favorável para ele, por isso agora tentam se dissociar, falando deste programa como produto de uma iniciativa privada, apesar de ser uma articulação política envolvendo líderes da oposição. Tanto seus elementos de reforma econômica combinam com o que diziam políticos de oposição liberal em junho, como as supostas posições geopolíticas casam com os nacionalistas que tomam parte da coalizão (e na verdade, é um tanto óbvio que pelo menos uma parte considerável dos liberais é pró-OTAN). No mesmo dia que tal documento foi exposto na mídia estatal bielorrussa – e mais tarde, comentado por Lukashenko em reunião do Comitê Nacional de Defesa – o Conselho de Coordenação declarou oficialmente que desejam cooperar com “todos os parceiros, incluindo a Federação Russa”. Desinformação? Por mais provocativas que sejam as posições do suposto trecho do programa, é fundamentalmente o discurso normal de nacionalistas e liberais atlantistas em Belarus; agora que os dados foram lançados, é natural que a direção oposicionista que não reconhece os resultados das eleições procure se desvencilhar desses posicionamentos estranhos aos seu objetivo mais imediato, que é derrubar Lukashenko.² Ainda que os manifestantes possam ter motivações diversas, a situação atual está longe de ser livre do peso da geopolítica e das narrativas históricas que sustentam o caminhar de um país.
Notas:¹ – Procurando o trecho em russo no Google com um intervalo de tempo entre o primeiro dia de janeiro de 2020 até o primeiro dia de agosto (isto é, antes disso virar uma febre na rede russa), o próprio mecanismo de pesquisa oferece uma página do “Za Belarus” que contém o trecho, mas com um link quebrado – sinal de que há algum registro no cache do Google. A data é dia 25 de junho.
² – O Partido da Frente Popular da Bielorrússia acusou Lukashenko de “fake news” ao divulgar o que seria o seu programa como se fosse de Tikhanovskaya, tratando as medidas como “inevitáveis para Belarus” porém “fora de questão” no momento. O programa, naturalmente, é marcado pela retórica nacionalista e defende adesão de Belarus na OTAN, mas não usa o mesmo palavreado. Da mesma forma o programa do PFPB também tem princípios liberais-conservadores na economia.
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2020.07.23 10:48 diplohora Bruno Rezende : meus estudos para o CACD Parte IV - SUGESTÕES DE LEITURAS pt4 HBR

HISTÓRIA DO BRASIL16
16 Sugiro estudar ao menos um pouco História do Brasil e História Mundial antes de começar a estudar Política Internacional, por motivos óbvios. Vale dizer que boa parte da bibliografia de História Mundial pode, também, ser válida para os estudos de política internacional (vide Guia de Estudos).
- Apostilas “Anglo Vestibulares” (para História do Brasil, ler as duas apostilas da matéria na íntegra, com menos ênfase no período colonial): peguei as apostilas do 3º ano do ensino médio do sistema de ensino Anglo (série Alfa) de meu irmão. São quatro apostilas finas (no total, devem ter umas 300 páginas de Brasil e 100 de Mundial, se contar apenas após o Iluminismo). Inicialmente, peguei as apostilas para uma revisão inicial da matéria, mas devo dizer que fiquei impressionado com a qualidade e com a quantidade de informações que eu não havia achado em nenhum outro lugar. Acho que ninguém gosta de ler livros de História que divagam e que, embora bons em algumas partes, também têm alguns capítulos chatos e nem sempre muito interessantes. Inicialmente, achei que as apostilas fossem ser bem gerais (como são, geralmente, os estudos de ensino médio), mas elas me surpreenderam pelo poder de concisão e, ao mesmo tempo, por possuírem muitas informações boas. O mais interessante é que, por se tratar de apostilas voltadas para a revisão de vestibulandos, elas não incluem coisas mais gerais e de que toda pessoa ensinada tem conhecimento; são concisas e informativas. Eu grifava quase tudo dos capítulos. Em História do Brasil, fiz o teste e li determinadas matérias (Colônia e I Reinado) nas apostilas e comparei com a leitura do Boris Fausto (descrição a seguir). Para minha surpresa, a apostila, nessas partes, tinha mais informações e era mais interessante para o que CACD pede que o Boris Fausto. Resultado: fiz o que, para muitos, seria considerado um crime e abandonei o Boris Fausto. Não sei se dei sorte, porque não se cobrou História pura na terceira fase, apenas história da política externa. Possivelmente, os conhecimentos que deveriam haver sido apenas introdutórios foram suficientes, justamente, porque foram introdutórios à matéria de História da política externa, que estudei por outras obras (indicadas a seguir). De todo modo, eu não poderia deixar de fazer a indicação. As apostilas est~o disponíveis para download no “REL UnB”.
- História do Brasil (Boris Fausto): Cuidado! Não é História Concisa do Brasil, é só História do Brasil. Lançaram essa concisa (até constava na bibliografia dos Guias de Estudo, quando ela ainda existia), mas, segundo informações de professores de cursinho, não é boa, há cortes mal feitos e muita coisa fica de fora. O História do Brasil é, dizem, melhor. Para ser bem sincero, li só até meados do Império, que foi o tempo de descobrir as apostilas do Anglo. Depois disso, não toquei mais no livro do Boris Fausto. De qualquer modo, é bastante importante e bem recomendado.
- História da Política Exterior do Brasil (Amado Cervo e Clodoaldo Bueno): leitura completa obrigatória, um dos mais importantes de toda a bibliografia. Leia atentamente, faça resumos, fichamentos, mapas mentais, o que puder ajudar a gravar o máximo de informação possível. Ajuda em Política Internacional também. Na prova da terceira fase de História do Brasil de 2011, as quatro questões foram sobre história da política externa brasileira.
- Manual do Candidato: História do Brasil (Flávio de Campos e Míriam Dolhnikoff): já ouvi falarem muito mal dele, mas achei interessante, principalmente por duas razões. Em primeiro lugar, os capítulos são divididos por temas de maneira bastante útil (economia; sociedade e cultura; política externa etc.), o que facilita na complementação de estudos em temáticas que você não encontrou muito bem trabalhadas em outras fontes. Em segundo lugar, relacionado ao primeiro, só no manual achei itens mais pontuais referentes aos tópicos “sociedade e cultura”, que eu n~o havia encontrado, de maneira mais simples e sistematizada, em outras obras. Recomendo o possível uso desse manual como complemento a seus estudos de História do Brasil, especialmente das partes que você n~o encontrar em outras bibliografias (como “sociedade e cultura”, em meu caso). Além disso, há boas sugestões de leituras (tanto de bibliografia básica quanto de bibliografia complementar) ao final de cada capítulo do manual. Apesar de ser um manual massacrado por alguns, eu não o dispensaria. Não aconselho, entretanto, que se faça uso desse manual como leitura introdutória. Acho válido ler outras bibliografias de caráter mais geral primeiramente.
- Navegantes, Bandeirantes, Diplomatas (Synesio Sampaio Goes Filho): eu havia lido na Universidade e tinha um resumo muito bom dele (encontrado na internet), então só estudei pelo resumo mesmo. De todo modo, é bem curto e excelente livro sobre a formação territorial do Brasil, assunto recorrente do CACD. Vale a pena a leitura atenta, tomando notas acerca dos principais tratados de limites (nomes, datas, negociadores e o que mudou para o Brasil com cada um). Cobre praticamente todo o primeiro tópico de História do Brasil (só n~o digo “todo” porque, embora eu não saiba o quê, alguma coisa deve ter ficado de fora, nada na vida é tão fácil assim) e é fundamental para o concurso (matéria frequente da primeira e da terceira fases). Um resumo que encontrei na internet est disponível para download no “REL UnB”.
- Formação da Diplomacia Econômica do Brasil (Paulo Roberto de Almeida): o livro é bem grande, com muitos detalhes, então o que interessa são aspectos mais gerais. Usei apenas algumas poucas páginas, para suprir alguns pontos de política econômica no século XIX (tratado de 1827 com a Inglaterra, leis tarifárias pós-Alves Branco e tratado Blaine-Mendonça), mas pude ver que há muita coisa interessante para o estudo de História do Brasil de uma maneira geral também (para isso, atenção aos quadros das páginas: 54-56; 547-550; 579-591; 605-611; 627-628 – podem ser bons resumos não só para temáticas econômicas). Sugiro dar uma folheada, se você tiver tempo.
- Formação do Brasil Contemporâneo (Caio Prado Jr.), História Econômica do Brasil (Caio Prado Jr.) e Formação Econômica do Brasil (Celso Furtado): também estão na leitura recomendada para Economia e já caíram como leitura obrigatória de Português na segunda fase. São livros importantes sobre história econômica brasileira, e, mesmo que não leia os livros (só os li na universidade; para o concurso, li apenas resumos), pode ser interessante saber o argumento principal do autor e algumas características mais gerais. Acho que um resumo bom pode ser a solução, uma vez que colônia não é a temática principal nem da prova de História do Brasil, nem da de Economia.
- Raízes do Brasil (Sérgio Buarque de Holanda): também recomendado para a segunda fase, embora o cerne da atenção seja outro. É um livro curto e tranquilo de ler, mas nada que um resumo bom não possa ajudar com os principais argumentos. Acho que a relevância, em História do Brasil, talvez esteja mais em fornecer eventuais ilustrações e argumentos de autoridade para a terceira fase que na história presente no livro (com a ressalva de que, nos últimos anos, a possibilidade de usar qualquer coisa de História na terceira fase que não envolva política externa ter sido progressivamente reduzida). O prefácio da 26ª edição, de autoria de Antonio Candido, já serve como bom fundamento nesse sentido (“O Significado de ‘Raízes do Brasil’”, disponível para download no “REL UnB”).
- Casa-Grande & Senzala (Gilberto Freyre): acho que não vale a pena a leitura, principalmente por questões de tempo e de possíveis benefícios em termos de aproveitamento no concurso. Um resumo bom das principais ideias do livro pode ser suficiente (mesmo assim, acho que não vale muito a pena para a terceira fase, pode ser mais útil na segunda).
- Os Donos do Poder (Raymundo Faoro): também n~o li. H resumo no “REL UnB”.
- Introdução ao Brasil: um Banquete nos Trópicos – 2 volumes (Lourenço Dantas Mota): essa obra será, também, útil para seus estudos de Literatura. Não li para a primeira fase, e não me fez falta. Para a terceira, talvez possa ser importante, mas não li. Para a prova discursiva de História do Brasil, destacaria os capítulos:
· Volume 1: “Formaç~o do Brasil Contempor}neo”, “Formaç~o Econômica do Brasil”, “Os Donos do Poder”, “Conciliaç~o e Reforma no Brasil” e “A Revoluç~o Burguesa no Brasil”.
· Volume 2: “D. Jo~o VI no Brasil”, “A América Latina: Males de Origem”.
- A Construção da Ordem/Teatro das Sombras (José Murilo de Carvalho): juntamente com Os Donos de Poder, são importantes obras para o concurso, mas, como não tive tempo de ler, peguei resumos e acredito que foram suficientes. Acho que o principal desses autores é pegar alguns argumentos centrais que podem ser usados como argumento de autoridade na prova da terceira fase. Os resumos est~o no “REL UnB”.
- A Formação das Almas (José Murilo de Carvalho): a recomendação que recebi é que um resumo poderia substituí-lo, e foi isso o que fiz. Resumo no “REL UnB”.
- Maldita Guerra (Francisco Doratioto): além de o Doratioto ser membro da banca corretora da terceira fase (e professor do Curso de Formação do IRBr), é um livro sobre temáticas muito importantes. Como não tinha tempo, estudei os tópicos referentes a esse livro em outras obras mais sucintas. Li apenas o capítulo 1 (“Tempestade no Prata”) para a terceira fase, como recomendação do professor do cursinho, mas nem é muito bom. Muito melhor que esse capítulo é o artigo “O Império do Brasil e a Argentina (1822-1889)”, do próprio Doratioto [Revista do Programa de Pós- Graduação em História da UnB, Vol. 16, No 2 (2008)]. Aproveitando a temática das relações Brasil- Argentina, sugiro o artigo “Relações Brasil-Argentina: uma anlise dos avanços e recuos”, de Alessandro Warley Candeas [Revista Brasileira de Relações Internacionais 48 (I): 178-213 (2005)]. Esses dois artigos est~o disponíveis no “REL UnB”.
Podcast sobre a Guerra do Paraguai: http://www.radioponto.ufsc.bindex.php?option=com_content&view=article&id=903:tempestade
-no-prata&catid=6:radiojornalismo&Itemid=31
Os livros a seguir são recomendações que recebi e recolhi na Internet, embora eu não tenha feito uso de nenhum deles em minha preparação.
- A História do Brasil no Século 20 (Oscar Pilagallo/Folha de São Paulo) - cinco pequenos livros. Já vi recomendações de que é boa (e curta) fonte de revisão, especialmente para a primeira fase.
- A Idade de Ouro do Brasil (Charles Boxer): sobre Brasil colônia. Não sei se vale muito a pena, o que se tem cobrado do assunto é bem superficial, e um livro geral e básico pode resolver o problema.

- A Identidade Nacional do Brasil e a Política Externa Brasileira (Celso Lafer)

- Autonomia na Dependência (Gerson Moura)
- Cronologia das Relações Internacionais do Brasil (Eugênio Vargas Garcia)
- Da Monarquia à República (Emília Viotti da Costa)
- Dicionário de História do Brasil (Moacyr Flores)
- Diplomacia Brasileira (Lampreia)
- História do Brasil: uma interpretação (Carlos Guilherme Mota)
- História Geral do Brasil (org. Maria Yedda Linhares): ler apenas o capítulo sobre o Império.
- Os Sucessores do Barão (Mello Barreto)

- Relações Internacionais do Brasil: de Vargas a Lula (Vizentini)

- República Brasileira (Lincoln de Abreu Penna): apenas até o fim da Era Vargas.
- Rio Branco: o Brasil no mundo (Rubens Ricupero): pequeno livro sobre o Barão do Rio Branco. Não li, mas acho que pode ser interessante (é bem curto também). Esqueça a biografia do Álvaro Lins, sem utilidade prática para o concurso. Não li nada sobre o Barão que não estivesse no livro de Amado Cervo/Clodoaldo Bueno.
- Sessenta Anos de Política Externa Brasileira (1930-1990) (orgs.: José A. G. Albuquerque, Sérgio
H. N. de Castro e Ricardo A. A. Seitenfus)
- Trajetória Política do Brasil (Francisco Iglesias): segundo recomendações, é um resumo bom de todo o assunto de História do Brasil e pode servir como revisão antes da primeira fase.
- Uma História do Brasil (Thomas Skidmore)
HISTÓRIA MUNDIAL
- Apostilas “Anglo Vestibulares” – já descritas acima. As apostilas estão disponíveis para download no “REL UnB”. Para História Mundial, ler a partir de “Iluminismo”.
- História das Relações Internacionais Contemporâneas (José Flávio Sombra Saraiva): li na Universidade e para o concurso. O engraçado é que, quando o li na Universidade, tendo aula com o próprio Saraiva, não gostei do livro e não cheguei sequer a ler os últimos capítulos. Quando fui ler para o concurso, achei bom. Apesar de não ser completo, acredito ser boa introdução para quem está meio enferrujado no assunto ou, ainda, boa revisão de tópicos gerais para quem já estudou alguma coisa. Recomendo.
- O Mundo Contemporâneo (Demétrio Magnoli): é de Ensino Médio, mas é sensacional. Ótima introdução ao tema. Tanto para PI quanto para HM, é um dos melhores e mais importantes para o concurso. Leia a partir do capítulo 3. Sugiro que você, à medida que ler o livro, faça anotações de tópicos e de datas mais importantes (podem ser muito úteis para a revisão às vésperas da primeira fase). É mais voltado para o período após o início da guerra fria, mas há alguma coisa sobre o período anterior a esse também. De qualquer forma, isso significa que outras leituras em temas não contemplados aqui, como Revolução Francesa e Revolução Industrial, por exemplo, são fundamentais. Para cobrir essa parte da matéria, sugiro o volume 2 do História da Civilização Ocidental, do Burns (citado abaixo).
- História da Civilização Ocidental (Burns, volume 2): não li por falta de tempo, mas já ouvi comentários de que é melhor e mais didático que os livros do Hobsbawm (descritos abaixo). Como é um livro antigo, é necessário complementar com outras leituras. O Mundo Contemporâneo pode fazer isso muito bem. Se tiver tempo, é uma leitura bastante recomendada.
- Manual do Candidato: Política Internacional (Demétrio Magnoli): é bem geral e não passa nem perto de falar sobre todos os temas. Incluí o Manual do Candidato: Política Internacional aqui na lista de livros de História Mundial pela simples razão de o livro ser quase todo igual (ou, para não dizer “igual”, ao menos muito semelhante) ao O Mundo Contemporâneo. Há partes que são simplesmente idênticas (apesar de o autor mudar os nomes dos capítulos). A dica, portanto, é comparar os conteúdos, para ver o que é novidade e o que não é. Preferi O Mundo Contemporâneo (ler apenas do capítulo 3 em diante). O manual possui alguns erros (especialmente, de datas), mas nada que não possa ser facilmente detectado por um leitor atento (e que saiba um pouco de História, obviamente) ou que comprometa o livro como um todo. Se não tiver acesso ao O Mundo Contemporâneo, o manual não é de todo ruim.
Obs.: não confundir! Há outro manual mais novo, de autoria de Cristina Pecequilo, que está descrito abaixo, na parte de Política Internacional.
- Manual do Candidato: História Mundial (Vizentini): sabe aqueles livros que dão vontade de chorar e de abrir o Word, para fazer todas as doze milhões e quatrocentas mil correções de Português necessárias? Então, aqui está um prato cheio. Tenho amigos que começaram a ler e não conseguiram terminar. Não sei como eu resisti até o final, mas devo dizer que está longe de ser uma leitura prazerosa ou primordial. Passe adiante!
- História da Paz e História da Guerra (org. Demétrio Magnoli): os livros são, de maneira geral, bons e rendem boas anotações, embora não sejam imprescindíveis. O História da Guerra está disponível para download no “REL UnB”.
- As “Eras” de Hobsbawm: não li nada do Hobsbawm. Para falar a verdade, só para não dizer que não li nada, li dois trechos curtos de capítulos, sobre Revolução Mexicana e sobre a Revolução Russa de 1905. Foi o suficiente para decidir não ler mais nada. Mil desculpas aos amantes da História e do Hobsbawm, mas cheguei à conclusão de que não tinha tempo para gastar com capítulos longos e, muitas vezes, com informações desnecessárias (ou até mesmo sem as informações que, para o concurso, realmente importam, haja vista a parte de Revolução Mexicana, que não fala nada com nada). Aí alguém diz “mas havia um item em 2011 que era praticamente cópia do Hobsbawm”, e respondo: 1) acho pouco provvel que alguém consiga decorar detalhes como os que foram pedidos; 2) a questão foi tão mal feita que, apesar de ser quase a cópia do livro, copiou errado, e o gabarito ficou errado (ou seja, se a prova fosse de consulta, é provável que eu errasse a questão – pode ser que eu seja muito burro para entender o Hobsbawm também, mas não consegui entender de onde a banca tirou o gabarito louco a questão). Se você fizer muita questão de ler o Hobsbawm, mas muita questão mesmo, sugiro que leia apenas a Era dos Extremos. Se, ainda assim, você quiser ler e fichar todos os quatro livros, saiba que estará perdendo tempo. Todas as “Eras” est~o disponíveis para download no “REL UnB”. Reproduzo, a seguir, uma indicação de leituras que achei na internet, para aqueles que querem ler o Hobsbawm de qualquer maneira. Não sei se a seleção de capítulos é boa, se é muita leitura (provavelmente, sim) etc. De qualquer forma, aí vão os capítulos recomendados no blog “Estudos Diplomticos”:
- Era das Revoluções: cap. 1 a 3, 6, 7, 16;
- Era do Capital: cap. 1, 5, 6, 9, 12 a 16;
- Era dos Impérios: cap. 3 a 6, 9 a 13;
- Era dos extremos: cap. 1 a 8, 11 a 13 e toda a parte III.
- O Longo Século XX (Giovani Arrighi): Só li na universidade, não para o concurso. A recomendação é ler apenas os capítulos 1 e 4 (obviamente, ponderando, de acordo com o edital, o que é realmente importante nesses capítulos). Não acredito que seja indispensável.
- Ascensão e Queda das Grandes Potências (Kennedy): Só li na universidade, não para o concurso. A recomendação é ler apenas os capítulos 4 a 8. Não acredito que seja indispensável.
- Diplomacia (Kissinger): Só li algumas partes na universidade, não para o concurso. Um professor de História Contemporânea da UnB, ex-professor de cursinho preparatório para o IRBr, recomendou a um amigo a leitura dos capítulos 9, 10, 16, 19, 24 a 30. Não acredito que seja indispensável.
- “Wikipédia”: como tudo na vida, é necessário usar com consciência, mas pode ajudar bastante, especialmente para coisas pontuais. Ainda que, como todo mundo não se cansa de repetir, haja muitos erros (nisso ela não inovou: quantos milhares de erros também achamos nos livros da bibliografia?), acho que, desde que não seja sua única ou principal fonte de conhecimento, pode ajudar bastante em História Mundial.
Outras sugestões que recebi (mas não li nem as obras, nem comentários a respeito delas): História da América Latina (Donghi), História do Capitalismo de 1500 a Nossos Dias (Michel Beaud), Introdução à História Contemporânea (G. Barraclough), The Penguin History of the Twentieth Century: The History of the World, 1901 to the Present (J. M. Roberts), O Século XX (org. Daniel Aarão, 3 vol).
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2020.07.23 10:36 diplohora Bruno Rezende : meus estudos para o CACD Parte III – A PREPARAÇÃO INTRODUÇÃO pt 10 a 3ra fase do CACD

Em primeiro lugar, lembro uma coisa muito simples: terceira fase não é segunda fase. Você não precisa se preocupar com propriedade vocabular, vírgulas antes de orações subordinadas reduzidas de infinitivo e coisas do tipo. É óbvio que não vale escrever completamente errado também, mas o que eu quero dizer é que a banca da terceira fase nem sabe das exigências da segunda fase direito, então não precisa se preocupar tanto com aspectos formais da escrita. Obviamente, a necessidade de ter uma tese central e alguns argumentos que a comprovem de maneira coerente permanece, mas isso não é novidade para ninguém. A importância do aspecto formal da terceira fase não está nas palavras e nos termos de uma oração, mas na sequência lógica de argumentos.
Algo bastante importante nas provas de terceira fase é destacar um argumento central, uma tese que responda à questão e que lhe permita apresentar exemplos/construções teóricas e desenvolver argumentos que a comprovem. Nessa situaç~o, vale a velha “fórmula” de dissertaç~o: introdução (com a tese central), argumentação (com uma ideia central por parágrafo, com argumentos que comprovem sua tese central) e conclusão (com retomada da tese e com articulação dos argumentos apresentados). Não há um número ideal de parágrafos, vale o bom senso (evitar parágrafos com apenas uma frase ou excessivamente grandes, mas não é necessário que tenham quase o mesmo tamanho, por exemplo, como ocorre na segunda fase).
Evite juízos de valor muito expressivos. Obviamente, tudo o que você escreve contém um pouco de subjetividade, mas evite adjetivações excessivas e algumas construções, como “é importante ressaltar que…”, “vale lembrar que...” ou “fato que merece destaque é…”.
Evite listagens longas e/ou imprecisas. Por exemplo: se você não se lembra de todos os países que fazem parte de determinado grupo, ou se eles são muitos, evite citações de todos os países (na verdade, não sei por qual motivo alguém iria querer citar os membros de um grupo assim, mas vai que precisa de algumas linhas de “enrolaç~o”, não é?). Ex.: “A UNASUL é composta por Argentina, Bolívia, Brasil, Chile, Colômbia, Equador, Guiana, Paraguai, Peru, Suriname, Uruguai e Venezuela”.
Preferir: “A UNASUL é composta pelos doze países latino-americanos (à exceção da Guiana Francesa)” ou “A UNASUL é composta pelo agrupamento dos membros do MERCOSUL e da CAN, acrescidos do Chile, do Suriname e da Guiana”. Quanto a imprecisões, evitar, por exemplo: “A UNASUL é composta por Brasil, Argentina, Venezuela, entre outros”. Se você n~o se lembra de todos ou se o número de países é relativamente grande para citar todos, opte ou pelas alternativas anteriormente apresentadas ou, pelo menos, por algo como “Na UNASUL, destacam-se o Brasil – por sua dimensão territorial, por sua população e por seu peso político-econômico –, a Argentina – importante mercado emergente, com forte setor agrícola voltado à exportação e com indústria diversificada – e a Venezuela – detentora de recursos naturais estratégicos e grande exportadora de petróleo”.
Evite, também, citações e menções excessivas. Elas não devem constituir a base de sua resposta. Excesso de citação de eventos pode ser um problema. Obviamente, citar datas, conceitos e períodos é fundamental, mas o problema começa quando essas referências ocupam frases inteiras, sem argumentação e sem sequência lógica de relações. Veja os Guias de Estudos antigos, para ter uma noção do tipo de resposta preferido pela banca. O importante é não exagerar, para o texto não ficar carregado de informações que, ainda que úteis, não sustentam a tese que responde à questão de maneira consistente. Para conceitos menos conhecidos, convém citar a fonte (de todo modo, ainda que certos conceitos, como “Estado normal”, sejam consagrados na literatura sobre política externa brasileira, dizer que “o país entrou, assim, no período que Amado Cervo define como ‘Estado normal’” me parece boa estratégia – até porque o próprio Amado Cervo já foi da banca corretora vez ou outra; o José Flávio Sombra Saraiva é outro que tenho certeza de que irá adorar ver seu nome mencionado em uma resposta).
Algo bastante útil é evitar criar (e cair em) armadilhas. Se você sabe, por exemplo, que o Pacto Andino foi firmado em 1969, mas não tem certeza se a organização aí criada já se chamava Comunidade Andina de Nações, por exemplo, opte por uma formulação de resposta que evite comprometer-se quanto a isso. Uma sugest~o seria, por exemplo: “Firmado em 1969, o Pacto Andino consubstanciou importante passo para a criaç~o da Comunidade Andina de Nações (CAN)”. Desse modo, você evita incorrer no erro de atribuir ao Pacto a responsabilidade pela criação da CAN, sem deixar de destacar sua importância para que isso ocorresse posteriormente. Evite, também, conceitos “politicamente incorretos” ou em desuso, como “governo neoliberal” (preferir “governo associado aos princípios do Consenso de Washington”, por exemplo), “país subdesenvolvido” (preferir “país de menor desenvolvimento relativo”, por exemplo) etc.
Para boa parte dos argumentos a ser empregados na terceira fase, a leitura atenta e o fichamento das melhores respostas dos Guias de Estudos anteriores podem ajudar bastante. Eu tive um professor de cursinho, o Ricardo Macau, que gostava de dizer que o intuito de fichar os Guias de Estudos era, simplesmente, roubar argumentos. Ninguém precisa inventar novos argumentos, para tentar “chocar” a banca. Se a banca publica um Guia de Estudos anualmente, dizia ele, é para mostrar a todos os candidatos o que ela queria ler como resposta naquela questão e o que ela quer ler nas respostas dos concursos dos anos seguintes. Dessa maneira, não há nenhum constrangimento em fichar os principais argumentos das provas dos anos anteriores e em usá-los nas questões pertinentes da terceira fase. Alguns desses argumentos foram muito úteis para mim, especialmente nas provas de História do Brasil, de Política Internacional e de Direito.
Uma coisa que pouca gente fala é que os Guias de Estudos nem sempre são cópias fidedignas das respostas dos candidatos. A organização do concurso entra em contato com os autores das respostas selecionadas e solicita que os próprios autores digitem suas respostas. Os candidatos podem fazer eventuais alterações pontuais de algumas imprecisões, mas alguns poucos acabam exagerando. Para quem está se preparando para o concurso, não poderia haver nada pior, já que não podemos ter uma noção exata de qual tipo de resposta foi avaliado como suficiente pelos examinadores (por saber que era possível alterar, eu sempre ficava em dúvida: será que ele/ela ganhou essa nota escrevendo tudo isso mesmo?). J vi gente dizendo que “quem consegue fazer as melhores respostas deu sorte, porque fez mestrado ou doutorado no assunto, pelo menos”, e isso é completa mentira. O que ocorre é que essas pessoas souberam conjugar estudo eficiente e capacidade de desenvolvimento analítico diferenciada que sejam convertidos em uma argumentação clara e consistente. Para isso, não tem mestrado ou doutorado que adiante. Em algumas questões, você sente ser capaz de escrever o dobro ou ainda mais sobre aquele assunto (principalmente, nas questões de 60 linhas), mas o que mais conta, no fim das contas, é a forma, o modo como você organiza suas ideias, os argumentos de que você faz uso etc.
Na prova de História do Brasil, alguns temas são mais ou menos recorrentes. Definição das fronteiras nacionais, política externa do Império, política externa dos governos Quadros-Goulart (Política Externa Independente), política externa dos governos militares (especialmente, Geisel), relações do Brasil com a América do Sul (destaque para as relações Brasil-Argentina desde o século XIX), relações do Brasil com a África (do período da descolonização até a década de 1980). Obviamente, há inúmeros outros temas (bastante pontuais às vezes) que também são cobrados, mas eu acho que, se eu tivesse só uma semana, para estudar tudo de História do Brasil, eu escolheria esses temas. Ainda que eles não sejam cobrados diretamente, podem ser encaixados em muitas outras questões.
A prova de Inglês consiste de uma tradução do Inglês para o Português (valor: 20 pontos), de uma versão do Português para o Inglês (valor: 15 pontos), de um resumo de texto em Inglês (valor: 15 pontos) e de uma redação sobre tema geral (valor: 50 pontos). As notas de Inglês são, geralmente, bem mais baixas que as das demais provas, o que, considerando que boa parte dos candidatos que chega à terceira fase tem alguma experiência no domínio avançado da língua inglesa (acredito eu), é claro sinal de que a cobrança é bastante rigorosa, e apenas conhecimentos básicos da língua não são suficientes.
Quanto à tradução e à versão, não tenho muito a dizer. Há dedução de 1,00 ou de 0,50 pontos (dependendo do tipo de erro) do valor total do exercício para cada erro de tradução13. O vocabulário cobrado nem sempre é muito simples (um ou outro termo pode ser mais complicado), mas, em geral, não há muitos problemas. Normalmente, as notas da tradução são bem maiores que as notas da versão. Um pequeno “problema” nas traduções e nas versões é o seguinte: o examinador escolhe, tanto nas traduções para o Português quanto nas versões para o Inglês, algumas expressões que ele quer, obrigatoriamente, que o candidato use determinados termos que correspondam àquela palavra ou expressão na outra língua. Assim, por exemplo, se há o termo “vidente”, para ser traduzido para o Inglês, e se o examinador escolheu essa palavra, para testar os candidatos, você ser penalizado, se tentar dizer isso com uma express~o como “a person who foresees” ou coisa do tipo. Se o examinador, entretanto, não houver escolhido essa palavra como teste, você poderá não perder nenhum ponto por isso. O maior problema é que, obviamente, você não sabe quais são as expressões que serão escolhidas enquanto faz a prova. Pode ser que uma expressão para a qual você não conhece a tradução exata não seja uma das escolhidas pelo examinador, e dizer a mesma coisa de outra maneira (com uma frase ou com uma expressão mais longa que exprima o mesmo sentido) pode não implicar penalização. Enfim, não há como saber isso antecipadamente, então a melhor alternativa é, sempre, a tradução o mais fidedigna possível. De toda forma, se não souber, aí não tem jeito, invente alguma coisa, pode ser que seja aceita. Só nunca, nunca, deixe um espaço em branco, pois isso atrai os olhos do examinador, e ele saberá que já tem algo faltando ali. Mesmo que você não tenha nenhuma ideia do que alguma coisa signifique ou de como traduzir, invente palavras, crie sinônimos que não existem, faça qualquer malabarismo linguístico que estiver a seu alcance, só não deixe espaços em branco. Como os examinadores corrigem mais de duzentas provas (números de 2010 e de 2011), pode ser que alguns erros acabem passando despercebidos.
13 Segundo o Guia de Estudos: menos 1,00 pontos por falta de correspondência ao(s) texto(s)-fonte, erros gramaticais, escolhas errôneas de palavras e estilo inadequado; menos 0,50 pontos por erros de pontuação ou de ortografia. Apesar dessa previsão no Guia de Estudos, a banca também tem considerado, nos últimos concursos, que também se subtraem 0,50 pontos por erro de preposição, ao invés de 1,00 pontos.
O resumo do texto em Inglês costuma surpreender alguns candidatos com baixas notas. A atribuição de pontos é feita de acordo com uma avaliação subjetiva que considera várias coisas: quantidade de erros, abrangência de todos os pontos selecionados pelo examinador como os mais importantes do texto etc. Não é necessário incluir exemplos no resumo, que deve, com suas palavras, abranger todos os principais temas discutidos no texto, seus argumentos e sua linha de raciocínio (os temas e os argumentos podem ser apresentados na ordem que você considerar mais interessante, não é necessário seguir a ordem do texto). No resumo, não se emite opinião sobre o texto, e n~o é necessrio dizer “o autor defende”, “segundo o autor” (em Inglês, obviamente). Como se trata do resumo de um texto, é evidente que tudo o que está ali resume as opiniões do autor. Não é necessário fazer uma introdução e uma conclusão, você perderá muito espaço, e não é esse o objetivo do resumo. Seja simples e direto, acho que é a melhor dica.
O comando indica um máximo de 200 palavras, mas eles não contam. Já vi professores dizendo para que os alunos fizessem, obrigatoriamente, entre 198 e 200 palavras, mas, se você buscar os Guias de Estudos anteriores, verá que há resumos que fogem a esse padrão (para baixo ou para cima) e que foram escolhidos como o melhor resumo daquele ano. É claro que você não vai escrever 220 palavras, mas acho que umas 205, mais ou menos, estão de bom tamanho (escrevi um pouco mais de 200, acho que 203, não sei). A professora do cursinho de terceira fase dizia que podíamos fazer até cerca de 210 (desde que a letra não fosse enorme, para não despertar a curiosidade do examinador) que não teria problema. É claro que o foco deve estar nos 200, esse valor superior é apenas para o caso de lhe faltarem algumas palavras, para encerrar o raciocínio.
Em 2011, os 15,00 pontos do resumo foram divididos em duas partes: 12,00 pontos para a síntese dos principais aspectos do texto e 3,00 pontos para linguagem e gramática. O examinador determinou que havia seis tópicos principais do texto que deveriam ser incluídos no resumo e atribuiu até dois pontos para a discussão de cada um desses tópicos. Obviamente, não há como saber quantos serão esses tópicos. O melhor a fazer é tentar tratar de todos os aspectos mais importantes do texto com o mínimo possível de palavras. Se sobrarem 10 ou 15 palavras, não desperdice, faça uma frase a mais, quem sabe isso pode lhe render alguns preciosos décimos a mais.
A redação em Inglês é de 45 a 60 linhas, com valor de 50 pontos. Esses 50 pontos são distribuídos em: planejamento e desenvolvimento (20 pontos), qualidade vocabular (10 pontos) e gramática (20 pontos), com penalização de 1,00 ou de 0,50 pontos por erro, de acordo com o tipo de erro14 (descontados da parte de gramática). Nota zero em gramática implica nota zero na redação (logo, cuidado para não zerar). Há penalização de 1,00 pontos para cada linha que faltar para o mínimo estabelecido.
Normalmente, a redação trata de temas internacionais de fácil articulação. Não há recomendações de número de parágrafos, de número de linhas por parágrafo ou coisa do tipo. As principais coisas a observar são: ter uma tese central, usar argumentos que a sustentem, e, sobretudo, fornecer exemplos. Ao ver espelhos de correção de concursos anteriores no cursinho, fica evidente que muitas notas de planejamento e desenvolvimento são mais baixas devido à ausência ou à insuficiência de exemplos, como indicam os comentários dos examinadores em provas anteriores (a prova de Inglês é a única da terceira fase que vem com comentários e com marcações). Eu diria, portanto, que é necessário prestar atenção na argumentação coerente que comprove a tese, é claro, e no fornecimento de vários exemplos que sustentem a argumentação apresentada. É claro que só listar dezenas de exemplos pode não adiantar nada, mas, se você souber usá-los de maneira coerente, como complemento à argumentação, acho que poderá ser bem recompensado por isso. Ao contrário do que já vi dizerem por aí, não há penalizaç~o por “ideologia” discrepante daquela da banca. Aproveitando a temática da prova de 2001, não interessa se você é contra ou a favor da globalização, o importante é elencar argumentos fortes e sustentá-los com exemplos pertinentes.
14 Segundo o Guia de Estudos, menos 1,00 pontos por erro (exceto para erros de pontuação ou de ortografia, para os quais há subtração de 0,50 pontos). Apesar dessa previsão no Guia de Estudos, a banca também tem considerado, nos últimos concursos, que também se subtrai 0,50 pontos por erro de preposição, ao invés de 1,00 pontos.
Por fim, a parte de qualidade vocabular não se refere só ao uso de construções avançadas de Inglês (inversões, expressões idiomáticas etc.). De nada adianta usar dezenas de construções avançadas, se você tiver muitos erros de gramática. Os 10 pontos de qualidade vocabular levam em consideração tanto o número de construções avançadas que você usou quanto o número de erros de gramática que você teve. Ainda que você use poucas construções avançadas, se não errar nada de gramática (ou se errar muito pouco), sua nota nesse quesito deverá ser bem alta. Dessa forma, acho que o melhor a fazer é preocupar-se, primeiramente, com gramática. Uma pequena lista de expressões idiomáticas passíveis de se empregar, combinada com o uso de construções mais avançadas (como inversões, por exemplo), já pode significar boa nota de qualidade vocabular, se você não perder muitos pontos de gramática. Não vou dizer quais usei, senão todo mundo vai usar as mesmas e ninguém vai ganhar pontos. Usem a criatividade: vejam expressões diferentes, palavras conotativas apropriadas, verbos e palavras mais “elaborados” etc.
Em resumo, acho que o principal da redação é: errar pouco em gramática e fornecer exemplos. Com isso e com bons argumentos, sem fugir ao tema, eu diria que há boas chances de uma nota razoável.
A prova de Geografia é, a meu ver, uma das mais chatas e imprevisíveis. Cada ano, a prova é de um jeito, ora cobra Geografia física, ora cobra teoria da Geografia etc. No geral, acho que a banca não tem muita noção de que está avaliando conhecimentos importantes para o exercício da profissão de diplomata, não de geógrafo. Assim, frequentemente, aparecem algumas questões bem loucas. O bom das questões mais chatas de Geografia é que a banca costuma ser mais generosa na correção. Há alguns anos, uma questão sobre minérios na África, por exemplo, aterrorizou muitos candidatos, mas, na hora da correção, segundo um professor de cursinho, as notas não foram tão baixas. Por isso, não se preocupe tanto com essas questões mais espinhosas que, eventualmente, aparecem na terceira fase de Geografia.
Em 2011, uma das questões (sobre navegação de cabotagem no Brasil, na década 2001-2010) havia sido tema de uma reportagem do programa Globomar duas semanas antes da prova. Para falar a verdade, eu não sabia nem o que era Globomar, se era uma reportagem do Fantástico, um quadro do Faustão ou a nova novela das sete, mas, como um raio pode cair duas vezes no mesmo lugar, não custa nada informar para que você fique atento a algumas dessas questões mais recentes. Não precisa gravar e tomar notas de todo Globomar daqui para frente. Dar uma olhada nos temas desse tipo de programa, de vez em quando, já deve ser mais que suficiente. Vale dizer que o mais importante é, sempre, Geografia do Brasil. Não precisa assistir o National Geographic sobre monções no Sri Lanka, porque não vai cair. De todo modo, assuntos relativos à costa e ao litoral brasileiros são reincidentes no concurso.
Muitos falam sobre a necessidade de usar o “miltonsantês”, como s~o conhecidos os conceitos de Milton Santos, nas respostas de terceira fase. É algo meio batido, mas acho que todo mundo que faz, pelo menos, o cursinho preparatório para a terceira fase deverá ouvir alguma coisa a respeito, então não se preocupe com isso. Se der para usar alguns conceitos em determinadas questões, use sem exageros. Esses termos podem render bons olhos com a banca, mas ninguém tira total só porque escreveu dez conceitos miltonianos na resposta.
Algumas argumentações s~o “coringas” em Política Internacional. Alguns conceitos, como “multilateralismo normativo”, “postura proativa e participativa”, “articulaç~o de consensos”, “reforma da ordem”, “juridicismo”, “pacifismo”, “pragmatismo”, “autonomia pela participaç~o” etc., poderão ser encaixados em quase todas as respostas de terceira fase. Relações Sul-Sul, América do Sul, BRICS, IBAS, África também são temas que poderão ser empregados em diversos contextos (temáticas recorrentes nos últimos concursos). Desse modo, saiba usar esse conhecimento a seu favor. Se há uma questão que pede comentário sobre algum aspecto da política externa brasileira contemporânea, citar esses conceitos já pode ser bom começo.
Não custa nada lembrar que você está fazendo uma prova para o Ministério em que você pretende trabalhar pelo resto da vida. Criticar a atuação recente do MRE não é sinal de maturidade crítica ou coisa do tipo, pode ter certeza de que n~o ser bem visto pela banca corretora. N~o precisa “puxar o saco” do governo atual descaradamente, mas considero uma estratégia, no mínimo, inteligente procurar ressaltar que, apesar de eventuais desafios à inserção internacional do Brasil, o país vem conseguindo alçar importantes conquistas no contexto internacional contemporâneo, como reflexo de sua inserção internacional madura, proativa e propositiva. Na prova de 2011, a prova da importância de saber a posição oficial do MRE com relação a temáticas da política internacional contemporânea ficou evidente em uma questão que pedia que se discutisse a situação na Líbia, apresentando a posição oficial do governo brasileiro e os motivos para a abstenção do Brasil na votação da resolução 1.973 do Conselho de Segurança da ONU. Saber a posição oficial do governo sobre os principais temas da agenda internacional contemporânea é fundamental na terceira fase. Na primeira fase também: em 2011, um item dizia que o MRE usava a participação na MINUSTAH como “moeda de troca” para o assento permanente no Conselho de Segurança da ONU. Por mais que a mídia sensacionalista diga isso e por mais que você, porventura, acredite nisso, não é essa a posição oficial do Ministério, então isso não está correto e ponto. Seja pragmático e tenha, sempre, em mente que você está fazendo uma prova para o governo. Em dúvida, pense: o que o governo brasileiro defende nessa situação? Essa posição vale tanto para a primeira fase quanto para a terceira.
Com relação à prova de Direito, é uma avaliação, a meu ver, bastante tranquila e uma das mais bem formuladas. Não há grandes segredos, e a leitura (acompanhada do fichamento) dos Guias de Estudos antigos é fundamental. Muitos estilos de questões repetem de um ano para o outro, e alguns argumentos gerais sobre o fundamento de juridicidade do Direito Internacional Público, por exemplo, são úteis quase sempre. Ultimamente, a probabilidade de questões sobre Direito interno propriamente dito tem sido reduzida a temáticas que envolvam o Direito Internacional (como a questão sobre a competência para efetuar a denúncia a tratados, cobrada em 2010). Em Direito Internacional Privado, o que já foi cobrado do assunto, em concursos recentes, esteve relacionado à homologação de sentença estrangeira, assunto bastante básico e tranquilo de estudar. Em Direito Internacional Público (DIP), atenção especial à solução de controvérsias (meios pacíficos, meios coercitivos, meios jurídicos e meios bélicos), ao sistema ONU e ao sistema de solução de controvérsias da Organização Mundial do Comércio, além do supracitado fundamento de juridicidade do DIP (“afinal, por que o DIP é Direito?”). Uma dica que vale tanto para as questões de Direito quanto para as de Economia é tomar cuidado com o número de linhas. Como há questões de 60 e de 40 linhas, corre-se o risco de perder muito espaço com argumentos e ilustrações não necessários à questão. Nas provas dessas duas matérias, não acho que seja tão necessário preocupar-se tanto com a introdução e com a conclusão nas questões de 40 linhas (nas de 60, se houver, devem ser bem curtas), pois não há espaço suficiente para isso. Em minhas provas de terceira fase, apenas respondi a essas questões de 40 linhas diretamente.
A prova de Economia mudou muito, se você comparar as provas de 2008-2009 às de 2010-2011, por exemplo. Anteriormente, havia questões enormes de cálculos, equações de Microeconomia etc. Em 2010, a única questão que envolvia cálculo era ridiculamente fácil. Em 2011, para melhorar a situação daqueles que não gostam dos números, não havia um único cálculo nas questões, todas elas analíticas. Além disso, as cobranças anteriores de Economia Brasileira focavam, especialmente, no período da República Velha (isso se repetiu em 2010). Em 2011, até mesmo o balanço de pagamentos atual do Brasil e a economia dos BRIC na atualidade foram objetos de questões. Talvez seja uma tendência da prova de Economia dos próximos anos, de priorizar o raciocínio econômico, em detrimento dos cálculos matemáticos que aterrorizavam muitos no passado. Ainda que eu não tenha problemas com cálculo (e goste bastante, inclusive), devo admitir que me parece muito mais coerente cobrar economia dos países do BRIC do que insistir nos cálculos de preço de equilíbrio, quantidade de equilíbrio, peso-morto etc., se considerarmos que se trata de uma prova que visa a selecionar futuros diplomatas (aí está uma lição que a banca de Geografia precisava aprender).
Ainda que, à primeira vista, esse novo tipo de prova possa parecer mais fácil, pode não ser tão tranquilo quanto parece. Por mais contemporâneas que as questões sejam, acho que os candidatos correm o sério risco de confundir a prova de Economia com uma prova de Política Internacional (por envolver BRIC, por exemplo). Lembre-se, sempre, de que quem corrige as provas de Economia são economistas. Como economistas, eles valorizam o raciocínio econômico, com o uso de conceitos econômicos, e é isso o que deve ficar claro, em minha opinião, em questões como essa. Tenho maior facilidade com esse raciocínio econômico e com os conceitos da disciplina, por haver participado da monitoria de Introdução à Economia da UnB por quatro semestres. A quem não teve essa experiência, para acostumar-se a esse “economês”, nada melhor que bons noticirios de Economia:
- Brasil Econômico: http://www.brasileconomico.com.b
- Financial Times: http://www.ft.com/home/us
- IPEA: http://agencia.ipea.gov.b
- O Globo Economia: http://oglobo.globo.com/economia/
- The Economist: http://www.economist.com/
- Valor Econômico: http://www.valoronline.com.b, entre vários outros.
Obviamente, não precisa ficar lendo todas as notícias postadas em todos esses sites, todos os dias. Já tentei o esquema de ler uma notícia por dia de uns cinco sites de notícias e cansei facilmente. Não acho que seja possível dizer um número ideal de notícias econômicas lidas por semana, mas sei lá, umas duas ou três já são melhor que nada.
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2020.07.23 10:09 diplohora Mes estudos para o CACD - Bruno Pereira Rezende

Livro do diplomata Bruno Pereira Rezende
INTRODUÇÃO
📷📷Desde quando comecei os estudos para o Concurso de Admissão à Carreira de Diplomata (CACD), li dezenas de recomendações de leituras, de guias de estudos extraoficiais, de dicas sobre o concurso, sobre cursinhos preparatórios etc. Sem dúvida, ter acesso a tantas informações úteis, vindas de diversas fontes, foi fundamental para que eu pudesse fazer algumas escolhas certas em minha preparação, depois de algumas vacilações iniciais. Mesmo assim, além de a maioria das informações ter sido conseguida de maneira dispersa, muitos foram os erros que acho que eu poderia haver evitado. Por isso, achei que poderia ser útil reunir essas informações que coletei, adicionando um pouco de minha experiência com os estudos preparatórios para o CACD neste documento.
Além disso, muitas pessoas, entre conhecidos e desconhecidos, já vieram me pedir sugestões de leituras, de métodos de estudo, de cursinhos preparatórios etc., e percebi que, ainda que sempre houvesse alguma diferenciação entre as respostas, eu acabava repetindo muitas coisas. É justamente isso o que me motivou a escrever este documento – que, por não ser (nem pretender ser) um guia, um manual ou qualquer coisa do tipo, não sei bem como chamá-lo, então fica como “documento” mesmo, um relato de minhas experiências de estudos para o CACD. Espero que possa ajudar os interessados a encontrar, ao menos, uma luz inicial para que não fiquem tão perdidos nos estudos e na preparação para o concurso.
Não custa lembrar que este documento representa, obviamente, apenas a opinião pessoal do autor, sem qualquer vínculo com o Ministério das Relações Exteriores, com o Instituto Rio Branco ou com o governo brasileiro. Como já disse, também não pretendo que seja uma espécie de guia infalível para passar no concurso. Além disso, o concurso tem sofrido modificações frequentes nos últimos anos, então pode ser que algumas coisas do que você lerá a seguir fiquem ultrapassadas daqui a um ou dois concursos. De todo modo, algumas coisas são básicas e podem ser aplicadas a qualquer situação de prova que vier a aparecer no CACD, e é necessário ter o discernimento necessário para aplicar algumas coisas do que falarei aqui a determinados contextos. Caso você tenha dúvidas, sugestões ou críticas, fique à vontade e envie-as para [[email protected] ](mailto:[email protected])(se, por acaso, você tiver outro email meu, prefiro que envie para este, pois, assim, recebo tudo mais organizado em meu Gmail). Se tiver comentários ou correções acerca deste material, peço, por favor, que também envie para esse email, para que eu possa incluir tais sugestões em futura revisão do documento.
Além desta breve introdução e de uma também brevíssima conclusão, este documento tem quatro partes. Na primeira, trato, rapidamente, da carreira de Diplomata: o que faz, quanto ganha, como vai para o exterior etc. É mais uma descrição bem ampla e rápida, apenas para situar quem, porventura, estiver um pouco mais perdido. Se não estiver interessado, pode pular para as partes seguintes, se qualquer prejuízo para seu bom entendimento. Na segunda parte, trato do concurso: como funciona, quais são os pré-requisitos para ser diplomata, quais são as fases do concurso etc. Mais uma vez, se não interessar, pule direto para a parte seguinte. Na parte três, falo sobre a preparação para o concurso (antes e durante), com indicações de cursinhos, de professores particulares etc. Por fim, na quarta parte, enumero algumas sugestões de leituras (tanto próprias quanto coletadas de diversas fontes), com as devidas considerações pessoais sobre cada uma. Antes de tudo, antecipo que não pretendo exaurir toda a bibliografia necessária para a aprovação, afinal, a cada ano, o concurso cobra alguns temas específicos. O que fiz foi uma lista de obras que auxiliaram em minha preparação (e, além disso, também enumerei muitas sugestões que recebi, mas não tive tempo ou vontade de ler – o que também significa que, por mais interessante que seja, você não terá tempo de ler tudo o que lhe recomendam por aí, o que torna necessário é necessário fazer algumas escolhas; minha intenção é auxiliá-lo nesse sentido, na medida do possível).
Este documento é de uso público e livre, com reprodução parcial ou integral autorizada, desde que citada a fonte. Sem mais, passemos ao que interessa.
Parte I – A Carreira de Diplomata
INTRODUÇÃO
Em primeiro lugar, rápida apresentação sobre mim. Meu nome é Bruno Rezende, tenho 22 anos e fui aprovado no Concurso de Admissão à Carreira de Diplomata (CACD) de 2011. Sou graduado em Relações Internacionais pela Universidade de Brasília (turma LXII, 2007-20110), e não tinha certeza de que queria diplomacia até o meio da universidade. Não sei dizer o que me fez escolher a diplomacia, não era um sonho de infância ou coisa do tipo, e não tenho familiares na carreira. Acho que me interessei por um conjunto de aspectos da carreira. Comecei a preparar-me para o CACD em meados de 2010, assunto tratado na Parte III, sobre a preparação para o concurso.
Para maiores informações sobre o Ministério das Relações Exteriores (MRE), sobre o Instituto Rio Branco (IRBr), sobre a vida de diplomata etc., você pode acessar os endereços:
- Página do MRE: http://www.itamaraty.gov.b
- Página do IRBr: http://www.institutoriobranco.mre.gov.bpt-b
- Canal do MRE no YouTube: http://www.youtube.com/mrebrasil/
- Blog “Jovens Diplomatas”: http://jovensdiplomatas.wordpress.com/
- Comunidade “Coisas da Diplomacia” no Orkut (como o Orkut está ultrapassado, procurei reunir todas as informações úteis sobre o concurso que encontrei por lá neste documento, para que vocês não tenham de entrar lá, para procurar essas informações):
http://www.orkut.com.bMain#Community?cmm=40073
- Comunidade “Instituto Rio Branco” no Facebook: http://www.facebook.com/groups/institutoriobranco/
Com certeza, há vários outros blogs (tanto sobre a carreira quanto sobre a vida de diplomata), mas não conheço muitos. Se tiver sugestões, favor enviá-las para [[email protected].](mailto:[email protected])
Além disso, na obra O Instituto Rio Branco e a Diplomacia Brasileira: um estudo de carreira e socialização (Ed. FGV, 2007), a autora Cristina Patriota de Moura relata aspectos importantes da vida diplomática daqueles que ingressam na carreira. Há muitas informações desatualizadas (principalmente com relação ao concurso), mas há algumas coisas interessantes sobre a carreira, e o livro é bem curto.
A DIPLOMACIA E O TRABALHO DO DIPLOMATA
Com a intensificação das relações internacionais contemporâneas e com as mudanças em curso no contexto internacional, a demanda de aprimoramento da cooperação entre povos e países tem conferido destaque à atuação da diplomacia. Como o senso comum pode indicar corretamente, o
diplomata é o funcionário público que lida com o auxílio à Presidência da República na formulação da política externa brasileira, com a condução das relações da República Federativa do Brasil com os demais países, com a representação brasileira nos fóruns e nas organizações internacionais de que o país faz parte e com o apoio aos cidadãos brasileiros residentes ou em trânsito no exterior. Isso todo mundo que quer fazer o concurso já sabe (assim espero).
Acho que existem certos mitos acerca da profissão de diplomata. Muitos acham que não irão mais pagar multa de trânsito, que não poderão ser presos, que nunca mais pegarão fila em aeroporto etc. Em primeiro lugar, não custa lembrar que as imunidades a que se referem as Convenções de Viena sobre Relações Diplomáticas e sobre Relações Consulares só se aplicam aos diplomatas no exterior (e nos países em que estão acreditados). No Brasil, os diplomatas são cidadãos como quaisquer outros. Além disso, imunidade não é sinônimo de impunidade, então não ache que as imunidades são as maiores vantagens da vida de um diplomata. O propósito das imunidades é apenas o de tornar possível o trabalho do diplomata no exterior, sem empecilhos mínimos que poderiam obstar o bom exercício da profissão. Isso não impede que diplomatas sejam revistados em aeroportos, precisem de vistos, possam ser julgados, no Brasil, por crimes cometidos no exterior etc.
Muitos também pensam que irão rodar o mundo em primeira classe, hospedar-se em palácios suntuosos, passear de iate de luxo no Mediterrâneo e comer caviar na cerimônia de casamento do príncipe do Reino Unido. Outros ainda acham que ficarão ricos, investirão todo o dinheiro que ganharem na Bovespa e, com três anos de carreira, já estarão próximos do segundo milhão. Se você quer ter tudo isso, você está no concurso errado, você precisa de um concurso não para diplomata, mas para marajá. Obviamente, não tenho experiência suficiente na carreira para dizer qualquer coisa, digo apenas o que já li e ouvi de diversos comentários por aí. É fato que há carreiras públicas com salários mais altos. Logo, se você tiver o sonho de ficar rico com o salário de servidor público, elas podem vir a ser mais úteis nesse sentido. Há não muito tempo, em 2006, a remuneração inicial do Terceiro-Secretário (cargo inicial da carreira de diplomata), no Brasil, era de R$ 4.615,53. Considerando que o custo de vida em Brasília é bastante alto, não dava para viver de maneira tão abastada, como alguns parecem pretender. É necessário, entretanto, notar que houve uma evolução significativa no aspecto salarial, nos últimos cinco anos (veja a seç~o seguinte, “Carreira e Salrios). De todo modo, já vi vários diplomatas com muitos anos de carreira dizerem: “se quiser ficar rico, procure outra profissão”. O salário atual ajuda, mas não deve ser sua única motivação.
H um texto ótimo disponível na internet: “O que é ser diplomata”, de César Bonamigo, que reproduzo a seguir.
O Curso Rio Branco, que frequentei em sua primeira edição, em 1998, pediu-me para escrever sobre o que é ser diplomata. Tarefa difícil, pois a mesma pergunta feita a diferentes diplomatas resultaria, seguramente, em respostas diferentes, umas mais glamourosas, outras menos, umas ressaltando as vantagens, outras as desvantagens, e não seria diferente se a pergunta tratasse de outra carreira qualquer. Em vez de falar de minhas impressões pessoais, portanto, tentarei, na medida do possível, reunir observações tidas como “senso comum” entre diplomatas da minha geraç~o.
Considero muito importante que o candidato ao Instituto Rio Branco se informe sobre a realidade da carreira diplomática, suas vantagens e desvantagens, e que dose suas expectativas de acordo. Uma expectativa bem dosada não gera desencanto nem frustração. A carreira oferece um pacote de coisas boas (como a oportunidade de conhecer o mundo, de atuar na área política e econômica, de conhecer gente interessante etc.) e outras não tão boas (uma certa dose de burocracia, de hierarquia e dificuldades no equacionamento da vida familiar). Cabe ao candidato inferir se esse pacote poderá ou não fazê-lo feliz.
O PAPEL DO DIPLOMATA
Para se compreender o papel do diplomata, vale recordar, inicialmente, que as grandes diretrizes da política externa são dadas pelo Presidente da República, eleito diretamente pelo voto popular, e pelo Ministro das Relações Exteriores, por ele designado. Os diplomatas são agentes políticos do Governo, encarregados da implementação dessa política externa. São também servidores públicos, cuja função, como diz o nome, é servir, tendo em conta sua especialização nos temas e funções diplomáticos.
Como se sabe, é função da diplomacia representar o Brasil perante a comunidade internacional. Por um lado, nenhum diplomata foi eleito pelo povo para falar em nome do Brasil. É importante ter em mente, portanto, que a legitimidade de sua ação deriva da legitimidade do Presidente da República, cujas orientações ele deve seguir. Por outro lado, os governos se passam e o corpo diplomático permanece, constituindo elemento importante de continuidade da política externa brasileira. É tarefa essencial do diplomata buscar identificar o “interesse nacional”. Em negociações internacionais, a diplomacia frequentemente precisa arbitrar entre interesses de diferentes setores da sociedade, não raro divergentes, e ponderar entre objetivos econômicos, políticos e estratégicos, com vistas a identificar os interesses maiores do Estado brasileiro.
Se, no plano externo, o Ministério das Relações Exteriores é a face do Brasil perante a comunidade de Estados e Organizações Internacionais, no plano interno, ele se relaciona com a Presidência da República, os demais Ministérios e órgãos da administração federal, o Congresso, o Poder Judiciário, os Estados e Municípios da Federação e, naturalmente, com a sociedade civil, por meio de Organizações Não Governamentais (ONGs), da Academia e de associações patronais e trabalhistas, sempre tendo em vista a identificação do interesse nacional.
O TRABALHO DO DIPLOMATA
Tradicionalmente, as funções da diplomacia são representar (o Estado brasileiro perante a comunidade internacional), negociar (defender os interesses brasileiros junto a essa comunidade) e informar (a Secretaria de Estado, em Brasília, sobre os temas de interesse brasileiro no mundo). São também funções da diplomacia brasileira a defesa dos interesses dos cidadãos brasileiros no exterior, o que é feito por meio da rede consular, e a promoção de interesses do País no exterior, tais como interesses econômico-comerciais, culturais, científicos e tecnológicos, entre outros.
No exercício dessas diferentes funções, o trabalho do diplomata poderá ser, igualmente, muito variado. Para começar, cerca de metade dos mil1 diplomatas que integram o Serviço Exterior atua no Brasil, e a outra metade nos Postos no exterior (Embaixadas, Missões, Consulados e Vice-Consulados). Em Brasília, o diplomata desempenha funções nas áreas política, econômica e administrativa, podendo cuidar de temas tão diversos quanto comércio internacional, integração regional (Mercosul), política bilateral (relacionamento do Brasil com outros países e blocos), direitos humanos, meio ambiente ou administração física e financeira do Ministério. Poderá atuar, ainda, no Cerimonial (organização dos encontros entre autoridades brasileiras e estrangeiras, no Brasil e no exterior) ou no relacionamento do Ministério com a sociedade (imprensa, Congresso, Estados e municípios, Academia, etc.).
No exterior, também, o trabalho dependerá do Posto em questão. As Embaixadas são representações do Estado brasileiro junto aos outros Estados, situadas sempre nas capitais, e desempenham as funções tradicionais da diplomacia (representar, negociar, informar), além de promoverem o Brasil junto a esses Estados. Os Consulados, Vice-Consulados e setores consulares de Embaixadas podem situar-se na capital do país ou em outra cidade onde haja uma comunidade brasileira expressiva. O trabalho nesses Postos é orientado à defesa dos interesses dos cidadãos brasileiros no exterior. Nos Postos multilaterais (ONU, OMC, FAO, UNESCO, UNICEF, OEA etc.), que podem ter natureza política, econômica ou estratégica, o trabalho envolve, normalmente, a representação e a negociação dos interesses nacionais.
O INGRESSO NA CARREIRA
A carreira diplomática se inicia, necessariamente, com a aprovação no concurso do Instituto Rio Branco (Informações sobre o concurso podem ser obtidas no site http://www2.mre.gov.birbindex.htm). Para isso, só conta a competência – e, talvez, a sorte – do candidato. Indicações políticas não ajudam.
AS REMOÇÕES
Após os dois anos de formação no IRBr , o diplomata trabalhará em Brasília por pelo menos um ano. Depois, iniciam-se ciclos de mudança para o exterior e retornos a Brasília. Normalmente, o diplomata vai para o exterior, onde fica três anos em um Posto, mais três anos em outro Posto, e retorna a Brasília, onde fica alguns anos, até o início de novo ciclo. Mas há espaço para flexibilidades. O diplomata poderá sair para fazer um Posto apenas, ou fazer três Postos seguidos antes de retornar a Brasília. Isso dependerá da conveniência pessoal de cada um. Ao final da carreira, o diplomata terá passado vários anos no exterior e vários no Brasil, e essa proporção dependerá essencialmente das escolhas feitas pelo próprio diplomata. Para evitar que alguns diplomatas fiquem sempre nos “melhores Postos” – um critério, aliás, muito relativo – e outros em Postos menos privilegiados, os Postos no exterior estão divididos em [quatro] categorias, [A, B, C e D], obedecendo a critérios não apenas de qualidade de vida, mas também geográficos, e é seguido um sistema de rodízio: após fazer um Posto C, por exemplo, o diplomata terá direito a fazer um Posto A [ou B], e após fazer um Posto A, terá que fazer um Posto [B, C ou D].
AS PROMOÇÕES
Ao tomar posse no Serviço Exterior, o candidato aprovado no concurso torna-se Terceiro-Secretário. É o primeiro degrau de uma escalada de promoções que inclui, ainda, Segundo-Secretário, Primeiro-
-Secretário, Conselheiro, Ministro de Segunda Classe (costuma-se dizer apenas “Ministro”) e Ministro de Primeira Classe (costuma-se dizer apenas “Embaixador”), nessa ordem. Exceto pela primeira promoção, de Terceiro para Segundo-Secretário, que se dá por tempo (quinze Terceiros Secretários são promovidos a cada semestre), todas as demais dependem do mérito, bem como da articulação política do diplomata. Nem todo diplomata chega a Embaixador. Cada vez mais, a competição na carreira é intensa e muitos ficam no meio do caminho. Mas, não se preocupem e também não se iludam: a felicidade não está no fim, mas ao longo do caminho!
DIRECIONAMENTO DA CARREIRA
Um questionamento frequente diz respeito à possibilidade de direcionamento da carreira para áreas específicas. É possível, sim, direcionar uma carreira para um tema (digamos, comércio internacional, direitos humanos, meio ambiente etc.) ou mesmo para uma região do mundo (como a Ásia, as Américas ou a África, por exemplo), mas isso não é um direito garantido e poderá não ser sempre possível. É preciso ter em mente que a carreira diplomática envolve aspectos políticos, econômicos e administrativos, e que existem funções a serem desempenhadas em postos multilaterais e bilaterais em todo o mundo, e n~o só nos países mais “interessantes”. Diplomatas est~o envolvidos em todas essas variantes e, ao longo de uma carreira, ainda que seja possível uma certa especialização, é provável que o diplomata, em algum momento, atue em áreas distintas daquela em que gostaria de se concentrar.
ASPECTOS PRÁTICOS E PESSOAIS
É claro que a vida é muito mais que promoções e remoções, e é inevitável que o candidato queira saber mais sobre a carreira que o papel do diplomata. Todos precisamos cuidar do nosso dinheiro, da saúde, da família, dos nossos interesses pessoais. Eu tentarei trazem um pouco de luz sobre esses aspectos.
DINHEIRO
Comecemos pelo dinheiro, que é assunto que interessa a todos. Em termos absolutos, os diplomatas ganham mais quando estão no exterior do que quando estão em Brasília. O salário no exterior, no entanto, é ajustado em função do custo de vida local, que é frequentemente maior que no Brasil. Ou seja, ganha-se mais, mas gasta-se mais. Se o diplomata conseguirá ou não economizar dependerá i) do salário específico do Posto , ii) do custo de vida local, iii) do câmbio entre a moeda local e o dólar, iv) do fato de ele ter ou não um ou mais filhos na escola e, principalmente, v) de sua propensão ao consumo. Aqui, não há regra geral. No Brasil, os salários têm sofrido um constante desgaste, especialmente em comparação com outras carreiras do Governo Federal, frequentemente obrigando o diplomata a economizar no exterior para gastar em Brasília, se quiser manter seu padrão de vida. Os diplomatas, enfim, levam uma vida de classe média alta, e a certeza de que não se ficará rico de verdade é compensada pela estabilidade do emprego (que não é de se desprezar, nos dias de hoje) e pela expectativa de que seus filhos (quando for o caso) terão uma boa educação, mesmo para padrões internacionais.
SAÚDE
Os diplomatas têm um seguro de saúde internacional que, como não poderia deixar de ser, tem vantagens e desvantagens. O lado bom é que ele cobre consultas com o médico de sua escolha, mesmo que seja um centro de excelência internacional. O lado ruim é que, na maioria das vezes, é preciso fazer o desembolso (até um teto determinado) para depois ser reembolsado, geralmente em 80% do valor, o que obriga o diplomata a manter uma reserva financeira de segurança.
FAMÍLIA : O CÔNJUGE
Eu mencionei, entre as coisas n~o t~o boas da carreira, “dificuldades no equacionamento da vida familiar”. A primeira dificuldade é o que fará o seu cônjuge (quando for o caso) quando vocês se mudarem para Brasília e, principalmente, quando forem para o exterior. Num mundo em que as famílias dependem, cada vez mais, de dois salários, equacionar a carreira do cônjuge é um problema recorrente. Ao contrário de certos países desenvolvidos, o Itamaraty não adota a política de empregar ou pagar salários a cônjuges de diplomatas. Na prática, cada um se vira como pode. Em alguns países é possível trabalhar. Fazer um mestrado ou doutorado é uma opção. Ter filhos é outra...
Mais uma vez, não há regra geral, e cada caso é um caso. O equacionamento da carreira do cônjuge costuma afetar principalmente – mas não apenas – as mulheres, já que, por motivos culturais, é mais comum o a mulher desistir de sua carreira para seguir o marido que o contrário2.
CASAMENTO ENTRE DIPLOMATAS
Os casamentos entre diplomatas não são raros. É uma situação que tem a vantagem de que ambos têm uma carreira e o casal tem dois salários. A desvantagem é a dificuldade adicional em conseguir que ambos sejam removidos para o mesmo Posto no exterior. A questão não é que o Ministério vá separar esses casais, mas que se pode levar mais tempo para conseguir duas vagas num mesmo Posto. Antigamente, eram frequentes os casos em que as mulheres interrompiam temporariamente suas carreiras para acompanhar os maridos. Hoje em dia, essa situação é exceção, não a regra.
FILHOS
Não posso falar com conhecimento de causa sobre filhos, mas vejo o quanto meus colegas se desdobram para dar-lhes uma boa educação. Uma questão central é a escolha da escola dos filhos, no Brasil e no exterior. No Brasil, a escola será normalmente brasileira, com ensino de idiomas, mas poderá ser a americana ou a francesa, que mantém o mesmo currículo e os mesmos períodos escolares em quase todo o mundo. No exterior, as escolas americana e francesa são as opções mais frequentes,
podendo-se optar por outras escolas locais, dependendo do idioma. Outra questão, já mencionada, é o custo da escola. Atualmente, não existe auxílio-educação para filhos de diplomatas ou de outros Servidores do Serviço Exterior brasileiro, e o dinheiro da escola deve sair do próprio bolso do servidor.
CÉSAR AUGUSTO VERMIGLIO BONAMIGO - Diplomata. Engenheiro Eletrônico formado pela UNICAMP. Pós- graduado em Administração de Empresas pela FGV-SP. Programa de Formação e Aperfeiçoamento - I (PROFA -
I) do Instituto Rio Branco, 2000/2002. No Ministério das Relações Exteriores, atuou no DIC - Divisão de Informação Comercial (DIC), 2002; no DNI - Departamento de Negociações Internacionais, 2003, e na DUEX - Divisão de União Europeia e Negociações Extrarregionais. Atualmente, serve na Missão junto à ONU (DELBRASONU), em NYC.
2 Conforme comunicado do MRE de 2010, é permitida a autorização para que diplomatas brasileiros solicitem passaporte diplomático ou de serviço e visto de permanência a companheiros do mesmo sexo. Outra resolução, de 2006, já permitia a inclusão de companheiros do mesmo sexo em planos de assistência médica.
Para tornar-se diplomata, é necessário ser aprovado no Concurso de Admissão à Carreira de Diplomata (CACD), que ocorre todos os anos, no primeiro semestre (normalmente). O número de vagas do CACD, em condições normais, depende da vacância de cargos. Acho que a quantidade normal deve girar entre 25 e 35, mais ou menos. Desde meados dos anos 2000, como consequência da aprovação de uma lei federal, o Ministério das Relações Exteriores (MRE/Itamaraty3) ampliou seus quadros da carreira de diplomata, e, de 2006 a 2010, foram oferecidas mais de cem vagas anuais. Com o fim dessa provisão de cargos, o número de vagas voltou ao normal em 2011, ano em que foram oferecidas apenas 26 vagas (duas delas reservadas a portadores de deficiência física4). Para os próximos concursos, há perspectivas de aprovação de um projeto de lei que possibilitará uma oferta anual prevista de 60 vagas para o CACD, além de ampliar, também, as vagas para Oficial de Chancelaria (PL 7579/2010). Oficial de Chancelaria, aproveitando que citei, é outro cargo (também de nível superior) do MRE, mas não integra o quadro diplomático. A remuneração do Oficial de Chancelaria, no Brasil, é inferior à de Terceiro-Secretário, mas os salários podem ser razoáveis quando no exterior. Já vi muitos casos de pessoas que passam no concurso de Oficial de Chancelaria e ficam trabalhando no MRE, até que consigam passar no CACD, quando (aí sim) tornam-se diplomatas.
Para fazer parte do corpo diplomático brasileiro, é necessário ser brasileiro nato, ter diploma válido de curso superior (caso a graduação tenha sido realizada em instituição estrangeira, cabe ao candidato providenciar a devida revalidação do diploma junto ao MEC) e ser aprovado no CACD (há, também, outros requisitos previstos no edital do concurso, como estar no gozo dos direitos políticos, estar em dia com as obrigações eleitorais, ter idade mínima de dezoito anos, apresentar aptidão física e mental para o exercício do cargo e, para os homens, estar em dia com as obrigações do Serviço Militar). Os aprovados entram para a carreira no cargo de Terceiro-Secretário (vide hierarquia na próxima seç~o, “Carreira e Salrios”). Os aprovados no CACD, entretanto, não iniciam a carreira trabalhando: há, inicialmente, o chamado Curso de Formação, que se passa no Instituto Rio Branco (IRBr). Por três semestres, os aprovados no CACD estudarão no IRBr, já recebendo o salário de Terceiro-Secretário (para remunerações, ver a próxima seç~o, “Hierarquia e Salrios).
O trabalho no Ministério começa apenas após um ou dois semestres do Curso de Formação no IRBr (isso pode variar de uma turma para outra), e a designação dos locais de trabalho (veja as subdivisões do MRE na página seguinte) é feita, via de regra, com base nas preferências individuais e na ordem de classificação dos alunos no Curso de Formação.
3 O nome “Itamaraty” vem do nome do antigo proprietrio da sede do Ministério no Rio de Janeiro, o Bar~o Itamaraty. Por metonímia, o nome pegou, e o Palácio do Itamaraty constitui, atualmente, uma dependência do MRE naquela cidade, abrigando um arquivo, uma mapoteca e a sede do Museu Histórico e Diplomático. Em Brasília, o Palácio Itamaraty, projetado por Oscar Niemeyer e inaugurado em 1970, é a atual sede do MRE. Frequentemente, “Itamaraty” é usado como sinônimo de Ministério das Relações Exteriores.
4 Todos os anos, há reserva de vagas para deficientes físicos. Se não houver número suficiente de portadores de deficiência que atendam às notas mínimas para aprovação na segunda e na terceira fases do concurso, que têm caráter eliminatório, a(s) vaga(s) restante(s) é(são) destinada(s) aos candidatos da concorrência geral.
O IRBr foi criado em 1945, em comemoração ao centenário de nascimento do Barão do Rio Branco, patrono da diplomacia brasileira. Como descrito na página do Instituto na internet, seus principais objetivos são:
harmonizar os conhecimentos adquiridos nos cursos universitários com a formação para a carreira diplomática (já que qualquer curso superior é válido para prestar o CACD);
desenvolver a compreensão dos elementos básicos da formulação e execução da política externa brasileira;
iniciar os alunos nas práticas e técnicas da carreira.
No Curso de Formação (cujo nome oficial é PROFA-I, Programa de Formação e Aperfeiçoamento - obs.: n~o sei o motivo do “I”, n~o existe “PROFA-II”), os diplomatas têm aulas obrigatórias de: Direito Internacional Público, Linguagem Diplomática, Teoria das Relações Internacionais, Economia, Política Externa Brasileira, História das Relações Internacionais, Leituras Brasileiras, Inglês, Francês e Espanhol. Há, ainda, diversas disciplinas optativas à escolha de cada um (como Chinês, Russo, Árabe, Tradução, Organizações Internacionais, OMC e Contenciosos, Políticas Públicas, Direito da Integração, Negociações Comerciais etc.). As aulas de disciplinas conceituais duram dois semestres. No terceiro semestre de Curso de Formação, só há aulas de disciplinas profissionalizantes. O trabalho no MRE começa, normalmente, no segundo ou no terceiro semestre do Curso de Formação (isso pode variar de uma turma para outra). É necessário rendimento mínimo de 60% no PROFA-I para aprovação (mas é praticamente impossível alguém conseguir tirar menos que isso). Após o término do PROFA-I, começa a vida de trabalho propriamente dito no MRE. Já ouvi um mito de pedida de dispensa do PROFA I para quem já é portador de título de mestre ou de doutor, mas, na prática, acho que isso não acontece mais.
Entre 2002 e 2010, foi possível fazer, paralelamente ao Curso de Formação, o mestrado em diplomacia (na prática, significava apenas uma matéria a mais). Em 2011, o mestrado em diplomacia no IRBr acabou.
Uma das atividades comuns dos estudantes do IRBr é a publicação da Juca, a revista anual dos alunos do Curso de Formação do Instituto. Segundo informações do site do IRBr, “[o] termo ‘Diplomacia e Humanidades’ define os temas de que trata a revista: diplomacia, ciências humanas, artes e cultura. A JUCA visa a mostrar a produção acadêmica, artística e intelectual dos alunos da academia diplomática brasileira, bem como a recuperar a memória da política externa e difundi-la nos meios diplomático e acadêmico”. Confira a página da Juca na internet, no endereço: http://juca.irbr.itamaraty.gov.bpt-bMain.xml.
Para saber mais sobre a vida de diplomata no Brasil e no exterior, sugiro a conhecida “FAQ do Godinho” (“FAQ do Candidato a Diplomata”, de Renato Domith Godinho), disponível para download no link: http://relunb.files.wordpress.com/2011/08/faq-do-godinho.docx. Esse arquivo foi escrito há alguns anos, então algumas coisas estão desatualizadas (com relação às modificações do concurso, especialmente). De todo modo, a parte sobre o trabalho do diplomata continua bem informativa e atual.
MEUS ESTUDOS PARA O CACD – http://relunb.wordpress.com
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2020.07.18 19:27 CheemsBurbgerMac Historia de Venezuela 101: un recorrido a través de las campañas y jingles electorales (1973 - 1988)

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Primero que nada, quisiera darle gracias a los mods por darme luz verde para escribir y publicar este post.
Desde que estudié la historia de Venezuela en la universidad, desarrollé un interés hacia las cuñas electorales y los jingles políticos. Y bueno, dada la cuarentena, me tomé la tarea de recolectar parte del material relacionado al tema, y decidí escribir este post por cultural general y compartirlo con ustedes.
DISCLAIMER: Aquí no estoy apoyando a ningún bando político en específico ni daré opiniones sobre los candidatos presidenciales como políticos, así que a los que sufren cada vez que leen los nombres de CAP, Caldera o Chávez, por favor respiren y tómense un vaso de agua antes de venir a drenar sus frustraciones aquí.
Empezamos:
Elecciones de 1973: Los candidatos principales fueron Carlos Andrés Perez (Acción Democrática), Lorenzo Fernández (COPEI), Jesús Paz Galarraga (MEP-PCV), José Vicente Rangel (MAS-MIR) y Jóvito Villalba (URD). El ganador fue CAP, quedando Lorenzo Fernández en segundo lugar.
La campaña electoral de 1972-1973 es sumamente importante para la historia política venezolana, debido a que es la primera vez que se implementan recursos como jingles publicitarios, estudios de focus group, estrategias de marketing y también incluyó la presencia de estrategas extranjeros para las campañas electorales, resaltando el caso del Grupo Gallup de Washington, US, que fueron quienes asesoraron mayormente la campaña electoral de CAP. Se dice que la campaña electoral de este periodo también originó el estudio de la opinión pública en el país.
CAP fue el pionero de la publicidad electoral. Su campaña presidencial se basó en las consignas "Ese hombre sí camina" y “Democracia con energía" que lo volvieron un candidato sumamente popular, ya que esas ideas lo acercaron mucho a la población de clase media/baja. Es la primera vez que en Venezuela se vendió un mensaje político. La campaña de CAP también se centró en el petroleo y sus posibilidades como instrumento económico y político.
CAP tuvo la asesoria directa de Clifford White y George Gaither, quienes eran de los mejores talentos de la mercadotecnia, y también trabajó con Chelique Sarabia, quien fue el compositor de sus jingles.
El jingle de CAP para esta campaña sin duda ha sido el más efectivo y popular en la historia del país, titulado "Ese hombre sí camina": Versión corta / Versión larga. La letra y la música fueron altamente efectivas, razón por la que se considera que Carlos Andrés ha sido el político más popular que ha tenido el país junto a Chávez. Su campaña lo vendió como un hombre del pueblo, honesto, reacio, que no tenía miedo a enfrentar a sus adversarios, etc.
Lamentablemente no encontré material audiovisual sobre los otros candidatos.
Elecciones de 1978: En esta oportunidad los candidatos principales fueron Luis Herrera Campins (COPEI) Luis Piñerua (AD), José Vicente Rangel (MAS), Diego Arria (Causa Común) y Luis Beltrán Prieto Figueroa (MEP) El ganador fue Luis Herrera, quedando Luis Piñerua como segundo con más votos.
Se dice que para esta campaña, a pesar de que también hubo asesoría externa de expertos en marketing, hubo un empobrecimiento en el mensaje electoral, aún cuando hubo incremento en la popularidad de los candidatos.
Luis Herrera tuvo una cuña publicitaria sin música, simplemente basada en que la pobreza no debía continuar. La cuña electoral se tituló "Carlota Flores". Aquí otro spot publicitario de LHC con la misma temática.
Sin embargo, a Herrera también se le conoce como el "presidente de la cultura" gracias a los aportes que hizo durante su presidencia a la cultura nacional.
En el caso de Luis Piñerúa, este sí tuvo un jingle político, también compuesto por Chelique Sarabia. Se tituló "¿Con quién estás tú, compañero?".
Nota: esto no es de importancia, pero mi abuela me cuenta que una tía estaba bebé durante esta campaña presidencial y le respondía al televisor "Correcto" cuando pasaban la cuña de Piñerua 😂
Del resto de los candidatos no encontré material audiovisual tampoco.
Elecciones de 1983: Los candidatos principales fueron Jaime Lusinchi (AD), Rafael Caldera (COPEI), Teodoro Petkoff (MAS) y José Vicente Rangel (MEP) El ganador fue Lusinchi, quedando Caldera en segundo lugar.
Para el momento de esta elección, ya la población sentía rechazo ante el gobierno de Herrera Campins, entre otras razones, por el viernes negro del 83. Se atribuye el concepto de "voto castigo" a la victoria de Lusinchi, quien no tenía una gran popularidad o carisma como político, y este tampoco tenía el apoyo de Rómulo Betancourt en AD.
La campaña de Lusinchi fue efectiva, aunque solamente tenía el mensaje electoral de "Sí". El jingle político se tituló "Dile sí a tu país". Es relativamente sencillo, con un caracter marcial y una letra súper simple y patriótica.
En el caso de Caldera, su campaña se basó en la consigna "Un millón de empleos" y además fue altamente personalista, basándose en él como hombre en vez de como político. Esta ocasión fue la quinta vez que Caldera se postuló a una elección presidencial. Su campaña fue impopular, debido a la crisis económica originada en el gobierno de Herrera-Campins, lo cual generó un rechazo hacia COPEI. Sin embargo, se dice que este ha sido el mejor resultado electoral que tuvo en su carrera política.
El jingle de Caldera decía: "Caldera, un hombre de experiencia, que sabe gobernar, un hombre inteligente, que sabe a dónde va" (video aquí)
Campaña electoral de Caldera/COPEI: 1, 2, 3, 4.
Campaña electoral de Lusinchi/AD: 1, 2, 3.
La campaña de JVR tuvo el slogan "Dale una oportunidad" y contó con el apoyo musical de Alí Primera. Tuvo el apoyo de la Liga Socialista junto al MER y PCV. Fue la tercera vez que se postulaba a presidente, y en esta ocasión fue resultado de una división con Teodoro Petkoff. Video aquí de su campaña.
En el caso de Teodoro Petkoff, fue su primera candidatura presidencial, apoyada por el MIR y MAS. Su slogan fue "Salvemos al país del abandono" y básicamente se basó en desprestigiar a gobiernos anteriores. El título de su cuña fue "Hamos vivío mar!" y muestra a una señora en estado de pobreza, cansada de la situación. Aquí la campaña electoral del MIR.
Elecciones de 1988: Los candidatos principales fueron Carlos Andrés Perez (AD), Eduardo Fernández (COPEI) y Teodoro Petkoff (MAS). El ganador fue CAP y quedó Fernández en segundo lugar.
Se mantuvo la misma estrategia de marketing electoral y propaganda proselitista con alta difusión en medios de comunicación. En el caso de CAP, este mantuvo su mismo concepto de hombre popular que le dio la victoria en 1973, pero ahora con la tarea de ganar de nuevo al pueblo, ya que este había perdido simpatía por AD tras la falta de carisma de Lusinchi.
La simpatía de CAP siempre fue el elemento más importante de sus campañas, mostrándolo como un hombre enérgico que estrechaba manos, hablaba con el pueblo, saltaba charcos, etc. En esta oportunidad, CAP contó con el apoyo de distintas celebridades, tal como José Luis Rodríguez "El Puma" y vendió el mensaje electoral basado en el recuerdo de la bonanza petrolera durante su primer mandato, y todos los aspectos postivos que trajo, tal como el programa de becas "Gran mariscal de Ayacucho"
Aquí un video del pianista David Ascanio (beneficiario del programa Ayacucho) formando parte de la propaganda a favor de CAP.
Sus jingles políticos fueron "Fuerza de la esperanza" y "Tamborera", sin embargo también siguió utilizando el muy exitoso "Ese hombre sí camina" de 1973.
Aquí hay un spot publicitario de CAP dando un mensaje, hablando de cómo ha sido un "profeta" originario del Táchira para el pueblo.
La campaña de Eduardo Fernández tuvo la consigna "Eduardo está contigo" y fue altamente criticada, ya que el candidato decidió aumentar su popularidad no solo visitando rancho por rancho, sino además quedándose a dormir en varios hogares de clases populares. Se dice que esto afectó su imagen. Aquí otros videos de su campaña con el apodo de "El tigre" (y aquí otro)
NOTA: Encontré un video electoral de este año, pero de una candidatura de Oswaldo Álvarez Paz, pero no logro ubicar si fue para estas elecciones o las del 93. Si alguien sería tan amable de aclarar, lo agradecería.
¡Gracias por leer! Si este post tiene popularidad, consideraré seguir la línea de tiempo desde 1993 hasta la campaña de Chávez en 2012.
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Nota: Todos los créditos de creación de este contenido pertencen a pianogirl282. Todas las atribuciones y derechos son atribuidos a este user.
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2020.07.13 20:12 JuegoTerminado [SERIO] [CONSEJO] Pensamientos en la pandemia: Cuando ya te enfadaste de estar en un negocio y de tu estilo de vida.

Hola erreméxico. Para variarle poquito a los temas de política he decidido postear esto para ver si alguien puede ayudarme a resolver muchas cosas de mi vida, así que aquí va. El flair de Rant se me hizo mucho para esto y como no hay uno de tristeza o frustración por eso lo puse en Ask México.
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Lo que la cuarentena puede sacar de nosotros es indudablemente LO PEOR. Este pensamiento tiene meses en mi cabeza dando vueltas y agarrando un poco más de forma con cada ciclo. Normalmente no lo seguía por distintas razones como el estar demasiado agotado a nivel mental para desarrollarlo de la mejor forma posible, o simplemente porque perdía el hilo del tema por una distracción. Algo sucedió hoy por lo que el tema vino a mi cabeza de nuevo, así que aquí voy:
Es el año 2020 y tengo 36 años de edad. Soy Licenciado en Sistemas Computacionales titulado desde 2008, como 460 puntos en el TOEFL, cuento con cédula profesional desde 2009 y gano $9,000.00 pesos al mes.
Mi papá comenzó un negocio poco después de que yo naciera y al que, junto con mi mamá le han estado dando TODA la vida hasta el día de hoy. Omitiremos el giro del mismo porque no es relevante para esto; solamente les diré que es un producto terminado. Quiero dejar este post para tener un poco de ayuda y sí, la principal razón de su origen es el desahogo, la liberación y el descanso.
Como no muchos de ustedes yo vengo de madre sobreprotectora y controladora. Siempre me ayudó con las tareas en la primaria y se aplicó hasta mi etapa universitaria eso de que “la letra con sangre entra” y dio resultado. Desde chico me fue detectada la mitomanía para calmar a mi mamá o llamar la atención y ahora en mi etapa de más adulto a veces la sigo teniendo pero en una incidencia mucho menor. Ya recibí atención profesional para esto hace como 15 años y he mejorado muchísimo.
A bola de putazos fue que realmente destaqué en la escuela y obviamente mi mamá SIEMPRE esperaba un puterísimo de mí (hasta la fecha) y me decía que yo era tremendamente inteligente (y no se imaginan lo horrible que se siente que me sobrevalore así). Recuerdo que se refería a mí en ciertas ocasiones como un ser superdotado (muy en su concepto) pero eso no es nada más alejado de la realidad. A lo mejor viví episodios muy culeros de ansiedad por el cumplimiento escolar y sí, en primaria, secundaria y preparatoria llegué a tener sangrados nasales a causa de esa misma presión de los exámenes porque tenía que obtener el puntaje para que no me mandaran a extraordinario... Un putero de razones por las que llegué a sangrar.
De mi papá, pues también, es un hombre muy estricto con sus hijos y claro que me metió mis putazos con una razón detrás de ellos. Por momentos pequeños de mi infancia lo llegué a ver como mi verdugo por la clásica frase que dice: “Cuando llegue tu padre” y SIEMPRE exigía resultados, especialmente cuando entré a la prepa porque era escuela privada.
El día que le llegué de la prepa con una boleta bimestral con 4 materias tronadas supe lo que era bueno y hasta se concluyó que ya no fuera a la escuela porque no la aprovechaba. No me levanté al siguiente día y vino una cagoteada tremenda porque no me levanté. Y pues sí, me mandaron a la escuela y a enfrentar mis problemas con cálculo diferencial. Tras esto mis papás tomaron la decisión de contratar un maestro externo para que me ayudara con esto y lo hizo muy bien durante el resto del cuarto semestre. Ya no hubo extraordinarios hasta que terminé la prepa.
2003:
A poco más de 1 año de meterme a la licenciatura (elegí esa carrera por razones muy fantasiosas) me di cuenta de que no iba para mí ese pedo. Le conté a mi mamá después de que como pude le oculté que tenía materias tronadas y que las tenía que repetir y que me quería cambiar de carrera pero fue un NO rotundo. Cuando le contó a mi papá por supuesto que no le pareció y más allá de que me buscaron psicólogo en ese tiempo lo único que me dijeron es que yo tenía que terminar la carrera como fuera y como se pudiera. ¿Trabajar y estudiar? Mi papá dijo que no porque si no podía con la escuela, menos con ambas cosas.
Cada maestro de programación que me conocía sabía al poco tiempo que yo era de esos alumnos que eran casos perdidos. Aún tengo textual una frase sumamente franca de un maestro que ya me había dado 2 cursos diferentes de programación en distintas etapas y que parece que desde ese momento me la hubieran puesto con remaches porque jamás se me ha olvidado y me mueve los recuerdos de esa época super culero. Me lastima, me hiere y me deprime pero fue 1001% la verdad:
“Mire señor: Yo le recomendaría mucho que busque asesorías externas o ayuda con sus compañeros porque yo ya no sé qué hacer con usted. Es muy preocupante que no sepa ni siquiera esto que es básico y que lo debió de haber aprendido antes (...) No voy a atrasar a todos los demás porque usted no sabe así que vamos a hacer una cosa: yo le voy a poner todas las asistencias que quedan del curso y le voy a poner el 60 final de una vez para que ya se vaya porque no va a aprender esto tampoco y no lo quiero volver a ver en mi curso. Usted va a asumir las consecuencias de lo que venga después porque usted es un caso perdido y va a ser una burla para la industria. Que le vaya bien y que lo repruebe la vida”.
Y eso del “que lo repruebe la vida” ha pegado muy duro en mi ser y me ha perseguido incluso hasta el día de hoy...
La verdad terminé la carrera porque a huevo la tenía que terminar para no tener problemas con mis papás y no porque yo quisiera. Por poquitito no me gradúo porque ya me andaba cargando la chingada con una materia de programación que ya estaba repitiendo, pero el profe no quería verme en su curso nunca más y me regaló la calificación para que ya me fuera. Esto de regalarme puntos para ya no verme pasó 2 veces con 2 maestros diferentes.
Conclusión de la carrera: No pude aprender programación por más que mis maestros (los que querían y podían) se esforzaron en enseñarme, por más tiempo que me dedicaron y por más recursos que usaban, se cansaron de quererme enseñar y de verdad no pudieron; me evaluaban de forma diferente que a los demás algunas veces (teoría) porque ya sabían que yo no iba a poder hacer los ejercicios o en su defecto me ponían con un cabrón que supiera más y que me fuera diciendo paso por paso cómo escribir las instrucciones para el lenguaje en cuestión (C++, C#, Java, SQL Server etc) y solamente así podía hacer las tareas o los trabajos; por mi propia cuenta jamás lo pude hacer.
2005-6:
No me quisieron contratar en la empresa donde hice las prácticas profesionales por meras preferencias de parentesco con otro de los que antes de terminar prácticas ya tenían planta de medio tiempo en Sistemas y que les ayudaba 2 horas más de las 4 horas diarias que yo podía. Todos los ingenieros de ahí sabían perfectamente que yo aprendí y sabía más que ese cabrón que tenían como asistente del operador del servidor AS400 que había pero lo cubrieron para no reubicarlo con otra persona y no darme el trabajo a mí. Ni pedo... ámonos. En otra chance vengo a hablar con el jefe de Sistemas.
Mid 2007:
Terminando la carrera fui un chingo de veces a buscar al jefe de área para trabajar ahí aún sin pago, pero a la hora de hablar con él jamás se trataba algo más del “Ya propuse lo que me dijiste al director del corporativo de aquí y al director regional, pero no me han resuelto lo de tu contratación, vente para la otra semana ¿no?”
Vergas... bueno... yo vengo para la otra semana.
Y así me la llevé yo creo que como 18 semanas consecutivas y se iba el cabrón todo desesperanzado porque no me querían ahí ni trabajando gratis, sin responsabilidad para ellos y totalmente a prueba, así que me puse a buscar y a buscar pero no encontraba trabajo mas que de programador... puta madre... lo que no aprendí. Tengo que buscar de lo que yo sé y a mí me gusta hacer: Redes, Soporte Técnico y Operación de Sistemas. Las vacantes o estaban ocupadas o no pasaba los filtros por una razón u otra incluyendo la falta de experiencia o certificaciones. Apliqué para un trabajo de soporte técnico y yo era feliz dándole mantenimiento a las computadoras y limpiando y ordenando el laboratorio para tener todo más adecuado para trabajar.
De pronto uno de los programadores ya no regresó a trabajar me mandaron a mí para allá a la semana que entré. Nada más duré 15 días como programador y el mero chingón me dijo: “¿Sabes qué? la verdad no funcionas aquí, no has aventajado nada y necesitamos entregar al cliente; déjala a ella que lo haga *frotándose la frente de frustración*. Desocúpame el escritorio y vete”. Hasta ese momento nunca me sentí más inútil e incompetente en lo que llevaba de vida. Me deprimí otra vez simplemente porque me dijeron algo franco con alguna de mis fallas. Aquí aprendí a ver con mucha más claridad que efectivamente tengo un temperamento de papel y la vida me restregó en el hocico una vez más que no soy asertivo para muchas situaciones.
2008-9:
Tras haber estado trabajando un tiempo de lavador de autos mi mamá dijo: “No, mijito, la verdad es que tenemos un chingo de trabajo nos tienes que ayudar, la verdad tienes qué, tienes qué... así que ayúdanos.
Mira: Ya sabemos que esto de la producción en el negocio no es lo tuyo así que ayúdanos con lo de la calle” y con esto me pusieron a trabajar como “Ejecutivo B” porque en otro puesto (de momento) no podía estar.
De lo que trabajaba con mis papás junté mi feria para el CENEVAL y para pagarme mi título y soy de aquellas personas sumamente afortunadas que lo pasaron a la primera. Esto obviamente no demuestra nada en la vida real y me di cuenta de ello con el paso del tiempo. Para aquellos días donde hubo ese afamado brote de influenza porcina ya tenía mi cédula profesional en la mano y la neta sentí bien chingón a pesar que ese título no estaba respaldado ni con el 15% de conocimientos. Me dio gusto haber podido sacar mis documentos de la universidad donde viví tantas cosas tan malas y tan buenas. El superar eso fue una victoria pírrica.
Vida actual:
Algo que desde siempre nos distingue como familia es la apatía, la asocialidad y el ser poco participativos, lo que agrava en un pequeño porcentaje todos mis problemas.
No se imaginan lo horrible que es ser interdependientes unos de los otros en horarios de trabajo porque la separación de casa y trabajo no existe. Es motivo de presión que me utilicen como emisario para los mensajes, las traducciones, las evasiones con personas, con llamadas o para jugar al teléfono descompuesto entre otras actividades. Es horrible que te hagan sentir indispensable con cualquier tipo de comentario. No saben lo que se siente. Quizá uno o dos que lean esto sí lo saben y estarán de acuerdo 1001% conmigo.
No saben lo culero que es sentir que no tengo los argumentos necesarios para poder hacerles ver a mis papás (especialmente a mi mamá) que también para los temas de trabajo hay horarios. Siempre está viendo cómo hacer más dinero. A veces ya es de noche y debo escuchar por horas todo lo que me dice y estar asintiendo con la cabeza porque si no, se emputa y me grita. Tooooooodo el tiempo ella está dándole vueltas a la cabeza para ver cómo vender más, generar más dinero, más capital. Qué hacer con el material que tiene en bodegas para sacarlo de ahí and so on. Las preocupaciones de cualquier empresario; también puede ser una pinche ambición cabrona o necesidad de dinero que parece ambición, no sé. Yo creo que eso está bien, pero debe hacerse dosificadamente.
Mi mamá tiene problemas de sueño por diversas razones incluyendo la menopausia, la ansiedad generalizada que ella solita se diagnosticó leyendo en Google y el dinero porque apenas se saca para todo lo que se debe de gastar al mes para que el negocio ahí medio camine. Este círculo vicioso de no dormir bien a causa de pensar que no hay dinero suficiente para pensar siquiera en acariciar el término «libertad financiera» es algo que francamente YO NO QUIERO VIVIR.
Hace como 7 años le dije a mi jefa esto de dedicarme a otra cosa y para ella el que yo deje de trabajar en el negocio familiar es motivo de ruina en muchísimos aspectos “Si te vas, me vas a partir la madre” —dice. No sabe usar computadora, no sabe hablar inglés, difícilmente sabe usar un smartphone y así por el estilo y mi papá igual. De hecho mi papá dejó de ir a las clases de inglés como al mes. En una ocasión por mi mutismo creo que alcanzó a percibir mi pinche frustración y todo lo que hizo para evitar que me fuera fue subirme el salario y así ha sido cada vez que le digo que lo conveniente para mí es trabajar en otro lado. Sí... muchísimas veces he dejado de hacer mis labores y cometido errores de tal tamaño que siendo otra persona la hubieran corrido hace 10 años por lo menos.
Dicen que tener negocio propio sí deja un chingo de satisfacciones (según mi papá) y posiblemente sea verdad. He concluido año tras año que posiblemente existan esas satisfacciones, pero con un negocio propio también hay UN PUTERO de deudas que hay que abonaliquidar, un puterísimo de problemas que se deben de atender y a veces considero que un negocio como este es terriblemente absorbente (nunca tenemos vacaciones), que todos dependemos absolutamente de eso para todas nuestras necesidades a pesar de todo el tiempo que demanda y por ratos creo verdaderamente que no tengo escapatoria para la edad que tengo y tomando en cuenta que no sé nada y no sé para dónde puedo irme a trabajar y mucho menos de qué forma me puedo superar. Mi mamá dice que andar de empleado no es bueno y que tengo que ver cómo poner un negocio (wey ¿De dónde?). Parece que la única manera válida de vivir según mi mamá es tener negocio propio y eso también me da un putero de tristeza.
Desde que tengo 10 años mis papás han estado intentando involucrarme totalmente en el negocio familiar y a tener iniciativa para él sin éxito aparente. Ahora que soy adulto mi mamá cada año me presiona más con que aprenda lo que mi papá sabe para que al negocio no se lo cargue la chingada en (de acuerdo a sus estimaciones) 20 años aproximadamente cuando ninguno de mis papás pueda trabajar o ambos fallezcan. NADIE de mis hermanas muestra interés alguno por él y yo por ser el mayor, menos. Mi hermana quiso tener un producto secundario en 2009 y no le resultó para nada el plan; le neceó muchísimo para seguir en la lucha hasta hace como 2 años y con cada año que pasaba el producto se vendía menos y menos (en todo el 2017 no se vendió nada). Ahorita aunque estudió Diseño Gráfico se metió mejor a estudiar una maestría para dar clases de diseño porque el negocio que tenía ya no le resultó por más pelea que le dio y por más dinero que le invirtió. Se cansó y ya no quiso batallar con productos que no se venden ni en línea.
Mi posición al respecto de la sucesión del ownership es que si no encuentran a quién enseñar y poner, la neta que cierren a la chingada y vendan todos sus activos. Muchas empresas de todos los tamaños que producen algo han ido cerrando desde que tengo memoria y una microempresa no sería ni la primera ni la última.
He decepcionado horriblemente a mis padres muchas veces y aún así siguen amándome. Me perturba mucho que lo sigan haciendo porque por la huevonada y el mutismo he hecho cosas imperdonables. Si es que me quedo en el negocio familiar voy a ser un Armando Mendoza de Betty la Fea: Un cabrón muy estúpido, inmaduro, que toma las peores decisiones y que llevará la empresa familiar al matadero para que en menos de un año se acaben como 40 o 50 años de trabajo.
Me falta un putero madurar. Hay un lema que vi hace tiempo y que dice absolutamente todo:
Proteger a un hijo es destruirlo. Resolverle la vida es incapacitarlo.
Realmente no me veo trabajando en otra cosa u oficio que no me implique el empezar de ceros y en ceros y no sé si lo lograré. Durante años siempre fue el tener en la mente el plan de hacerlo, el propósito de hacerlo y el sentir que necesitaba hacerlo. Desde 2010 fue mi más grande sueño poder irme a vivir a Canadá con algún programa de mano de obra calificada pero entre otras cosas no lo pude hacer por falta de un plan y de dinero para ello.
Insertarme en un mundo laboral como el de hoy me va a resultar exageradamente difícil. Siempre he dicho que voy a pasar el mismo proceso que si me hubieran echado una condena de 25 años por un homicidio que no cometí, que con buenos abogados me consiguieron arresto domiciliario, me bajaron la condena y permanecí sin salir de mi casa y sin entender que hay un mundo ahí afuera durante 13 años de mi vida. Quizá esto último es solo una pinche sugestión pendeja y ya.
Desde 2018 cargo una enfermedad autoinmune en el cuerpo y obviamente sé que no en todos lados quieren contratar a personas enfermas, así que por ese lado llevo un chingo de desventaja.
Me encantan los autos, los videojuegos y las computadoras, por lo que de lo ÚNICO que me puedo sentir no tan inútil es vendiendo partes de computadora, dando mantenimiento a computadoras o vendiendo refacciones para autos. Mi más grande sueño es poder vivir del videojuego. La neta no sé qué chingados hacer y esta falta de definición de caminos es lo que me ha atorado terriblemente.
La red de apoyo con la que una persona ecuánime, centrada, madura, que socializó adecuadamente desde chiquito, que sabe bien lo que son las relaciones públicas y tiene un correcto desarrollo y con mínima afectación mental no existe en absoluto en mi caso. No sé a quién de mis amigos pedirle paro. Muchos de ellos se fueron a USA y Canadá y hasta donde sé muy pocos tuvieron éxito y les va super chido allá; otros tantos fracasaron y regresaron a México al poco tiempo. Otros más nunca tuvieron éxito como yo para la carrera y ni idea de qué trabajen. No se imaginan lo chiquito y lo nada que me sentí cuando en una reunión de la prepa (error haber ido) les platiqué a mis amigos en lo que he trabajado/trabajo y lo que gano al mes. De todos mis compañeros hombres que son exitosos en una profesión u otra soy el que más jodido está. Sé que las comparaciones son odiosas, pero a veces no se pueden evitar.
Y sí, a veces me comporto como si tuviera 6 años, me cego en mi mundito viendo videos en YT; viendo literalmente la vida pasar frente al monitor.
La dependencia hacia mis padres sigue existiendo. Con base en los errores que he cometido a lo largo de mi vida a veces puedo sentir que sigue intacta como si tuviera 4 años de edad. Estoy muy cabrón, lo sé.
Me rehúso totalmente a creer que no se pueda estar en el giro de tecnologías de información sin saber programar. Aquellos ingenieros 250k master race que lean esto, me encantaría que me corroboraran esta aseveración y si de verdad no se puede estar, mejor la neta me dedico a otra cosa porque se me haría tristísimo que no hubiera lugar para uno en ese giro. Repito que a mí lo que me gusta de TI es precisamente en lo que menos se gana y de lo que menos trabajo hay, pero eso me gusta hacer y siento que podría ser útil. Desde siempre amé las chambas de soporte técnico y el estar en un site.
Con todo esto que acaban de leer ustedes podrán darse cuenta de que realmente soy una persona sumamente afectada y que no tengo nada de capacidad de decisión.
¿Qué debería hacer? ¿Salirme a la brava? ¿Buscar trabajo en una refaccionaria? ¿Darme un puto balazo? Hace muchos años mi primo me dijo que si viviera en mi casa y con mi mamá ya se lo hubiera dado.
Finalmente con escribir y publicar todo esto busco inicialmente un consejo o que alguien se animara a contarme su experiencia si es que vivió algo parecido a lo mío y cómo es que superó tal nivel de miseria emocional y profesional para darme una idea de cómo proceder sabiendo que cada familia y cada persona tiene sus propios problemas y su propio criterio.
¿Qué cursos tomar a partir de mis estudios previos? ¿Qué libros leer para ajustar mi mente? ¿Qué le dirías a alguien como yo para que salga adelante y que dejara de tener lástima de sí mismo?
Saludos a todos y gracias por leer.
Peace!
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2020.06.03 21:39 pianogirl282 Historia de Venezuela 101: un recorrido a través de las campañas y jingles electorales (1973 - 1988)

Primero que nada, quisiera darle gracias a los mods por darme luz verde para escribir y publicar este post.
Desde que estudié la historia de Venezuela en la universidad, desarrollé un interés hacia las cuñas electorales y los jingles políticos. Y bueno, dada la cuarentena, me tomé la tarea de recolectar parte del material relacionado al tema, y decidí escribir este post por cultural general y compartirlo con ustedes.
DISCLAIMER: Aquí no estoy apoyando a ningún bando político en específico ni daré opiniones sobre los candidatos presidenciales como políticos, así que a los que sufren cada vez que leen los nombres de CAP, Caldera o Chávez, por favor respiren y tómense un vaso de agua antes de venir a drenar sus frustraciones aquí.
Empezamos:
Elecciones de 1973: Los candidatos principales fueron Carlos Andrés Perez (Acción Democrática), Lorenzo Fernández (COPEI), Jesús Paz Galarraga (MEP-PCV), José Vicente Rangel (MAS-MIR) y Jóvito Villalba (URD). El ganador fue CAP, quedando Lorenzo Fernández en segundo lugar.
La campaña electoral de 1972-1973 es sumamente importante para la historia política venezolana, debido a que es la primera vez que se implementan recursos como jingles publicitarios, estudios de focus group, estrategias de marketing y también incluyó la presencia de estrategas extranjeros para las campañas electorales, resaltando el caso del Grupo Gallup de Washington, US, que fueron quienes asesoraron mayormente la campaña electoral de CAP. Se dice que la campaña electoral de este periodo también originó el estudio de la opinión pública en el país.
CAP fue el pionero de la publicidad electoral. Su campaña presidencial se basó en las consignas "Ese hombre sí camina" y “Democracia con energía" que lo volvieron un candidato sumamente popular, ya que esas ideas lo acercaron mucho a la población de clase media/baja. Es la primera vez que en Venezuela se vendió un mensaje político. La campaña de CAP también se centró en el petroleo y sus posibilidades como instrumento económico y político.
CAP tuvo la asesoria directa de Clifford White y George Gaither, quienes eran de los mejores talentos de la mercadotecnia, y también trabajó con Chelique Sarabia, quien fue el compositor de sus jingles.
El jingle de CAP para esta campaña sin duda ha sido el más efectivo y popular en la historia del país, titulado "Ese hombre sí camina": Versión corta / Versión larga. La letra y la música fueron altamente efectivas, razón por la que se considera que Carlos Andrés ha sido el político más popular que ha tenido el país junto a Chávez. Su campaña lo vendió como un hombre del pueblo, honesto, reacio, que no tenía miedo a enfrentar a sus adversarios, etc.
Lamentablemente no encontré material audiovisual sobre los otros candidatos.
Elecciones de 1978: En esta oportunidad los candidatos principales fueron Luis Herrera Campins (COPEI) Luis Piñerua (AD), José Vicente Rangel (MAS), Diego Arria (Causa Común) y Luis Beltrán Prieto Figueroa (MEP) El ganador fue Luis Herrera, quedando Luis Piñerua como segundo con más votos.
Se dice que para esta campaña, a pesar de que también hubo asesoría externa de expertos en marketing, hubo un empobrecimiento en el mensaje electoral, aún cuando hubo incremento en la popularidad de los candidatos.
Luis Herrera tuvo una cuña publicitaria sin música, simplemente basada en que la pobreza no debía continuar. La cuña electoral se tituló "Carlota Flores". Aquí otro spot publicitario de LHC con la misma temática.
Sin embargo, a Herrera también se le conoce como el "presidente de la cultura" gracias a los aportes que hizo durante su presidencia a la cultura nacional.
En el caso de Luis Piñerúa, este sí tuvo un jingle político, también compuesto por Chelique Sarabia. Se tituló "¿Con quién estás tú, compañero?".
Nota: esto no es de importancia, pero mi abuela me cuenta que una tía estaba bebé durante esta campaña presidencial y le respondía al televisor "Correcto" cuando pasaban la cuña de Piñerua 😂
Del resto de los candidatos no encontré material audiovisual tampoco.
Elecciones de 1983: Los candidatos principales fueron Jaime Lusinchi (AD), Rafael Caldera (COPEI), Teodoro Petkoff (MAS) y José Vicente Rangel (MEP) El ganador fue Lusinchi, quedando Caldera en segundo lugar.
Para el momento de esta elección, ya la población sentía rechazo ante el gobierno de Herrera Campins, entre otras razones, por el viernes negro del 83. Se atribuye el concepto de "voto castigo" a la victoria de Lusinchi, quien no tenía una gran popularidad o carisma como político, y este tampoco tenía el apoyo de Rómulo Betancourt en AD.
La campaña de Lusinchi fue efectiva, aunque solamente tenía el mensaje electoral de "Sí". El jingle político se tituló "Dile sí a tu país". Es relativamente sencillo, con un caracter marcial y una letra súper simple y patriótica.
En el caso de Caldera, su campaña se basó en la consigna "Un millón de empleos" y además fue altamente personalista, basándose en él como hombre en vez de como político. Esta ocasión fue la quinta vez que Caldera se postuló a una elección presidencial. Su campaña fue impopular, debido a la crisis económica originada en el gobierno de Herrera-Campins, lo cual generó un rechazo hacia COPEI. Sin embargo, se dice que este ha sido el mejor resultado electoral que tuvo en su carrera política.
El jingle de Caldera decía: "Caldera, un hombre de experiencia, que sabe gobernar, un hombre inteligente, que sabe a dónde va" (video aquí)
Campaña electoral de Caldera/COPEI: 1, 2, 3, 4.
Campaña electoral de Lusinchi/AD: 1, 2, 3.
La campaña de JVR tuvo el slogan "Dale una oportunidad" y contó con el apoyo musical de Alí Primera. Tuvo el apoyo de la Liga Socialista junto al MER y PCV. Fue la tercera vez que se postulaba a presidente, y en esta ocasión fue resultado de una división con Teodoro Petkoff. Video aquí de su campaña.
En el caso de Teodoro Petkoff, fue su primera candidatura presidencial, apoyada por el MIR y MAS. Su slogan fue "Salvemos al país del abandono" y básicamente se basó en desprestigiar a gobiernos anteriores. El título de su cuña fue "Hamos vivío mar!" y muestra a una señora en estado de pobreza, cansada de la situación. Aquí la campaña electoral del MIR.
Elecciones de 1988: Los candidatos principales fueron Carlos Andrés Perez (AD), Eduardo Fernández (COPEI) y Teodoro Petkoff (MAS). El ganador fue CAP y quedó Fernández en segundo lugar.
Se mantuvo la misma estrategia de marketing electoral y propaganda proselitista con alta difusión en medios de comunicación. En el caso de CAP, este mantuvo su mismo concepto de hombre popular que le dio la victoria en 1973, pero ahora con la tarea de ganar de nuevo al pueblo, ya que este había perdido simpatía por AD tras la falta de carisma de Lusinchi.
La simpatía de CAP siempre fue el elemento más importante de sus campañas, mostrándolo como un hombre enérgico que estrechaba manos, hablaba con el pueblo, saltaba charcos, etc. En esta oportunidad, CAP contó con el apoyo de distintas celebridades, tal como José Luis Rodríguez "El Puma" y vendió el mensaje electoral basado en el recuerdo de la bonanza petrolera durante su primer mandato, y todos los aspectos postivos que trajo, tal como el programa de becas "Gran mariscal de Ayacucho"
Aquí un video del pianista David Ascanio (beneficiario del programa Ayacucho) formando parte de la propaganda a favor de CAP.
Sus jingles políticos fueron "Fuerza de la esperanza" y "Tamborera", sin embargo también siguió utilizando el muy exitoso "Ese hombre sí camina" de 1973.
Aquí hay un spot publicitario de CAP dando un mensaje, hablando de cómo ha sido un "profeta" originario del Táchira para el pueblo.
La campaña de Eduardo Fernández tuvo la consigna "Eduardo está contigo" y fue altamente criticada, ya que el candidato decidió aumentar su popularidad no solo visitando rancho por rancho, sino además quedándose a dormir en varios hogares de clases populares. Se dice que esto afectó su imagen. Aquí otros videos de su campaña con el apodo de "El tigre" (y aquí otro)
NOTA: Encontré un video electoral de este año, pero de una candidatura de Oswaldo Álvarez Paz, pero no logro ubicar si fue para estas elecciones o las del 93. Si alguien sería tan amable de aclarar, lo agradecería.
¡Gracias por leer! Si este post tiene popularidad, consideraré seguir la línea de tiempo desde 1993 hasta la campaña de Chávez en 2012.
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2020.05.06 16:04 Brazilian_Corruption "Mas o superintendente da PF foi promovido à diretor-executivo!!!! Como isso pode ser ruim????" Senta que lá vem história.

Vejamos o que está escrito e disponível para todos acessarem no regimento interno da Polícia Federal:

Art. 26. Às Superintendências Regionais, na sua área de atuação, compete:
  • I - planejar, dirigir, supervisionar, coordenar, orientar, fiscalizar e avaliar a execução das atividades, ações e operações correlatas à atuação da Polícia Federal;
  • II - administrar as unidades sob sua subordinação, em consonância com as normas legais vigentes e com as diretrizes emanadas das unidades centrais;
  • III - propor diretrizes específicas de prevenção e repressão aos crimes de atribuição da Polícia Federal, a fim de subsidiar o planejamento operacional das unidades centrais;
  • IV - executar operações policiais integradas com as unidades centrais, relacionadas à repressão uniforme dos crimes de atribuição da Polícia Federal;
  • V - apoiar as unidades centrais nas inspeções às suas unidades, dispondo dos meios e das informações necessárias;
  • VI - promover estudos e dispor de dados acerca das ações empreendidas, e consolidar relatórios de avaliação de suas atividades, com vistas a subsidiar o processo de gestão das unidades centrais;
  • VII - adotar ações de controle e zelar pelo uso e manutenção adequada dos bens imóveis, equipamentos, viaturas, armamentos e outros materiais sob sua guarda;
  • VIII - fiscalizar as obras e serviços de engenharia sob sua responsabilidade, bem como manter registro atualizado dos documentos, plantas prediais, obras e serviços em andamento; e
  • IX - coordenar, em âmbito regional, as atividades relativas à segurança de grandes eventos.
Hmm.. Interessante... quer dizer que um superintendente tem controle e acesso imediato à operações da PF em sua região.
Mas... idai, talkey? Um diretor-executivo ainda é superior ao seu subordinado!!!
Então, vamos ler as atribuições de um diretor-executivo:
Art. 37. Ao Diretor-Executivo incumbe:
  • I - substituir o Diretor-Geral em suas faltas ou impedimentos legais;
  • II - promover a execução das atividades, ações e operações correlatas à área sob sua responsabilidade;
  • III - prestar apoio técnico ao Diretor-Geral, no âmbito de suas atribuições;
  • IV - supervisionar as atividades das unidades descentralizadas, no âmbito de sua área de atuação;
  • V - propor diretrizes específicas referentes ao registro, controle e fiscalização de armas de fogo, explosivos, acessórios e munições, no âmbito da Polícia Federal;
  • VI - propor diretrizes específicas referentes ao registro, controle e fiscalização de produtos químicos de uso controlado, no âmbito da Polícia Federal;
  • VII - aprovar planos de operações conjuntas com outras unidades, centrais ou descentralizadas, ou com outros órgãos governamentais, com a participação de pessoal lotado em suas unidades, a fim de promover a integração de missões policiais;
  • VIII - planejar, definir, coordenar, implementar, acompanhar e avaliar, no âmbito da Polícia Federal, as ações de segurança para grandes eventos;
  • IX - aprovar planos, programas e projetos específicos de sua área de atuação;
  • X - expedir portarias, ordens e instruções de serviço, e aprovar manuais de procedimentos em matérias correlatas à área sob sua responsabilidade;
  • XI - prestar informações sobre matérias de sua atribuição, em atendimento a solicitações de órgãos externos;
  • XII - encaminhar ao Diretor-Geral relatórios de metas, de acompanhamento e de avaliação do desempenho de suas atividades;
  • XIII - supervisionar e orientar o funcionamento do serviço de segurança física das instalações do Edifício Sede e da recepção de visitantes;
  • XIV - autorizar o credenciamento de empresas de transporte internacional;
  • XV - conceder licenças de funcionamento para empresas de segurança privada e de transporte de valores, e autorizar a aquisição de armas e munições por tais empresas;
  • XVI - decidir os processos punitivos quanto às infrações às normas que regulamentam a atividade de segurança privada;
  • XVII - promover o intercâmbio de informações com entidades e organizações congêneres, em nível nacional e internacional, que mantenham acordos, convênios e tratados na área de polícia administrativa;
  • XVIII - indicar servidores ao Diretor-Geral para o provimento de cargos de direção, assessoramento superior e de funções gratificadas, no âmbito da Diretoria, bem como propor sua exoneração e dispensa;
  • XIX - promover o controle estatístico das ações de sua competência, consolidando indicadores para subsidiar as decisões da administração da Polícia Federal;
  • XX - aprovar normas orientadoras das ações de identificação humana civil e criminal;
  • XXI - coordenar e promover pesquisas, e difundir estudos técnico-científicos e suas aplicações, na área de identificação humana;
  • XXII - promover a cooperação internacional e a representação da Polícia Federal no exterior;
  • XXIII - fiscalizar a conformidade dos processos e procedimentos relativos à sua área de atuação às normas externas e internas;
  • XXIV - gerenciar os riscos de ações, projetos e iniciativas sob sua responsabilidade, de acordo com as diretrizes institucionais da gestão de riscos; e
  • XXV - implementar a gestão estratégica da Polícia Federal relativamente à sua área de atuação.
Oh wait, não passa de um cargo burocrático/administrativo... Que coisa não! Ngm liga, Sérgio Moro bad.
Ah e o diretor-geral da Polícia Federal, Rolando de Souza, já realizou cinco trocas em superintendências da corporação nos estados desde que assumiu (dia 04/05). [Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul, Alagoas, Paraíba e Tocantins].
Tirem suas próprias conclusões se isso é ou não uma interferência política.
Fonte: http://www.pf.gov.binstitucional/acessoainformacao/institucional/regimento-interno-da-policia-federal-1
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2020.03.24 21:39 aniballayoto ¿Cómo eliminar los bloqueos mentales que te alejan del éxito?

¿Cómo eliminar los bloqueos mentales que te alejan del éxito?
Si tienes el deseo de alcanzar el éxito y triunfar en la vida, primero deberás superar una serie de bloqueos mentales que se vuelven serios obstáculos que te impiden avanzar al ritmo que quieres, en algunos casos, la resistencia al cambio es tan grande, que muchas personas terminan por abandonar sus sueños.
https://preview.redd.it/8sln1rz8moo41.jpg?width=400&format=pjpg&auto=webp&s=83843b68cd3ae08629c6c26bd4989a6eab423191
Ejemplos de algunos bloqueos mentales que te alejan del éxito:
· No puedo hacerlo.
· Esta meta es imposible.
· En este país es demasiado complicado.
· Yo no tengo influencias para participar en política.
· Aquí hace demasiado calor.
· No tengo capital.
· Estamos en medio de una crisis.
· El país ha caído en recesión.
· Etc.
Cuando te convences a ti mismo que no es posible alcanzar una meta, así sucederá, el propio poder mental creará el autoboicot y los resultados serán nulos, a menos que modifiques esas percepciones y tomes la decisión de triunfar bajo cualquier circunstancia.
¿Cómo eliminar los bloqueos mentales que te alejan del éxito?
La forma adecuada de hacerlo, consiste en aceptar que el mundo general no existe y que la realidad material es tan solo una proyección de tu propio sistema de creencias, el libro YO SOY FELIZ, YO SOY RICO de Andrew Corentt te brinda una explicación muy profunda acerca del verdadero funcionamiento de este mundo, aquí entenderás que aunque los sentidos te dicen que existen los factores externos, lo cierto es que tú los creas, por lo tanto, cuando realizas un trabajo intensivo sobre ti mismo, las circunstancias externas se ajustarán para beneficiarte, ese es el gran pilar del poder personal.
El hecho de que tú eres el creador de tu mundo, no significa que todo será sencillo, deberás trabajar duro y enfocado para convencerte de los proyectos, obviamente es mucho más sencillo cuando sabes que solo dependes de ti mismo.
Si quieres eliminar los bloqueos mentales, entonces imagina que ya estás del otro lado del río, es decir, emplea el programa POTENTE VISUALIZACIÓN e imagina que ya cumpliste todos tus sueños, aférrate a esas ideas, de esa forma, lograrás que el poder de la mente poco a poco te vaya liberando de las ataduras y así eliminarás los bloqueos mentales, alcanzarás los éxitos que más anhelas.
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2020.03.22 21:29 loslan FAKE NEWS (reportado p/ Revista EXAME e Jornal Estadao) - A renomada Universidade Stanford, nos EUA – teria mostrado que o uso associado da hidroxicloroquina e azitromicina teria sido capaz de curar pacientes com coronavírus.

Essa "estória" repercutida e reproduzida como se verdadeira, foi criada por um investidor em blockchain chamado James Todaro... Ah! Mais ainda, o Vale do Silício correu jundo. A WIRED que fornece acesso gratuito e ilimitado a histórias sobre a pandemia de coronavírus revela como um documento do Google compartilhado no Twitter não é o modo como a ciência geralmente é feita...
FONTES - LINKs: ao final do texto
"A CONVERSA SOBRE uma droga promissora para combater o Covid-19 começou, como costuma acontecer (mas na ciência não), no Twitter. Um investidor em blockchain chamado James Todaro twittou que um medicamento contra a malária de 85 anos chamado cloroquina era um tratamento potencial e preventivo contra a doença causada pelo novo coronavírus. Todaro vinculou a um documento do Google que ele havia escrito, explicando a idéia. Embora quase uma dúzia de medicamentos para o tratamento do coronavírus esteja em testes clínicos na China, apenas um - remdesivir, um antiviral que estava em testes contra o Ebola e o MERS do coronavírus - está em testes completos nos EUA. Nada foi aprovado pela Food and Drug Administration. Portanto, um medicamento promissor seria ótimo - e melhor ainda, a cloroquina não é nova. Seu uso remonta à Segunda Guerra Mundial e é derivado da casca da árvore chinchona, como o quinino, um antimalárico de séculos de idade. Isso significa que o medicamento agora é genérico e é relativamente barato. Os médicos entendem bem e podem prescrever o que quiserem, não apenas a malária. O tweet de Todaro recebeu milhares de curtidas. O mundo da engenharia / tecnologia pegou a ideia. O blog de leitura extensiva Stratechery vinculado ao documento do Todaro no Google; Ben Thompson, editor do blog, escreveu que estava "totalmente desqualificado para comentar", mas que as evidências anedóticas favoreciam a idéia. Ecoando o documento, Thompson escreveu que o documento foi escrito em consulta com a Stanford Medical School, a Universidade do Alabama na faculdade de medicina de Birmingham e os pesquisadores da Academia Nacional de Ciências - nada disso é exatamente verdade. (Mais sobre isso daqui a pouco.) Um dos co-autores de Todaro, um advogado chamado Gregory Rigano, foi à Fox News falar sobre o conceito. O CEO da Tesla e da SpaceX, Elon Musk, twittou sobre isso, citando um vídeo explicativo do YouTubede um médico que vem fazendo uma série de explicadores de coronavírus. Para ser justo, Musk não estava interessado na idéia de não ter mais dados, embora tenha escrito que havia recebido uma dose salva de vida de cloroquina para a malária. É a definição de "grande se verdadeiro". Parte da história do Covid-19, do coronavírus SARS-CoV-2, é que ela é nova . Os seres humanos não têm imunidade a isso. Não há vacina, nenhum medicamento aprovado para tratá-lo. Mas se um medicamento existia - se um medicamento barato e fácil pode evitar as piores complicações que requerem ventilação e às vezes fatais da infecção por coronavírus, ou talvez prevenir essa infecção em primeiro lugar, para que estamos isolando socialmente, como otários? Que se - como diz o ditado - está dando muito trabalho. A pandemia de Covid-19 está causando, razoavelmente, um surto mundial enquanto cientistas e formuladores de políticas correm para encontrar soluções, nem sempre com competência ou eficiência. É o tipo de coisa que irrita a mentalidade de engenheiro-disruptor. Certamente, esse deve ser um problema facilmente resolvido, que é principalmente culpa da burocracia, da regulamentação e de pessoas que não entendem a ciência. E talvez as duas primeiras coisas sejam verdadeiras. A terceira coisa, porém, é onde os riscos se escondem. O Vale do Silício homenageia pessoas que correm em direção a soluções e ignoram problemas; a ciência é projetada para encontrar soluções, identificando esses problemas. As duas abordagens geralmente são incompatíveis . O que aconteceu aqui, especificamente, é que Rigano procurou Todaro. O tweet de Todaro identificou Rigano como afiliado à Johns Hopkins; O perfil de Rigano no LinkedIn diz que ele está de licença de um programa de mestrado em bioinformática e foi consultor de um programa em Stanford chamado SPARK, que faz a descoberta de medicamentos translacionais - encontrando novos usos e pedidos de medicamentos aprovados. "Eu tenho uma experiência muito única na encruzilhada do direito e da ciência", diz Rigano. "Trabalho com grandes empresas farmacêuticas, universidades, biotecnologias e organizações sem fins lucrativos no desenvolvimento de medicamentos e produtos médicos". Ele diz que esses contatos o informaram sobre o uso de cloroquina contra o Covid-19 na China e na Coréia do Sul, então ele começou a ler sobre ele. (Johns Hopkins não retornou uma solicitação de comentário; um porta-voz dos e-mails da Stanford Medical School: “A Stanford Medicine, incluindo a SPARK, não esteve envolvida na criação do documento do Google, e solicitamos que o autor remova todas as referências a Além disso, Gregory Rigano não é consultor da Faculdade de Medicina de Stanford e ninguém em Stanford esteve envolvido no estudo. ”) Acontece que as pessoas lançam cloroquina como antiviral há anos. No início dos anos 90, os pesquisadores o propuseram como um complemento aos medicamentos inibidores da protease precoce para ajudar a tratar o HIV / AIDS. Uma equipe liderada por Stuart Nichol, chefe da Unidade de Patógenos Especiais dos Centros de Controle e Prevenção de Doenças, publicou um artigo em 2005 dizendo que a droga era eficaz contra células primatas infectadas com SARS, o primeiro grande coronavírus respiratório a afetar seres humanos. É um teste in vitro, não animais vivos - apenas células. Nichol não respondeu a um pedido de comentário, mas um porta-voz do CDC enviou um e-mail: “O CDC está ciente de relatos de vários medicamentos sendo administrados para tratamento ou profilaxia para o COVID-19, incluindo aqueles que demonstram atividade in vitro contra o SARS-CoV- 2. Neste momento, é importante garantir que dados clínicos robustos, coletados em ensaios clínicos, sejam obtidos rapidamente, a fim de tomar decisões clínicas informadas sobre o manejo de pacientes com COVID-19. ” Em uma conferência de imprensa da Organização Mundial da Saúde em fevereiro, um repórter do grupo de verificação de fatos Africa Check perguntou se a cloroquina era uma opção. Janet Diaz, chefe de atendimento clínico do Programa de Emergências da Organização Mundial da Saúde, respondeu que a OMS estava priorizando alguns outros medicamentos nos testes junto com o remdesivir e reconheceu que os pesquisadores chineses estavam trabalhando ainda mais. "Para a cloroquina, não há provas de que este seja um tratamento eficaz no momento", disse Diaz. "Recomendamos que a terapêutica seja testada em ensaios clínicos eticamente aprovados para mostrar eficácia e segurança". A cloroquina e uma versão alternativa chamada hidroxicloroquina parecem funcionar contra vírus, inibindo um processo chamado glicosilação, uma transformação química das proteínas na camada externa do vírus que faz parte do processo de infecção. Pesquisadores chineses iniciaram talvez meia dúzia de ensaios randomizados das duas versões em humanos e obtiveram pelo menos alguns dados iniciais promissores. Com esses dados em mente, um pesquisador francês de doenças infecciosas chamado Didier Raoult publicou uma rápida revisão dos estudos in vitro existentes de cloroquina e hidroxicloroquina e (junto com alguns outros pesquisadores ) recomendou não apenas aumentar a pesquisa em humanos, mas também começar a usar os medicamentos clinicamente. (Raoult não retornou um pedido de comentário, mas um publicitário do hospital em que trabalha enviou um link para um vídeo no qual Raoult apresenta dados que ele diz mostrar eficácia em um pequeno grupo de humanos reais. Esses dados não foram publicados ou revisado por pares.) Exceto pelo vídeo, que ainda não havia sido lançado, Rigano montou tudo isso e entrou em contato com Todaro. "Essencialmente, escrevi a publicação com base em minha interface com vários pesquisadores de Stanford e outros, e desenvolvemos esse corpo de evidências e ciência hardcore", diz Rigano. “James, Dr. Todaro, estava fazendo o melhor trabalho, pensei, em qualquer pessoa da mídia, qualquer médico, qualquer agência de notícias, qualquer pessoa no Twitter, ao cobrir o coronavírus. Eu acompanho sua pesquisa em outros itens, como computação descentralizada, há vários anos. ” Todaro, que obteve um MD da Columbia e agora é um investidor de bitcoin, estava interessado o suficiente para colaborar no documento. "Eu adicionei coisas que pertenciam mais ao lado médico das coisas e dei uma sensação mais clínica, acho", diz Todaro. “Algo que a Big Pharma não vai gostar - está amplamente disponível, é bem barato e é algo que pelo menos um milhão de pessoas já está participando. Na verdade, existem muitos aspectos de algo que podem ser lançados rapidamente se os dados clínicos corretos estiverem disponíveis. ” Todaro e Rigano juntos começaram a conversar com Raoult sobre o pequeno estudo que ele estava preparando, e também chamaram um bioquímico aposentado chamado Tom Broker. Ele foi originalmente listado como o primeiro autor do documento do Google, seu nome seguido por "(Stanford)". Foi aí que Broker obteve seu doutorado, em 1972, mas Broker está há anos na Universidade do Alabama, em Birmingham. Sua área de pesquisa é o adenovírus e o papilomavírus humano, que têm DNA como material genético, em oposição ao RNA dentro dos coronavírus. Eles são bem diferentes. Broker diz que não estava envolvido na produção do documento do Google e nunca defenderia o uso de um medicamento sem testes formais. Todaro e Rigano, desde então, removeram o nome dele, a pedido de Broker. “Eu não contribuí, escrevi qualquer parte ou tive conhecimento deste documento do google.com.br. Nunca conduzi pesquisas sobre patógenos do vírus RNA. Não tenho credenciais ou autoridade profissional para sugerir ou recomendar ensaios ou práticas clínicas ”, escreveu Broker em um email. “Aparentemente, fui inserido como autor 'gratuito', uma prática que sempre evitei em meus 53 anos de carreira. Além disso, nunca envolvi nenhuma parte das mídias sociais, privada ou profissionalmente. Todas as minhas publicações científicas são processadas por meio de revisão por pares. Sugiro que você se comunique com um dos autores reais. Questionado sobre a declaração de Broker, Todaro diz que Broker simplesmente não queria se envolver com a atenção que a idéia e o documento estavam recebendo. “Eu não conheço pessoalmente Tom Broker. Minha correspondência foi com o Sr. Rigano ”, diz Todaro. "Quando começamos a receber informações da imprensa, minha impressão foi que o Sr. Broker ficou muito impressionado com isso". Rigano diz que também foi sua impressão. "Dr. Broker é um cientista da mais alta ordem. Ele não está acostumado a esse tipo de atenção da mídia, então nós meio que precisamos continuar sem ele aqui ”, diz Rigano. "Ele não está pronto para a mídia, se tornando uma celebridade." O documento de cloroquina que Todaro e Rigano escreveram espalhou quase - desculpe por isso - viralmente. Mas mesmo que algumas pessoas estejam dizendo que esse é um tratamento, ele ainda não foi submetido a um estudo de controle randomizado em larga escala, o padrão ouro para avaliar se uma intervenção médica como uma droga realmente funciona. Até que isso aconteça, a maioria dos médicos e pesquisadores diria que a cloroquina não pode ser nenhum tipo de bala mágica. “Muitos medicamentos, incluindo cloroquina ou hidroxicloroquina, trabalham nas células do laboratório contra os coronavírus. Foi demonstrado que poucos medicamentos funcionam em um modelo animal ”, diz Matthew Frieman, microbiologista que estuda terapêutica contra os coronavírus na Universidade de Maryland. O que acontece se você colocar os medicamentos em animais? Ninguém sabe ainda. Provavelmente nada de ruim, porque eles são usados há décadas. A ação da cloraquina, diz Frieman, “é conhecida há algum tempo por outros coronavírus, mas nunca se desenvolveu como terapêutica testada em humanos. Há razões para acreditar que isso vai mudar agora, junto com outras terapêuticas que têm eficácia no laboratório. ” Isso ocorre porque o novo coronavírus está incentivando a pesquisa a retomar praticamente qualquer coisa que já tenha mostrado algum efeito sobre os coronavírus, e algumas novas idéias também. Rigano diz que ele e Todaro estão agora realizando seus próprios ensaios clínicos, embora não esteja claro como eles pretendem coletar ou apresentar os dados. Eles esperam que os médicos se inscrevam como sujeitos e depois prescrevam a hidroxicloroquina para si mesmos enquanto tratam pacientes com Covid-19. Quando perguntado sobre o que seria o grupo de controle - médicos que pareciam pacientes que não tomaram o remédio, talvez? --Igano teve algumas idéias. “Você pode usar controles históricos, a taxa de médicos infectados que não usavam hidroxicloroquina regularmente. E se existem médicos que gostariam de participar do estudo que gostariam de não tomar hidroxicloroquina, eles também seriam excelentes controles ”, diz Rigano. “Ético, não queremos que ninguém contrate esse vírus. É realmente um design maravilhoso. ” Rigano diz que está conversando com a equipe de quatro hospitais australianos sobre a realização de um estudo maior e randomizado, depois de um com médicos voluntários. Rigano e Todaro sabem que um documento do Google compartilhado no Twitter não é o modo como a ciência geralmente é feita. Mas eles dizem que não há tempo a perder, que a pandemia está se movendo rápido demais para a ciência tradicional. "Isso levaria meses", diz Todaro. "Eu odiaria apostar em coisas que encontraríamos em meses ou em uma vacina que sai em meados do final de 2021". Eles não são os únicos com essas preocupações, é claro. O modelo mais recente do progresso do Covid-19 do Imperial College London apresenta o pior cenário de pior caso que envolve milhões de mortes, ou distanciamento e proteção social em todo o planeta por mais de um ano. A distância social pode dar aos hospitais uma chance melhor de acomodar e tratar os doentes, mas, com menos força, a doença simplesmente volta. As únicas coisas que mudariam esses resultados são vacinas ou medicamentos." Fonte: WIRED é onde o amanhã é realizado. É a fonte essencial de informações e idéias que fazem sentido para um mundo em constante transformação. - WIRED MAGAZINE LINKs: https://exame.abril.com.bciencia/o-que-e-a-cloroquina-remedio-promissor-contra-o-novo-coronavirus/ https://saude.estadao.com.bnoticias/geral,droga-usada-para-malaria-tem-resultado-positivo-contra-coronavirus,70003240466
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2020.03.18 19:34 GuhPilon ECONOMIA E MAQUIAGEM VERDE

ECONOMIA E MAQUIAGEM VERDE
Conceituação e análise do ecodesenvolvimento na era moderna e contemporânea, esclarecendo dúvidas sobre as diversas terminologias empregadas em diferentes momentos da história
Limeira – SP
2019
Economia verde
As cores, podem transmitir sentimentos, emoções e sensações. Comumente podemos associa-las a objetos e até acontecimentos, utilizando de artifícios para fixar o conteúdo desejado no imaginário da população.
Um bom exemplo ocorreu na revolução francesa, onde seu lema inspirou as cores da bandeira, sendo azul liberdade, branco igualdade e vermelho a fraternidade. Há também exemplos mais recentes como as campanhas do outubro rosa, promovendo incentivo a prevenção ao câncer de mama, ou também setembro amarelo, em prevenção ao suicídio.
Com a revolução Industrial, o modelo de mercado mudou significativamente, ampliando tanto a oferta quanto a demanda. O Fordismo, Taylorismo e Toyotismo trouxeram o modelo de produção como conhecemos hoje, tendo como consequência também o desmatamento e emissão de gases que futuramente agravariam o efeito estufa, tornando inviável continuar com esse método de produção e consumo.
Partindo de uma época onde as empresas respondiam exclusivamente aos seus investidores e visando apenas o lucro, houve diversas tentativas de mensurar até onde seria considerada uma taxa de exploração sustentável.
A Conferencia de Estocolmo, realizada entre 5 a 16 de julho de 1972, trouxe os holofotes de todo o mundo para o meio ambiente, buscando conciliar os avanços econômicos com o meio ambiente. Como resultado desse primeiro esforço, surgiu a declaração de Estocolmo, declarando seus 26 princípios e a criação do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (PNUMA). Nessa conferencia o Brasil foi fortemente de encontro com as propostas, vendo a degradação do meio ambiente como um mal necessário para que houvesse progresso. Por pressão interna e externa, foi criada a Secretaria Especial de Meio Ambiente.
A partir desse esforço inicial, alavancou-se diversos outros movimentos voltados a um desenvolvimento sustentável e como estratégia de fixação no imaginário da população, atribuíram a cor Verde em iniciativas ambientais.
No contexto da Agenda 21 lançada na Eco 1992, foi elaborado um novo modelo econômico “economia verde” (Elaborado em 2008 pelo Pnuma), que se tornou o principal assunto na Rio+20 , estando relacionado a mudança climática que é o agora famoso efeito estufa. Nessa reunião os principais objetivos foram: a redução de emissão de CO₂ , eficiência no uso de recursos naturais e energia renovável . Há diversas críticas, pois nela se aceita a apropriação dos recursos naturais, estipulando valores monetários, não levando em consideração a singularidade de cada bioma, associando o nome economia verde a green washing ou maquiagem verde.
Com a popularização do tema, várias empresas buscam conciliar seus meios de produção com a sustentabilidade, não apenas para preservar o meio ambiente, mas por pressão de seus consumidores, agora atentos com os fatores ambientais. Por esse motivo foram criadas medidas voltadas a conservação do meio ambiente, como, por exemplo, a ISO14001 que certifica com seu selo as organizações que aplicam seu ciclo de melhoria denominado de Plan Do Check act (PDCA) sendo:
Plan : Estabelecer quais são os objetivos a serem alcançados
Do: Após o reconhecimento dos problemas deve-se executar o plano de ação para alcançar esse objetivo.
Check : Usada em conjunto com a faze “Do” , é um acompanhamentos das tarefas , monitorando o desempenho , caso haja algum empecilho , é utilizada para sana-lo.
Act: Nesta etapa, devemos analisar se as metas foram alcançadas, caso não sejam, deve-se adotar ações corretivas sanando os déficits.
Com essa nova vertente no mercado, deve-se atentar com o green washing denominado também de maquiagem verde , que utilizam do marketing para apresentar uma falsa ideia de empresa ecologicamente correta , para seus consumidores , que priorizam o consumo de produtos sustentáveis, por meio de propagandas enganosas , e mascarando muitas vezes processos que agridem o bioma ou exagerando em afirmações irrelevantes.
O termo sustentabilidade surge na conferência de Estocolmo, com o intuito de conciliar um limite máximo de exploração, de modo que não comprometa o ecossistema. Veiga acusa que hoje o termo “sustentabilidade” está banalizado, usado excessivamente para tratar muitas vezes em assuntos não correlacionados com o meio ambiente. O que pode ser visto em diversas propagandas onde utilizam a terminologia para chamar atenção do público, sem realmente estar congruente com a eficácia prática do fato.
Quebra de Página
REFERENCIAS
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RIDOLFI, Maurizio. A esfera simbólica e iconográfica no percurso de pesquisa de Agulhon .Disponível em: Acessado em: 18/02/2020
ANDRADE, Milton. Significado psicológico das cores no comportamento dos consumidores. 21/05/2016 Disponível em: Acessado em: 18/02/2020
RIBEIRO, W.C.A ordem ambiental internacional. Ed São Paulo. 2001 Disponível em: https://cetesb.sp.gov.bproclima/conferencias-internacionais-sobre-o-meio-ambiente/estocolmo/ >Acessado em: 18/02/2020
RIBEIRO, Andressa de Freitas. Taylorismo, fordismo e toyotismo. Revistas PUC SP. 2015 Disponível em: Acessado em: 18/02/2020
SAWYER. Donald. Economia Verde e / ou Desenvolvimento Sustentável? 2011 Disponível em: Acessado em: 18/02/2020
CHIAPETTA, Maria Santos. Oque é economia verde? Disponível em: Acessado em: 18/02/2020
BARBOSA, Vanessa. Os 6 Setores mais promissores da economia verde. 13/09/2016 Disponível em: https://exame.abril.com.beconomia/os-6-setores-onde-a-economia-verde-mais-avanca/ Acessado em: 18/02/2020
JUNIOR, Carlos. Ciclo PDCA: uma ferramenta imprescindível ao gerente de projetos 30/05/2017 Disponível em: https://www.projectbuilder.com.bblog/ciclo-pdca-uma-ferramenta-imprescindivel-ao-gerente-de-projetos/ Acessado em: 18/02/2020
MENA, Isabela. Verbete Draft: O que é Greenwashing? 27/09/2017 Disponível em: https://www.projetodraft.com/verbete-draft-o-que-e-greenwashing/ Acessado em: 18/02/2020
DINIZ. Eliezer M. Economia verde e sustentabilidade. 15/12/2011 Disponível em: http://www.scielo.bscielo.php?pid=S0103-40142012000100024&script=sci_arttext Acessado em: 18/02/2020
FONSECA. Igor Ferraz da. Sociedade e estado. 04/2019 Disponível em: http://www.scielo.bscielo.php?script=sci_arttext&pid=S0102-69922009000100003 Acessado em: 18/02/2020
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2020.03.13 02:00 DaniEIdiomas Reglas del subreddit de Dani E Idiomas

La moderación de los posts de esta comunidad se van a regir por la siguiente lista de reglas. Por favor, leedlas con detenimiento para saber en detalle cómo se puede interactuar con esta comunidad :

FUNCIONAMIENTO
· Los posts los modera el administrador, Daniel Lucas Hernández, a la cabeza del proyecto Dani E Idiomas. En su lugar, le seguirán los moderadores designados, quienes siguen las mismas directrices. Los moderadores que incumplan el requisito anteriormente indicado serán destituidos.
· Esta lista de reglas puede ir variando con el tiempo, pero la aplicación de las nuevas reglas no se aplican con retroactividad a no ser que sea por motivos de fuerza, como lo puede ser las infracciones de leyes; no se aplican nuevas reglas a posts antiguos.
· Esta lista de reglas vendrá dada al final del documento con la última fecha de actualización para una mejor referencia.
INTERACCIÓN
· Al estar participando en este subreddit, se da por cierto que se han leído y entendido las reglas, se haya hecho en realidad o no, y por ello se actuará en consecuencia sin dejar espacio a escusas como el desconocimiento o la inconsciencia.
· Ningún responsable de la moderación de esta comunidad se hace responsable de la veracidad o de la aceptación de veracidad de la información personal aportada por los usuarios en esta comunidad.
· Se admiten menores en la discusión y participación de esta comunidad.
· Se reportarán aquellos usuarios que intenten ponerse en contacto con menores que participen en la comunidad en los casos en que ocurran estos eventos: de saberse que lo son por referencia directa en los posts o respuestas; si se tienen pruebas visuales (una captura de pantalla de móvil u ordenador sin modificación alguna); si el intercambio de información ha inducido a una parte a vulnerar su integridad, anonimato, percepción externa, situación financiera.
· No se admiten publicaciones de contenido explícito o sugerente, a no ser que en última instancia sea relevante sobre el tema a discutir o debatir y que tenga peso suficiente a juicio del administrador o moderadores.
CONTENIDOS
· No hay tema único en esta comunidad, aunque principalmente se centre en los idiomas, su historia, evolución, comparativas, cultura, literatura, fragmentos de texto, política, etc.
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2019.12.25 20:03 rafaeldiehl Benjamin Tucker, anarquista de Boston

Benjamin Tucker, anarquista de Boston
Por Cory Massimino
O movimento libertário americano não se recuperaria por décadas da cisão causada pela Guerra Civil dos Estados Unidos. Conflitos internos entre abolicionistas que eram favoráveis à guerra e à invasão do Sul, que enxergavam a guerra como inevitável e necessária para pôr um fim à escravidão, e aqueles que pensavam que a guerra era moralmente inaceitável e desnecessária para acabar com a escravidão fizeram com que o movimento libertário se dividisse em vários movimentos sociais radicais menores. Entre eles estavam o livre pensamento, o amor livre e o movimento trabalhista. Depois de 1865, a tradição individualista sobreviveu como parte dessas causas mais amplas, embora não como um movimento coeso. Dado o crescimento astronômico do estado devido à guerra e o declínio do pensamento radical individualista, parecia que a chama da liberdade havia se apagado.
Nascido em 17 de abril de 1854 em Massachusetts, Benjamin Tucker cresceu em uma família quaker e unitarista radical. Tucker se matriculou no MIT, mas após conhecer três importantes anarquistas individualistas (Ezra Heywood, William B. Greene e Josiah Warren) em uma convenção da New England Labor Reform League em Boston em 1872, Tucker se tornaria um ativista, jornalista e ensaísta anarquista. Se aliaria fortemente ao movimento trabalhista e teria algumas conexões com os movimentos do livre pensamento e do amor livre (assim como seus colegas). O núcleo comum em todo o seu pensamento, porém, era o individualismo.
Tucker construiu sua teoria do anarquismo individualista (que chamava de “anarquismo de Boston” para distingui-lo dos “anarquistas de Chicago”, que eram geralmente menos favoráveis às ideias de mercado e mais favoráveis à violência como meio para a mudança social) sobre os princípios da soberania individual e da teoria do valor-trabalho (que era aceita por muitos importantes economistas desde Adam Smith, mas que foi suplantada mais tarde dentro da profissão econômica pela revolução marginalista, encabeçada por Carl Menger, William S. Jevons e Leon Walras). Para os anarquistas do século 19, a teoria do valor-trabalho — de acordo com a qual o “custo é o limite do preço” — era a extensão natural da soberania do indivíduo sobre si mesmo. O trabalho era visto como a fonte de toda a riqueza e o trabalhador naturalmente tem propriedade sobre os frutos de seu trabalho como extensão de sua propriedade sobre si. A teoria do valor de Tucker estava intimamente ligada às suas visões éticas, segundo as quais cada indivíduo é o único legítimo soberano sobre seu corpo e sua propriedade justa, que requeria a mistura de seu trabalho.
Tucker e seus colegas anarquistas individualistas eram anticapitalistas, mas favoráveis ao livre mercado. Enxergavam o capitalismo como uma economia estatista que beneficiava artificialmente os capitalistas às custas dos trabalhadores através da extração do valor excedente do trabalho por rents artificiais. Tucker pensava que os frutos das classes trabalhadoras são sistematicamente e coercitivamente tomados pelas elites sob o estatismo. Ele via o estado como patrocinador da classe dominante. Identificava quatro grandes monopólios: o da moeda, da terra, das patentes e das tarifas (Charles Johnson já identificou ainda mais deles). O papel desses monopólios era concentrar capital nas mãos de poucos e criar um sistema de trabalho assalariado. A origem desses monopólios, porém, não está no livre mercado, mas no estado.
Ao invés de adotar uma retórica pró-capitalista e uma vez que os anarquistas americanos viam os capitalistas como braços do estado, eles eram bastante simpáticos ao termo “socialismo” (alguns anarquistas individualistas contemporâneos pretendem retomar o termo “socialismo” do jugo dos socialistas estatistas). Tucker acreditava que havia uma visão única que juntava todos os socialistas, de Warren e Proudhon a Marx, que era:
[Que] o custo é o limite do preço — esses três homens fizeram as seguintes deduções: que a remuneração natural do trabalho é o seu produto; que essa remuneração, ou produto, é a única fonte justa de rendimentos (ignorando, é claro, presentes, heranças etc.); que todos aqueles que derivam suas riquezas de qualquer outra fonte as extraem direta ou indiretamente da remuneração justa e natural do trabalho; que esse processo de extração geralmente toma três formas — juro, renda e lucro; que esses três constituem a trindade da usura e são simplesmente diferentes métodos de arrecadar tributos pelo uso do capital; que o capital, sendo apenas trabalho armazenado que já foi remunerado em sua totalidade, deve ser de uso gratuito, sob o princípio de que o trabalho é a única base do preço; que o credor de capital tem direito ao seu retorno intacto e nada mais; que a única razão pela qual o banqueiro, o acionista, o senhorio, o manufatureiro e o mercador são capazes de extrair usura do trabalho se deve ao fato de que são sustentados por privilégios legais — ou monopólios; e que a única forma de garantir que o trabalho usufrua de seu produto total, ou de sua remuneração natural, é acabar com o monopólio.
Tucker fazia uma distinção entre o socialismo de estado e o socialismo de mercado. Seu programa socialista individualista consistia “na destruição desses monopólios e na substituição deles pela livre concorrência” e se baseava “num princípio fundamental: a liberdade do indivíduo, seu direito soberano sobre si mesmo, sobre seus produtos e suas relações, e seu direito de rebelião contra as ordens de uma autoridade externa”. A abolição dos monopólios (isto é, a reforma econômica) se tornou o objetivo principal de Benjamin Tucker e sua missão era ser “um defensor da justiça para o trabalho”. Sobre suas duas maiores influências, Tucker escreveu:
Quando Warren e Proudhon, em sua luta pela justiça para os trabalhadores, se depararam com o obstáculo dos monopólios de classe, eles observaram que esses monopólios eram sustentados pela autoridade e concluíram que a coisa a ser feita não era fortalecer essa autoridade e assim tornar o monopólio universal, mas extirpá-lo totalmente e assim brandir o princípio oposto — a liberdade —, tornando a competição, a antítese do monopólio, universal.
Tucker rejeitava a visão de Marx e dos socialistas de estado, caracterizando-a como a “doutrina de que todas as relações humanas devem ser gerenciadas pelo governo, sem levar em consideração a escolha individual”, seguindo os ensinamentos dos individualistas (principalmente Warren e Proudhon):
Assim como a ideia de tirar o capital dos indivíduos e dá-los para o governo levou Marx a um caminho que termina ao transformar o governo em tudo e o indivíduo em nada, a ideia de tirar o capital dos monopólios protegidos pelo governo e colocá-los ao alcance de todos os indivíduos colocou Warren e Proudhon no caminho que termina na transformação do indivíduo em tudo e do governo nada. Se o indivíduo tem o direito de governar a si mesmo, toda autoridade externa é tirânica. Daí a necessidade de se abolir o estado.
São precisamente as barreiras à entrada e as regulamentações econômicas criadas pelo estado que impedem a competição e, portanto, concentram o poder econômico e os recursos nas mãos de algumas poucas elites políticas. De acordo com Tucker, a exploração capitalista, à qual Marx legitimamente se opunha, se baseia na autoridade do estado. A rejeição da autoridade significa a adoção do “anarquismo, que pode ser descrito como a doutrina de que todas as relações humanas devem ser gerenciadas pelos indivíduos ou por associações voluntárias e de que o estado deve ser abolido”.
Tucker, em seu “jeffersonianismo sem medo” deu origem a um novo movimento libertário em 1881 quando fundou o jornal Liberty, um canal de divulgação daquilo que Tucker chamava de anarquismo filosófico, especificamente de sua própria variedade, que incorporava o pensamento pró-trabalho, pró-mercado e egoísta, influenciado fortemente por Josiah Warren, Pierre-Joseph Proudhon (o autor do slogan do jornal, “A mãe, não a filha da liberdade”), Herbert Spencer e Max Stirner. O periódico servia como divulgação de suas visões na cena política radical americana e também como plataforma para um discurso que moldaria a tradição individualista e o movimento libertário para sempre.
Os individualistas, juntamente com os livre-pensadores, o amor livre e o movimento trabalhista foram unidos pelo jornal Liberty, que publicava os trabalhos de radicais influentes como Lysander Spooner, Auberon Herbert, Joshua K. Ingalls, John Henry Mackay, Victor Yarros e Wordsworth Donisthorpe. Suas páginas traçaram e criaram vários debates internos e controvérsias dentro da tradição radical individualista por três décadas e, de acordo com Wendy McElroy, “forneceram um núcleo em torno do qual um movimento revitalizado poderia surgir e crescer”. Ao reunir as tradições individualistas remanescentes da cisão da Guerra Civil, Tucker e Liberty foram instrumentais no renascimento do movimento libertário americano e vitais para seu sucesso no século 20.
O jornal do livre pensamento Boston Investigator deu boas-vindas à primeira edição de Liberty em 1881 dizendo: “O Sr. Tucker tem a capacidade, a indústria, o radicalismo e a independência para fazer um jornal interessante e sugestivo”. O jornal claramente ultrapassou as expectavias.
Em 1908, no entanto, Liberty chegava ao fim da linha e em 1930 meu radical de Boston preferido também já pensava que a própria liberdade tinha acabado:
[O] obstáculo insuperável à realização da Anarquia não é mais o poder dos trustes, mas o fato incontestável de que nossa civilização está à beira do colapso. Talvez duremos ainda alguns séculos; por outro lado, uma década pode precipitar nosso fim. (…) Uma idade das trevas é certa. O Monstro, o Mecanismo, está devorando a humanidade.
Nove anos mais tarde, Benjamin Tucker morria acreditando que a chama da liberdade havia se apagado permanentemente. Eu espero que, quase cem anos depois, o movimento libertário que deve seu renascimento e sua existência à chama de Tucker em 1881 não deixe que sua chama radical e independente jamais se apague.
Traduzido por Erick Vasconcelos.Artigo original: http://c4ss.org/content/37324
https://preview.redd.it/f2dkjb6sut641.jpg?width=696&format=pjpg&auto=webp&s=0c0ddc8ea4e07f1ab8ae0697cddf86f0d3013a05
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2019.09.10 23:00 Severianes Martes de ciencia en República Argentina: Lo que voló con la Bomba

Lo que voló con la Bomba

El mes pasado se cumplieron 74 años de la bomba de Hiroshima. Ese día murieron 250000 personas en una fracción de segundo. Y cambió el mundo. De una forma tan dramática, que se hace difícil verlo hoy, porque cuesta imaginar un contexto diferente.
Junto con el nazismo, las armas nucleares fueron la principal justificación del movimiento anticientífico en la segunda mitad del siglo XX. La izquierda occidental mutó desde su falacia inicial de que marxismo era una teoría científica de la Historia, a su presente desvarío de que la ciencia es un invento capitalista.
Se generaron fábulas sobre como la ciencia había justificado al nazismo, cuando en los hechos esas justificaciones nunca tuvieron nada de científicas. Se inventó una visión de la ciencia como la responsable de la bomba atómica, algo que sonaría ridículo si no fuera porque está tan difundido. Peor aún, se invento una doctrina de responsabilidad social de los científicos, como si los logros científicos fueran inventos, en lugar de descubrimientos, y como el científico pudiera elegir qué descubrir.
Se empezó a juzgar a las ideas científicas en términos de su peligrosidad política, como si la realidad tuviera que ajustarse a premisas ideológicas. En lugar de clarificar que el "racismo científico" nunca fue ciencia, prácticamente se prohibió pensar en el ser humano como un ente biológico. Todavía hoy si hablás de cualquier tipo de diferencia innata entre las personas, sos inmediatamente y sin discusión tildado de nazi.
Todo eso derivó en un anticientificismo militante, impulsado paradójicamente desde la izquierda y el progresismo en todos los niveles. Y es raro porque hasta la segunda guerra mundial eran los grandes estamentos conservadores los que propugnaban la irracionalidad y el pensamiento mágico en las clases populares. Luego de la Guerra en cambio, el progresismo se puso con entusiasmo la camiseta retrógrada que hasta hacía poco llevaban las iglesias y las oligarquías.
El marasmo intelectual en el que el mundo está sumido, desde Trump hasta Macri, tiene mucho que ver con esa actitud progresista hacia el conocimiento. En el paupérrimo nivel intelectual del debate público, en Argentina y el mundo, el negacionismo progresista tiene una enorme responsabilidad.
Por supuesto que la derecha ayudó, son banales pero no estúpidos. Adoptó el discurso ñoño del progresismo podando cualquier detalle monetario. Con la caída del muro y el fin de los estados comunistas que aún mantenían el positivismo como justificación, el posmodernismo se hizo dueño de la mente occidental.
Hoy en día el ciudadano de a pié no distingue la ciencia de cualquier cosa que haga un científico. Y lo triste es que buena parte de los académicos en las áreas humanas, tampoco. Entonces si un científico dice y hace algo deplorable su responsabilidad se traslada del ámbito personal al epistemológico. Fue "la ciencia", no el científico.
Por ejemplo, los experimentos secretos con medicamentos en Centroamérica en los 70's no son responsabilidad de una decena de políticos y empresarios de EEUU, sino de la ciencia como modo de adquisición de conocimiento. Los 250000 muertos por la bomba de Hiroshima no son responsabilidad de Harry Truman sino de la Teoría de la Relatividad y del pobre Albert Einstein.
Se asimila el realismo, la idea de que existe una realidad externa y que podemos entenderla, al autoritarismo de negar opiniones diferentes.
Al no distinguir la ciencia como método, de lo que haga cualquiera que se diga científico, se niega en carácter humano de los científicos. El científico hace ciencia cuando, en un laboratorio, aplica el método al conocimiento de la realidad. No cuando va a cagar o cocina fideos.
Albert Einstein es un lindo ejemplo. Fue pacifista en todas las guerras, algo bastante generalizado en la comunidad científica de entonces y de ahora, que siempre fue muy internacional. De hecho -si no recuerdo mal- fue a la cárcel en Alemania durante la primera guerra por oponerse abiertamente al conflicto.
Su teoría de la Relatividad de 1905 decía que la materia y la energía eran la misma cosa, dos aspectos de la misma cantidad. A alguien se le ocurrió que si se pudiera extraer la energía en un átomo, se podría hacer una bomba. Por supuesto, hecha esa promesa, los estados imperiales empezaron a investigarla. Pero entre la teoría de la Relatividad y la explosión de Hiroshima pasaron 40 años. En esas décadas se descubrió nada menos que toda la Mecánica Cuántica. No hay absolutamente ningún modo en el que Einstein podría haber previsto en 1905 el resultado de su famoso artículo. Es absurdo siquiera plantearlo.
Ya famoso, Einstein huyó del nazismo y se refugió en EEUU. Allí, firmó una carta de varios académicos dirigida al entonces presidente Franklin D. Roosevelt, alertándolo sobre una posible bomba atómica nazi. Los que atribuyen responsabilidad moral a Einstein por haber firmado esa carta ¿qué hubieran hecho? Era un ser humano, con miedos y dudas. Conocía a Werner Heisenberg que dirigía el programa nuclear alemán, y que no era ningún estúpido. Si los nazis obtenían la bomba, hubieran dominado el mundo. Y aún así dudó, y tuvo que ser convencido por sus colegas para apoyar esa carta.
Son moralmente mucho más condenables Julius Oppenheimer o Enrico Fermi, que trabajaron directamente en el desarrollo del arma. E incluso así, no tanto: cuando la bomba se ensayó en Alamogordo, New Mexico, varios miembros del Proyecto Manhattan firmaron otra carta, pidiéndole al presidente Harry Truman que no la usara. Sugerían alertar al alto mando japonés de un ensayo en una isla del pacífico, para que pudieran verla, y así forzarlos a la rendición.
Pero claro, a esa altura el objetivo de destruir Hiroshima no era detener a los japoneses ni a los nazis, sino asustar a los rusos. La decisión de arrojar la bomba fue una decisión política, y la responsabilidad les cabe a los políticos. No a Einsten ni a la ciencia.
La Bomba no sólo destruyó una ciudad, sino nuestra posibilidad de un futuro más justo. El negacionismo científico y el relativismo epistémico no debilitan al poder, sino a los sectores populares que deberían enfretarlo.
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2019.08.22 17:31 jcravens42 UNFPA is recruiting a UN Volunteer to serve as Programme Specialist in Gender Equality & Gender Violence in Panama

Do you have solid experience in programme/project management related to gender issues? Do you speak fluent Spanish and English? UNFPA is recruiting a United Nations Volunteer to serve as Programme Specialist in Gender Equality and Gender Violence for one year in Panama. Apply by August 21 - complete details here: https://lnkd.in/eds2w6x
El UNFPA es parte del Programa Conjunto Regional Spotlight, impulsado en el marco de la alianza entre la Unión Europea (UE) y las Naciones Unidas (ONU), que tiene como objetivo promover estrategias efectivas para prevenir y dar respuesta integral a la violencia contra las niñas y mujeres y al femicidio/feminicidio en la región de América Latina y particularmente de Centro América. Por todo lo expuesto previamente, UNFPA requiere contratar un/a IUNV especialista de programa en igualdad de género y violencia de género, para que pueda brindar asistencia técnica y programática en la implementación de acciones enfocadas a la prevención, atención y respuesta a la violencia de género, así como apoyar en la implementación del Programa Regional Spotlight.
Task description
En el marco de la autoridad delegada y bajo la supervisión de la asesora regional en género y juventud o su representante designado, el Voluntario de la ONU llevará a cabo las siguientes tareas:
Actividades técnico/programáticas:
Actividades de coordinación interagencial y fortalecimiento de alianzas:
Actividades de gestión de proyecto:
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2019.08.21 16:43 roach_lover Seria tan malo que Massa ganara las elecciones? Ayer apareció un post que me hizo acordar a este de parte de u/Morlaak, en cara a las elecciones me parece importante que hagamos memoria.

Ayer vi un post en este sub hablando de las cosas que olvidamos de los Kirchner, aca está la edición panqueque! Con las cagadas que nos fuimos olvidando de Massa.
Igual que el post que subieron ayer, esto no es mio, lo vi hace unos 7 meses y el post de ayer me hizo acordar.
Post original: https://www.reddit.com/argentina/comments/aa9vkl/analisis_sería_tan_malo_que_massa_ganara_las/?utm_medium=android_app&utm_source=share
Lo siguiente ya no es mio, es del post original.
En respuesta a un comentario que se escuchó ayer en algun post.

SÍ, SERIA TAN MALO

Como dice el clásico "nadie resiste un archivo":

  • Defendió el proyecto de ley de Retenciones derivado de la famosa resolución 125 que causó el paro del campo.

  • Sergio Massa fue Jefe de Gabinete del Kirchnerismo de 2008 a 2009. Para que se den una idea, algunas de las cosas que pasaron en ese período y Massa avaló o se mantuvo en silencio fueron:

INDEC anunciando cifras falsas de inflación Estatización de las jubilaciones (lo que posibilitó la política futura de empezar a financiar masivamente obra pública, programas sociales y deuda a traves de la ANSES)
Estatización de Aerolineas Argentinas Modificación de la Carta del Banco Central para pagar la deuda externa con las Reservas Toma de deuda al 15% al gobierno venezolano de Chavez ​
  • Luego de eso fue candidato testimonial a diputado por el Kirchnerismo con Daniel Scioli. Nunca asumió su cargo.

  • Rompió con el el kirchnerismo cuando este se venía a pique y fue candidato a diputado nacional en 2013, y ganó en la provincia de Buenos Aires.
Algunas de las propuestas que hizo que luego no se cumplieron, en buena parte porque ganando una elección de diputados no vas a manejar el Congreso, cosa que el bien sabía. Notese similaridad con el famoso "plan" de De Narvaez de 2009 que tambien quedó en la nada:

Equiparar la venta de droga a homicidio
Prisión perpetua a la violación agravada por el vínoneculo
Obligatoriedad de una camara de seguridad cada 1000 habitantes
Plan Nacional de Empleo Joven "cuyo finananciamiento se obtendrá del 10 por ciento de incremento anual de la recaudación tributaria nacional prevista en el Presupuesto Nacional "
Ley para bajar la inflación, descartando un ajuste como metodo para bajarla, sugiriendo en cambio "crear marcos de coordinación de las proyecciones económicas" y "crear un Área de
Reducción de la Inflación, dependiente de la Defensoría del Pueblo de la Nación para bajar la inflación en aquellos bienes y servicios con elevada incidencia en la canasta familiar”. Diganme ustedes que significa eso en la práctica.
-Formó alianza con multiples sindicalistas de dudoso caracter, entre los que destacan Facundo Moyano, Luis Barrionuevo y los sindicatos de trabajadores estatales (El último es para tener en cuenta si piensan que va a "eliminar ñoquis")
-Actualmente forma parte de una alianza con el "grupo de gobernadores peronistas". Para los que no saben, dichos gobernadores son hoy en dia la principal traba para bajar el deficit fiscal y recortar el gasto público. Si Massa gana, adivinen a quién va a tener que devolverle favores cotizados en partidas presupuestarias.

Dejo a su criterio, si, despues de todo esto, lo siguen considerando el "menos peor". Pero lo que seguro, seguro que pueden saber, es que no va a ser "menos tibio" que Macri para bajar el gasto o el empleo público. Y si el PRO es "Kirchnerismo de buenos modales", entonces no hay adjetivo posible para Massa.


Fuentes:

https://www.lanacion.com.a1089486-para-el-indec-la-canasta-basica-alimentaria-trepo-solo-un-04-en-2008
https://www.lacapital.com.aeconomia/el-gobierno-anunciaraacute-mantildeana-el-fin-las-afjp-y-la-estatizacioacuten-jubilaciones-n268083.html
https://www.perfil.com/noticias/contenidos/2008/09/04/noticia_0006.phtml
https://www.clarin.com/ediciones-anteriores/argentina-paga-15-auxilio-financiero-chavez_0_r1c-5v2Aatg.html
https://www.lanacion.com.a1081917-a-18-anos-de-su-privatizacion-aerolineas-vuelve-al-estado
https://www.lanacion.com.a1134912-acepto-la-justicia-las-candidaturas-testimoniales-de-scioli-y-massa
https://www.diariopopular.com.apolitica/massa-presento-su-proyecto-empleo-joven-n167118
https://www.lapoliticaonline.com/nota/nota-93652/
https://www.cronista.com/economiapolitica/Massa-presento-proyectos-contra-la-inseguridad-20130728-0019.html
https://www.ambito.com/massa-incorpora-mas-sindicatos-oficialistas-n3802254
https://www.perfil.com/noticias/politica/el-gobierno-apura-los-acuerdos-con-los-gobernadores-ante-la-visita-de-lagarde.phtml
Edit mio (u/roach_lover): Al parecer Reddit cambio su modo de formatear posts, asi que le di un retoque final, el contenido esta igual, solo lo puse de una manera legible.
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2019.07.26 18:18 altovaliriano O nexo entre dragões e armas nucleares

Link: https://bit.ly/2JTfFOs
Autor: @Westmyer (gerente de projeto de segurança nuclear na CRDF Global, apresentador do Super Critical Podcast, aluno do Security Study Program da Georgetown University).

Na superfície, Game of Thrones é apenas mais uma série de TV a cabo com batalhas, traições na corte e personagens pouco (ou não) vestidos. Mas ele contém sentidos mais profundos no que concerne a um número inesperado de lições para a vida real sobre paz e segurança. Comentaristas de instituições como a Fletcher School of Diplomacy, Foreign Policy e o Atlantic.com escreveram sobre como este show da HBO - baseado na épica série de fantasia de George RR Martin, As Crônicas de Fogo e Gelo - ajuda a explicar as relações internacionais no mundo real.
Um paralelo, no entanto, escapou a análise: os dragões como metáforas vivas e igníferas para as armas nucleares. Apesar do cenário de fantasia, a história ensina muito sobre os perigos inerentes que vêm com o gerenciamento desses subversivos expedientes, sua propensão para acidentes, os benefícios circunstanciais que concedem aos seus mestres e a tensão que essas armas impõem sobre aqueles que os manuseiam.
"Os dragões são o dissuasor nuclear, e apenas [Daenerys Targaryen, uma das heroínas da série] os tem, o que de certa forma faz dela a pessoa mais poderosa do mundo", disse Martin em 2011. “Mas isso é suficiente? Esses são os tipos de problemas que estou tentando explorar. Os Estados Unidos têm agora a capacidade de destruir o mundo com o nosso arsenal nuclear, mas isso não significa que podemos alcançar objetivos geopolíticos específicos. O poder é mais sutil que isso. Você pode ter o poder de destruir, mas isso não lhe dá o poder de reformar, melhorar ou construir”.
Isso cria uma perspectiva sombria. Ou, como um personagem adverte repetidamente no primeiro episódio: "O inverno está chegando".

(Alerta de spoilers)

Dragões 101. Antes de prosseguir, o bê-á-bá dos dragões: Na concepção de Martin, os dragões são criaturas voadoras que vomitam fogo quente o suficiente para derreter aço, concreto e carne. Aqueles que os domesticam podem montar seus animais em batalha como armas de guerra quase invulneráveis. Um dragão nunca deixará de crescer “desde que tenha comida e liberdade” - assim como os arsenais nucleares crescem continuamente, em tamanho e letalidade, desde que tenham orçamentos inesgotáveis.
Na história, os dragões foram extintos antes que a exilada Daenerys os rearma-se, descobrindo como chocar três dragões a partir de ovos antigos, da mesma forma que os físicos descobriram como liberar o poder das forças elementares do universo. E, assim como as armas nucleares, os dragões não têm o monopólio da violência. Morte e sofrimento ocorrem em escala maciça sempre que as guerras convencionais assolam a terra, transformando jovens soldados em homens despedaçados e tratando a plebe como danos colaterais.
Mas, como o teórico militar Thomas Schelling escreveu em Arms and Influence, a destruição inerentemente acelerada separa as armas nucleares dos instrumentos de guerra usuais. Schelling sugeriu que “esta é a diferença entre armas nucleares e baionetas. Não é no número de pessoas que podem eventualmente matar, mas na velocidade com que pode ser feito ...”. Da mesma forma, a destruição em massa que acompanha o fogo do dragão os torna semelhantes a aviões bombardeiros pesados com cargas nucleares. Isto é especialmente verdade quando o objetivo é montar sua fera alada em batalha, tal qual o piloto de B-52 cavalgando uma bomba nuclear em Dr. Strangelove .
Tanto dragões quanto armas nucleares oferecem a seus donos uma defesa aparentemente barata. “Alguns países podem achar as armas nucleares uma alternativa mais barata e segura de concorrer nas economicamente lamentáveis e militarmente perigosas corridas armamentistas”, escreveu Kenneth Waltz em The Spread of Nuclear Weapons. Com apenas três dragões e menos de 2.000 combatentes, Aegon (o Conquistador) Targaryen já havia colocado a maior parte de um continente sob seu governo, sem tempo ou tesouro desperdiçado com reunião de tropas ou construção de frotas e armamentos. Os programas nucleares também são atraentes para os líderes que estão buscando o maior retorno para o dinheiro investido - ou “veado”, como a série chama a moeda corrente.
A tríade tem três cabeças. Profecias sobre o futuro, feitas por sábios eminentes ou em sonhos misteriosos, desempenham um papel fundamental na vida dos personagens da série. Seja um produto de orientação divina ou um ardil cínico, essas predições dirigem as ações dos personagens e, portanto, influenciam as mudanças nos rumos dos próximos eventos. Interpretar qualquer determinada profecia com precisão, entretanto, se mostra difícil, diante do descarte equivocado de certos fatos; as notícias do renascimento dos dragões, por exemplo, são desconsideradas. Por outro lado, rumores falsos podem ser erroneamente (ou convenientemente) aceitos como verdades absolutas - muito parecido com os relatórios de inteligência do governo Bush sobre supostas armas de destruição em massa no Iraque.
De forma similar, em uma visão durante seu exílio, a jovem Daenerys é informada de que “o dragão tem três cabeças”, levando-a a refletir sobre Aegon, o Conquistador, e suas irmãs montando um trio de dragões na batalha. Isso traz à mente a tríade nuclear dos Estados Unidos, com seus sistemas de distribuição separados baseados no ar, submarinos e terrestres. O atual ambiente orçamentário levou muitos especialistas a considerar fazer cortes na tríade. Entretanto, a resistência é forte entre alguns sábios nucleares, que advertem que o arsenal sempre deve ter três cabeças, caso uma delas seja impedida por falha do sistema ou decapitada por um ataque preventivo.
Outra maneira de interpretar a visão de Daenerys é como a necessidade de buscar aliados para compartilhar o fardo. Assim como Daenerys procura os cavaleiros de dragões para ajudá-la a conquistar o Trono de Ferro, os planejadores de defesa dos EUA tentaram impedir a agressão convencional soviética durante a Guerra Fria, trabalhando em estreita colaboração com os aliados da OTAN. Acordos de compartilhamento nuclear, alianças e ajuda aos programas de armas nucleares britânicos e franceses ajudaram os EUA a montar um dragão de três cabeças para enfrentar o urso soviético.
Dissuasão com dragões. A posse de uma ogiva nuclear não confere automaticamente uma dissuasão efetiva. O possuidor também deve ter os meios para atirar a arma em um alvo, detoná-la no tempo e lugar certos, comunicar intenções aos rivais e proteger seu arsenal de ataques.
Após nascerem, os dragões de Daenerys são frágeis e incapazes de voar grandes distâncias ou de soltar fogo com rendimentos mais altos. Durante seu estágio infantil, seus dragões se comportam mais como armas nucleares táticas do que aquelas adequadas para uma missão estratégica; eles são profícuos apenas em um teatro restrito, como dentro de um espaço fechado. Até que seus bebês-dragões se tornassem mais fortes, eles eram vulneráveis ao aço ou roubo. No entanto, enquanto pudessem sobreviver a um ataque preventivo, poderiam dissuadir o conflito, muito parecido com o que Waltz escreveu sobre pequenas forças nucleares. À medida que os dragões envelhecem, suas escamas endurecem para proteger contra flechas, assim como os silos de mísseis balísticos intercontinentais acabaram sendo fortificados contra tudo, exceto a uma explosão direta no solo. Essas são lições que todo jovem Estado nuclearmente armado precisa aprender.
A dissuasão nuclear é frequentemente caracterizada como impedimento a guerra entre duas ou mais potências nucleares. Mas conceitos estabilizadores como Destruição Mútua Assegurada não existem no mundo de Martin. Sendo a única com dragões, Daenerys saca cidades e incute o terror em seus adversários. Seu ancestral, Aegon, o Conquistador, era o único possuidor de dragões quando sua invasão mirou uma fortificação de pedra maciça; suas muralhas derreteram sob intenso fogo de dragão e agora existem sob um legado de maldição, como as tempestades de fogo que arrasaram Hiroshima e Nagasaki. Essas cidades se recuperaram em grande parte, mas o legado das doenças por radiação e do câncer perdura até hoje.
Os otimistas que aceitam as armas nucleares como uma influência estabilizadora insistem que, por sua própria natureza, essas armas fazem com que os líderes racionais de regimes estáveis mantenham controle estrito sobre os arsenais de seus estados e moderem seu comportamento - ou correrão risco de retaliação. Isso leva à pergunta: o que acontece quando as armas nucleares estão nas mãos de líderes irracionais, países menos estáveis ou agentes não estatais? Felizmente para Westeros, seu "Rei Louco" não tinha dragões à sua disposição. "Queime todos eles", ele rosnou enquanto ordenava que sua cidade fosse incendiada em vez de se render - mostrando como as ameaças retaliatórias pouco significam para alguém determinado à violência suicida.
Waltz rejeitou essas preocupações porque “em um mundo nuclear, agir de maneira descaradamente ofensiva é loucura”. Nestas circunstâncias, quantos generais obedeceriam aos comandos de um louco? Um dos principais personagens da série, Jaime Lannister, desonerou seu Rei Louco do comando ao invés de executar tais ordens, mas só é necessário um general obsequioso para iniciar o Armagedom.
Pois o efeito de tal armamento é devastador. O general Curtis Lemay, ex-chefe do Comando Aéreo Estratégico dos EUA, disse certa vez: “entre o pôr do sol de hoje e o nascer do sol amanhã de manhã, a União Soviética provavelmente deixaria de ser uma grande potência militar ou mesmo uma grande nação” se ele pudesse soltar sua bateria nuclear. O lema da família Targaryen “Fogo e Sangue” poderia facilmente ter enfeitado as bandeiras da Casa Lemay.
Limites ao poder bélico de dragões. Armas nucleares podem ajudar a prevenir ameaças existenciais, mas elas têm uso limitado em outras operações militares ou em metas de política externa. Como o personagem de Tywin Lannister refletiu, um “nenhum dragão ganhou uma guerra em 300 anos. Exércitos as vencem o tempo todo”.
Mesmo com seu triunvirato de dragão, Aegon, o Conquistador, não conseguiu forçar um reino resistente a dobrar o joelho. A maioria dos reinos fictícios de Thrones oferece um ambiente “rico em alvos”, com populações consideráveis vivendo em castelos e buscando estratégias adequadas para a batalha em campo aberto. O reino de Dorne, no entanto, consistia em uma paisagem rochosa, montanhosa, árida e desértica com cidades relativamente pequenas, populações dispersas e amplos esconderijos - o que o tornava mais resistente ao poder bélico de dragões. Após uma guerra prolongada, Aegon encerrou sua campanha porque seus exércitos foram repetidamente emboscados por combatentes da resistência que continuaram se retirando para o interior antes que os dragões pudessem chegar. A paz só foi alcançada através da diplomacia um século mais tarde, e a região preservou um grau mais amplo de costumes e liberdades do que o resto dos Sete Reinos, onde a maior parte da série acontece.
De maneira semelhante, durante a Guerra do Vietnã, os militares dos EUA enfrentaram uma campanha prolongada de guerrilheiros insuscetíveis ao estoque nuclear dos EUA. Um relatório secreto de 1967 produzido pelo grupo JASON determinou que as armas nucleares não ofereceriam nenhuma vantagem militar decisiva. O Vietnã era "pobre em alvos", com linhas de abastecimento difusas e tropas dispersas. Nosso envolvimento terminou quando os Acordos de Paz de Paris declararam que “os Estados Unidos e todos os outros países respeitam a independência, a soberania, a unidade e a integridade territorial do Vietnã”.
De mesma maneira bem parecida, uma Daenerys cheia de turbulência e inabalável confiança toma a antiga cidade de Meereen à força; ninguém ousa desafiar abertamente sua nova rainha ou arriscar a ira de um dragão. No entanto, quando ela começa a se defender, Daenerys encontra dilemas e desafios políticos em que os dragões oferecem pouca ajuda. Vários fãs comparam a luta de Daenerys para alimentar seu povo e acabar com uma insurgência local com a experiência dos EUA no Iraque e sobre as aventuras da União Soviética no Afeganistão. Nesses teatros, as armas nucleares eram inadequadas para alcançar objetivos específicos de política externa. Daenerys acaba confiando em seu exército para conduzir operações de contrainsurgência, e na diplomacia para alcançar uma paz desconfortável com seus vizinhos.
Comando e controle. Enquanto dizem que os senhores de dragão controlam suas feras com “chicote, cornos e feitiçaria”, o sistema de Comando e Controle Nuclear dos EUA depende de uma complexa infraestrutura de “planejamento, direção e controle de operações de armas nucleares das forças militares e das atividades que apoiam essas operações”. Quando Daenerys perde um dragão e aprisiona dois outros, isso leva a um estado de coisas semelhante ao desarmamento unilateral, já que ela não é mais capaz de controlar seu armamento. Se seus dragões se tornarem selvagens demais para ouvir sua mãe, os rivais poderão ver seu arsenal degradado a ponto de não ter a capacidade de mirar e lançar fogo. Os dragões não precisam de mira precisa para acertar os alvos, mas os senhores de dragão são apenas senhores de dragão se mantiverem um controle firme sobre seus sistemas de comando e controle.
Manter tal autoridade é difícil com vários personagens tentando controlar os dragões de Daenerys para suas próprias ambições geoestratégicas. Os filmes de ação de Hollywood estão repletos de conspirações sobre cientistas descontentes, terroristas, elementos do governo desonestos ou supercomputadores mal-intencionados tentando iniciar uma guerra nuclear com as bombas de outra pessoa.
No entanto, os dragões são cobiçados, mesmo que sejam itens difíceis de adquirir. Os proprietários de escravos em Astapor esperavam trocar um dos dragões de Daenerys por seu exército de super-soldados. Em vez disso, eles descobriram que um "dragão não é um escravo" e sua compra saiu pela culatra.
Segundo o professor da Universidade Estadual de Ohio, John Mueller, é improvável que os fornecedores nucleares confiem suas preciosas bombas a grupos que não consigam controlar totalmente. No mínimo, da próxima vez que alguém quiser comprar um dragão para uso pessoal, eles devem verificar se ele vem equipado com um interruptor de segurança ou qualquer coisa que impeça o uso não autorizado.
Uma lição que Daenerys deveria aprender é o valor dos investimentos em segurança nuclear. Durante uma estadia prolongada em uma antiga cidade comercial, seus adversários contornam os protocolos mínimos de segurança de Daenerys e roubam seus dragões. Sem a ajuda de algo como uma equipe de apoio a emergências nucleares, ela perambula pela cidade por dias antes de levá-los para casa. Ela perde o controle novamente quando seu maior dragão escapa.
Daenerys passa a lamentar o quão selvagem seus dragões se tornaram quando problemas domésticos desviam sua atenção de sua administração. Alyssa Rosenberg, escritora de cultura pop do The Washington Post, comparou esses dragões com livre circulação a “material físsil à solta”. Diante de uma situação semelhante na vida real, o presidente Barack Obama iniciou uma série de cúpulas sobre segurança nuclear para fazer um “esforço sério e continuado” para proteger material nuclear vulnerável em todo o mundo. Daenerys talvez devesse reunir conselheiros com uma agenda semelhante.
Pais orgulhosos. Depois de uma era centenária sem dragão, Daenerys proclama-se uma orgulhosa "mãe dos dragões". Hugh Gusterson, colunista do Bulletin e autor de People of the Bomb: Portraits of America’s Nuclear Complex, foi atingido pela "ausência de metáforas da morte e a superabundância de metáforas do nascimento” na emergente cultura de armas nucleares. O secretário de Estado Henry Stimson informou Winston Churchill sobre o primeiro teste nuclear com a seguinte nota: "os bebês nasceram a contento".
A felicidade precoce da paternidade - tanto para as bombas nucleares quanto para os dragões - acabou se desgastando à medida que a força destrutiva dessas armas se tornava aparente. Quando um pai de luto diz a Daenerys que um dragão comeu seu filho, ela fica horrorizada e tenta enjaular seus filhos de temperamento quente. Alguns cientistas nucleares intimamente envolvidos no Projeto Manhattan, como Niels Bohr, Hans Bethe e outros, expressaram preocupação com os perigos nucleares e fizeram lobby contra o uso do que haviam criado.
Perto do final do último livro de Martin, a busca da visão de Daenerys parece convencê-la a abraçar a tradição de conquista dos Targaryen. Reconciliada com seu dragão rebelde, ela aponta seu olhar para Westeros. Ao contrário de alguns de seus colegas do Manhattan Project, o físico Edward Teller perseguiu uma bomba de hidrogênio mais avançada, também conhecida como “Super”. Quando os Estados Unidos testaram essa bomba no Atol de Bikini durante a Operação Castelo em 1954, seu rendimento explosivo foi significativamente maior do que o esperado e espalhou precipitação radioativa por milhas. Muitas pessoas mais tarde sofreram de doença ou morte por radiação, incluindo membros da tripulação a bordo de um barco de pesca japonês chamado Fukuryu Maru - o “Dragão da Sorte”.
Se você brinca com fogo... Armas nucleares e dragões são perigosos mesmo em tempos de paz. Solarestival, um castelo em ruínas outrora usado pelos Targaryens como casa de veraneio, foi palco de uma misteriosa tragédia paralela ao desenvolvimento inicial da bomba nuclear. Membros da família Targaryen acidentalmente desencadearam uma calamidade que matou um de seus ancestrais durante um experimento para trazer dragões de volta ao mundo deles.
Da mesma forma, um relatório da Comissão de Energia Atômica dos EUA afirma que houve 26 ocorrências de exposições acidentais de radiação em experiências nucleares e seis mortes devido a acidentes de criticidade de 1943 a 1970. Em 1946, Louis Slotin, um cientista envolvido no Projeto Manhattan, sofreu uma dose letal de radiação ao calcular a massa crítica na qual ocorre uma reação em cadeia nuclear. O nome da técnica usada neste procedimento: Fazer Cócegas na Cauda do Dragão.
Os dragões de Daenerys são bastante populares entre os fãs dos livros e séries de TV. Se eles apreciam os fortes temas antiguerra adotados por Game of Thrones, eles podem optar por se compadecer pelo dilema de Daenerys ao invés de cobiçar seus rebentos. Martin disse que suas histórias tentam se um testemunho não apenas a glória da guerra, mas das consequências horrendas da violência - sobre inimigos, espectadores inocentes e, finalmente, sobre si mesmo. Dada essa perspectiva e os paralelos nucleares, seus dragões emergem como um dispositivo de enredo cheio de nuances; ao invés de simplesmente criaturas “legais” (ou excitantes), elas são criaturas complexas que podem ameaçar um personagem ou a população como um todo. Quando os livros e os shows terminarem, não seria surpreendente que os dragões de Daenerys tenham um fim trágico, como tantos personagens amados na série; os dragões poderiam se voltar contra seus senhores, Daenerys poderia ter que sacrificá-los em nome da paz, ou os dragões poderiam desencadear desolação involuntária em Westeros. Armas nucleares e dragões podem ajudar a conquistar, mas eles não podem garantir um governo pacífico e estabilidade.
Uma guerra nuclear em nosso mundo primeiro envolveria as cidades em chamas e depois inauguraria um inverno nuclear de uma geração - nosso canto do cisne de gelo e fogo da vida real.
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2019.06.28 04:59 Gronch001 Federação Panárquica do Brasil - uma solução proposta para problemas políticos do Brasil e do mundo


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tl;dr - um sistema em que todos tivessem o direito de escolher sob qual ideologia viver

A atual situação sociopolítica do Brasil, análoga à de várias outras nações pelo mundo, é de intensa discórdia. Há convivência, muitas vezes calorosa ou até violenta, de adeptos de muitas filosofias e ideologias políticas diferentes, incluindo socialistas, liberais econômicos, sociais-democratas, ambientalistas, anarcocomunistas, anarcocapitalistas, e a lista segue. Ainda que no contexto do governo haja dois "lados", que costumamos chamar de Direita e Esquerda, cada um uma síntese de vários partidos e pensamentos, essa dicotomia é mais estratégica do que realista.

Evidente na história humana é que sempre, em qualquer sociedade, há uma gama de opiniões distintas em praticamente qualquer âmbito, seja político, econômico, religioso, filosófico ou administrativo. Ainda que haja proibição e supressão de certas opiniões sob regimes autoritários, elas continuam a existir e, uma hora ou outra, voltam à luz. Como é natural do ser humano discordar e criticar, é natural da sociedade se dividir. Nesse contexto, a democracia representativa é a melhor - ou menos pior - organização sociopolítica a que conseguimos chegar até o momento. Mas conseguiríamos ir um passo à frente? E se adotássemos um sistema em que cada um pudesse viver de acordo com a organização social que mais lhe convém, sem ter que necessariamente se submeter à decisão majoritária e representativa?

Em meados do século XIX, Paul Émile de Puydt cunhou o termo "panarquismo" para se referir a uma sociedade onde cada indivíduo poderia escolher sob qual sistema sociopolítico gostaria de viver, com o direito de participar e sair de múltiplas sociedades ideológicas. Diferente de várias outras filosofias, pouquíssimo se tem discutido sobre esta. E se experimentássemos o panarquismo no mundo moderno?

Democracias modernas conferem a seus cidadãos os direitos de livre expressão e de assembleia. Não seria razoável, sob essas garantias, a criação experimental de comunidades voluntárias baseadas em diferentes filosofias e ideologias políticas, com pouca interferência do Estado soberano sob o qual elas se encontram? Por exemplo, imagine que, aqui no Brasil, dois grupos de mil pessoas cada, um de progressistas pró-socialismo e outro de conservadores liberais, obtivessem direitos sobre pedaços significativos de terra onde pudessem construir, cada um, uma sociedade aos moldes do que acreditam? Na comunidade conservadora, impostos seriam baixos, a liberdade econômica alta, regulações sobre armas seriam de brandas a nulas, comércio de drogas seria proibido e apenas casamentos heterossexuais seriam permitidos. Em contrapartida, na comunidade progressista, haveria mais programas sociais, leis antiarmas seriam rigorosas e o comércio de drogas seria permitido, assim como casamentos homossexuais. Assim, cada um poderia viver na comunidade lhe convir sem ter que impor seu pensamento aos outros ou ter o pensamento dos outros imposto sobre si.

Cada uma dessas duas comunidades viveria com bastante autonomia. A República Federativa do Brasil ou suas unidades federativas talvez enviassem soldados para patrulhá-las a fim de garantir o cumprimento de direitos fundamentais (como, por exemplo, a violência), mas não lhes cobrariam impostos nem imporiam as demais leis, proporcionando-lhes autodeterminação. Estas duas comunidades hipotéticas são meros exemplos; poderia haver também, aos mesmos moldes, comunidades nacionalistas, anarcocomunistas, anarcocapitalistas, minarquistas, ambientalistas, primitivistas, militaristas etc., cada uma com bastante autonomia, com pouca a nenhuma interferência do Estado. Poderia ser uma forma interessante de se observar, na prática, quais ideologias funcionam e quais não, bem como identificar falhas e testar melhorias.

Isso, é claro, poderia ser o começo de algo maior. Em um cenário mais distante da nossa realidade, a República Federativa do Brasil poderia ser substituída pelo que chamaremos de Federação Panárquica do Brasil (FPB). Esta federação apartidária seria responsável por garantir aos habitantes do território brasileiro o direito fundamental de se juntar a, viver em, abandonar e transitar pelas diversas comunidades autônomas voluntárias (CAVs) que surgiriam por todo o território brasileiro, bem como reunir outros indivíduos com ideias similares e poder criar suas próprias. Toda CAV seria registrada na FPB e assinaria um contrato se comprometendo a respeitar o território e direito das outras. As CAVs teriam o direito de estabelecer forças armadas para autodefesa, porém atacar outras CAVs, bem como impedir alguém de abandonar uma CAV, constituiriam violações do pacto federal.

CAVs poderiam ser tanto Estados, com suas próprias constituições, como comunidades anárquicas, as quais poderiam ou não ter assembleias, isto é, comitês para discutir questões internas e externas de cooperação sem natureza impositiva/soberana. Evidentemente, elas também teriam o direito de se dividir caso haja disputas internas, ou se expandir, contanto que não viole o território de outras CAVs. As CAVs também seriam livres para comerciar e dialogar entre si e com países, empresas e entidades estrangeiras. O cumprimento do contrato com a FPB não seria uma obrigação propriamente dita, mas uma forma de demonstrar respeito e comprometimento com a autodeterminação. O descumprimento do contrato por uma CAV não seria bem visto e poderia incitar o boicote dela por outras. Implantar esse sistema provavelmente acabaria ou reduziria significativamente a discórdia e as tensões políticas do Brasil, já que cada um poderia se juntar a uma sociedade que lhe agradasse.

O sistema aqui descrito não me parece tão longe da realidade, pelo menos do ponto de vista logístico. De todas as ideologias políticas de ampla escala, é a que me parece mais eficiente, mas infelizmente desconheço exemplos práticos dela sendo implantada. Se você percebeu alguma falha, tiver qualquer crítica ou algo a acrescentar, por favor comente. Se quiser, ajude também a espalhar este texto para que essa ideia chegue a mais pessoas.

Obs.: Este mapa é um mero cenário de como o panarquismo poderia se dar no Brasil. Não representa um ideal ou uma previsão.
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2019.04.15 20:43 Vladmirsilveira Os contratos na perspectiva humanista do Direito: o nascimento de uma nova teoria geral dos contratos

Centro Universitário de Maringá
Programa de Pós Graduação em Direito.
Revista Jurídica Cesumar – Mestrado
Autor: Vladmir Silveira

Introdução

O presente trabalho procura trazer um estudo, assim como propor uma reflexão, acerca da influência dos direitos humanos nas relações contratuais, partindo da perspectiva clássica da força obrigatória dos contratos, designadamente pelo princípio do pacta sunt servanda, evoluindo para o reconhecimento da necessidade da presença da boa-fé na exteriorização da vontade que motiva a relação contratual, passando pela Revolução Industrial e conseqüente fortalecimento o capitalismo liberal e do individualismo, até se alcançar a perspectiva social e solidária dos contratos e o reconhecimento de novo modelo de contrato, firmado principalmente pela necessidade humana de consumo, o que levou à massificação das relações contratuais, assim como ao dirigismo Estatal para tutela dos interesses da parte mais fraca da relação.
Nessa perspectiva procuramos desenvolver tanto o conceito de contrato tradicional e suas conseqüências jurídicas, especialmente no que tange aos vícios da vontade; assim como buscamos apresentar a idéia de contrato contemporâneo e o novo conceito de contrato pela ótica do solidarismo Constitucional.
Pretendemos levantar o debate de temas atuais relacionados aos contratos, mas sem a pretensão de esgotá-los, como a crise dos contratos; o princípio da autonomia da vontade e seu confronto com o princípio da autonomia privada; e o diálogo das fontes.
Por fim, será abordada a chamada nova teoria geral dos contratos no que tange à releitura do princípio da boa-fé, hoje definido como boa-fé objetiva; assim como o princípio da função social e solidária dos contratos como limite da liberdade contratual.

2. Formação histórica e pressupostos ideológicos dos contratos

A reconhecida interdisciplinaridade dos estudos jurídicos com outras ciências humanas, especialmente a Social, a Política e a Economia, assim como a evolução histórica dos direitos humanos, a partir do que se concebeu uma nova perspectiva à dignidade da pessoa humana pelo processo da dinamogenesis[1][2], conferiu ao contrato uma nova roupagem, pela superação da idéia de que a igualdade formal dos indivíduos asseguraria o equilíbrio entre os contratantes, fosse qual fosse sua condição social.
Nessa perspectiva, destacamos primeiramente o conceito de contrato conforme ensinamento da Escola de Pandectas, que adota o modelo codificado, pela qual contrato é uma categoria geral e abstrata que, segundo as regras da lógica formal, pode ser reduzido à unidade no sistema conceitual. Tal sistema assemelha-se a uma pirâmide, que no topo contém um conceito geral ao qual se reduzem os demais conceitos abaixo subseqüentes, como subtipos daquele conceito generalístico.[3]
Segundo Puchta[4], é tarefa do jurista a conexão lógica dos conceitos, que formará a consciência sistemática pela percepção do sentido ascendente dos conceitos identificados por intermédio dos termos médios que integram sua formação.
Na escala da genealogia dos conceitos, o conceito de contrato sobe ao negócio jurídico, e daí para o fato jurídico, formando uma pirâmide.
Nessa perspectiva, contrato seria negócio jurídico bilateral ou plurilateral[5] que por conter todas as características do negócio jurídico formaria um conceito derivado, possuindo todas as características gerais do negócio jurídico e outros elementos especializantes.
Em que pese a contribuição da concepção de contrato acima exposta, outras correntes de pensamento também influenciaram na criação de seu conceito atual, dentre as quais se destacam: (i) a corrente de pensamento dos canonistas e (ii) a Escola do Direito Natural.
A corrente de pensamento canonista ficou marcada pela substancial relevância atribuída ao consenso e à fé jurada na formação do contrato e obrigações dele decorrentes. Importa destacar que a corrente canonista significou um marco, pois foi a partir daí que se abriu caminho para os princípios da autonomia da vontade e do consensualismo[6]. Sob tal ótica, para a criação da obrigação, necessária e suficiente seria a declaração da vontade, desde que aliada ao dever de veracidade, valorizando-se com isso a palavra dada e reconhecendo-se sua respectiva aptidão para criar o vínculo obrigacional, assim como a necessidade de seu cumprimento.
Nesse contexto, independente da forma do pacto, caberia ao direito assegurar a força obrigatória dos contratos como mecanismo jurídico de tutela dos valores envolvidos na relação contratual sempre que verificada a vontade livre e a fé jurada.
Por outro lado, para a Escola do Direito Natural – racionalista e individualista –, o fundamento do nascimento das obrigações se encontra na vontade livre dos contratantes.
Portanto, da mesma forma que a corrente de pensamento dos canonistas, a Escola do Direito Natural valorizava o consenso e o dever de veracidade, que é de direito natural.
O diferencial está na forte carga individualista desta linha de pensamento, fruto da ideologia dominante na época de sua cristalização, revelada pela influência do regime capitalista de produção nos planos econômico, político e social, marcando o jusnaturalismo pelo individualismo, ou seja, pela superestimação do papel do indivíduo.
Nesse sentido, com a acentuação do capitalismo, que tem sua base filosófica em Locke, maior importância se deu ao individualismo como reflexo da Revolução Industrial, acarretando a concentração de riquezas nas mãos do poder econômico privado, sendo, a partir daí, o direito de propriedade considerado um direito natural, protegido contra as forças do Estado como forma de garantir o abuso do poder político.
De fato, o capitalismo funda-se nas liberdades individuais – liberdades negativas de primeira dimensão – em especial a propriedade privada. Por outro lado, reconhecendo-se no capitalismo um direito humano, qual seja o direito de propriedade, abre-se margem à interpretação do capitalismo na perspectiva humanista dos direitos, em todas as suas dimensões.
É nesse sentido que se fala atualmente em capitalismo humanista, conforme defende o Professor da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo, Ricardo Hasson Sayeg, afirmando que “o espírito capitalista e o espírito de fraternidade são convergentes na medida em que não existe capitalismo sem que se reconheçam os direitos humanos. E conclui dizendo que “o que é certo é que os direitos humanos com todas as suas dimensões configuram um feixe indissociável, não cabendo se reconhecer uns e excluir outros.[7]
Dentro desta perspectiva, ensina Willis Santiago Guerra Filho:
[…] Mais importante, é que os direitos gestados em uma geração, quando aparecem em uma ordem jurídica que já traz direitos de geração sucessiva, assumem outra dimensão, pois os direitos da geração mais recente tornam-se um pressuposto para entendê-los de forma mais adequada – e, conseqüentemente, também para melhor realizá-los. Assim, por exemplo, o direito individual da propriedade, num contexto em que e reconhece a segunda dimensão dos direitos fundamentais, só pode ser exercido observando-se sua função social, e com o aparecimento da terceira dimensão, observando-se, igualmente, a função ambiental.[8]
A compatibilização do capitalismo com as necessidades humanas de segunda geração e de terceira geração, ou seja, o interesse social solidário em equilíbrio com o direito de propriedade, deu origem ao reconhecimento legal dos direitos supra-individuais, como os direitos difusos e coletivos, especialmente quando se verifica no contrato a vulnerabilidade de uma das partes, como é o caso do consumidor, havendo neste caso interesse social na atribuição de força jurídica à parte mais fraca para que ela possa enfrentar com maior equilíbrio o poder econômico do empresário.
Não é por outro motivo que o direito passou gradativamente a reconhecer os direitos naturais do homem – direitos fundamentais no âmbito interno, e direitos humanos na seara internacional – como garantias de ordem pública cuja eficácia deve ser verificada tanto interna como externamente nas relações obrigacionais, designadamente nos contratos, independentemente se tratar de contrato tradicional ou contrato contemporâneo, como os contratos de adesão, onde a vontade é mitigada pela imposição de cláusulas padrão, devendo a partir daí tais direitos conviverem em harmonia, preservando-se com isso as liberdades negativas[9], as liberdades positivas[10] e os direitos de solidariedade humana[11] a um só tempo.[12]
Nesse contexto, retomando-se os paradigmas da liberdade versus solidariedade, é possível se afirmar que a idéia liberal de igualdade entre todos, e de livre mercado sem a intervenção do Estado para garantir o interesse comum da coletividade, escravisa muito mais do que liberta na medida em que a necessidade humana de manter relações econômicas, adquirindo bens e serviços, sem a proteção do vulnerável, acarreta a exploração e a conseqüente exclusão do mais fraco pelo mais forte.
Nas palavras de Orlando Gomes:
O liberalismo econômico, a idéia basilar de que todos são iguais perante a lei e devem ser igualmente tratados, e a concepção de que o mercado de capitais e o mercado de trabalho devem funcionar livremente em condições, todavia, que favorecem a dominação de uma classe sobre uma economia considerada em seu conjunto, permitiram fazer-se do contrato um instrumento jurídico por excelência da vida econômica.[13]
Não é por outro motivo que o capitalismo humanista e suas idéias integracionistas de harmonização dos direitos de primeira, segunda e terceira dimensão, representado pelas liberdades individuais negativas, liberdades sociais positivas e pelos direitos de solidariedade, ganham importância em tempos de globalização econômica e de mercado.
Observa-se, assim, que o contrato, na sua concepção clássica de acordo bilateral ou plurilateral de vontades livres e conscientes, capaz de gerar, extinguir ou modificar direitos e obrigações de conteúdo patrimonial, continua sendo plenamente válido e aplicável no século XXI, desde que a relação jurídica obrigacional envolva partes jurídica e materialmente iguais.
Por outro lado, quando se tratar de relação obrigacional entre partes em posição de desigualdade, ou seja, quando num pólo da relação estiver um vulnerável e no outro pólo um dominante, em regra teremos a figura do chamado contrato de massa ou contrato padronizado, ou ainda contrato de adesão, em que não há abertura para que discussão das cláusulas do contrato, que é imposto pelo pólo dominante, limitando-se o vulnerável a assinar o contrato, aderindo aos seus termos.[14]
Nesse caso de contrato de adesão, clama-se pela intervenção do Estado na relação jurídica, chamado dirigismo contratual, a fim de conferir à parte mais fraca força jurídica para enfrentar o poder econômico do empresário, conforme acima estudado. Destarte, percebe-se o capitalismo humanista como realidade em nossos tempos, onde o papel do Estado diante de uma relação econômica desequilibrada é fornecer os elementos necessários à harmonia da relação contratual.[15]
  1. Conceito de Contrato
O Código Civil brasileiro em vigor não define contrato, apenas estabelecendo as diretrizes para sua formação, nos seguintes dispositivos:
Art. 421. A liberdade de contratar será exercida em razão e nos limites da função social do contrato.
Art. 422. Os contratantes são obrigados a guardar, assim na conclusão do contrato, como em sua execução, os princípios de probidade e boa-fé.
Art. 423. Quando houver no contrato de adesão cláusulas ambíguas ou contraditórias, dever-se-á adotar a interpretação mais favorável ao aderente.
Art. 424. Nos contratos de adesão, são nulas as cláusulas que estipulem a renúncia antecipada do aderente a direito resultante da natureza do negócio.
Art. 425. É lícito às partes estipular contratos atípicos, observadas as normas gerais fixadas neste Código.
Art. 426. Não pode ser objeto de contrato a herança de pessoa viva.
Para estudarmos o tema contratos e alcançarmos seu atual conceito é necessário, em primeiro lugar, compreender que a liberdade de contratar pressupõe a igualdade econômica e jurídica dos contratantes.
Nestes termos, o contrato nos moldes clássicos empresta maior significação às normas sobre o acordo de vontades. Portanto, o contrato da teoria geral dos contratos detém especial atenção à vontade e seus vícios[16], capazes de anulá-la, limitando-se a proteção legal à reparação desses vícios que contaminam os pressupostos de vontade livre e consciente que conferem validade aos contratos.
Por outro lado, conforme ensinam Erik Jayme[17] e Cláudia Lima Marques, a nova teoria geral dos contratos trouxe o chamado diálogo das fontes, imprescindível para a compreensão harmônica do sistema jurídico, o que implica na aproximação principiológica do Código Civil e do Código de Defesa do Consumidor, especialmente no que concerne à repressão jurídica do abuso de direito.[18]
Nesse sentido é que se compreende os contratos de massa, ou contratos de adesão, também chamados contratos contemporâneos, com a preocupação de tutela dos aderentes mediante normas legais que proíbam cláusulas abusivas, até mesmo porque as regras sobre a declaração da vontade e os vícios do consentimento quase não se lhe aplicam.
Feitas estas considerações preliminares, podemos dizer, em termos abrangentes, que contrato clássico é todo negócio jurídico que se forma pelo concurso de vontades, ou seja, é o acordo de vontades capaz de produzir efeitos obrigacionais de conteúdo patrimonial.
Doutrinariamente há quem utilize o termo convenção para designar um negócio jurídico mais abrangente, que abarca não só os negócios bilaterais e plurilaterais destinados a criar obrigações, mas também a modificar ou extinguir obrigações preexistentes; enquanto o contrato seria idôneo exclusivamente à criação de obrigações. Todavia, utiliza-se mais comumente o termo contrato para designar todo acordo de vontade livre e consciente firmado entre duas ou mais pessoas e capaz de criar, extinguir ou modificar direitos de conteúdo patrimonial.
Cumpre destacar que não é a forma escrita que cria o contrato, mas o consenso, ou seja, o encontro de duas declarações convergentes de vontades no sentido de criar vínculo obrigacional de conteúdo patrimonial.

2.1 Natureza Jurídica dos Contratos

No tocante à natureza jurídica dos contratos, duas concepções antagônicas dividem os juristas, uma é a concepção subjetiva, outra é a objetiva. Nesse sentido, pela concepção subjetiva, o conteúdo do contrato é composto pelos direitos e obrigações das partes; já pela concepção objetiva o conteúdo do contrato é composto de preceitos, o que o torna fonte de normas jurídicas, ao lado da lei e da sentença.
Kelsen[19], ao analisar especificamente o contrato do ponto de vista da teoria pura do direito, observa que ao celebrar um contrato as partes não se limitariam a aplicar o direito abstrato que o rege, mas estariam também criando normas individuais que geram obrigações e direitos concretos não existentes antes de sua celebração. Trata-se do pacta sunt servada, princípio pelo qual o contrato faz lei entre as partes. Tal princípio tem sua origem no Direito Romano e foi herdado pelo nosso ordenamento jurídico, de origem precipuamente romana.
Por outra banda, os opositores desta teoria argumentam dizendo que, uma vez que se conceitue norma jurídica como regra geral e abstrata, é manifesto que as cláusulas de um contrato não são normas, pois sua aplicação é restrita às partes contratantes.
Ademais, encontramos o posicionamento de Frederico de Castro, no sentido de que a idéia de que o contrato faz lei entre as partes está a serviço do capitalismo liberal, porque racionaliza a dominação dos privilegiados pelo emprego de um instrumento jurídico de inspiração liberal, afastando princípios como a boa-fé e a condenação ao abuso de direito, na medida em que objetiva tornar o contrato norma autônoma desligada das partes que o adotaram, como se verifica mais agressivamente no contrato de adesão.[20]
Não comungamos de tal pensamento, pois, como já estudado alhures, o reconhecimento jurídico de novas dimensões do direito tende a superar as desigualdades verificadas nos contratos de adesão pelo dirigismo contratual, ou seja, pela atuação do Estado em favor do mais fraco. Ademais, a autonomia da vontade encontra limites na ordem pública e nos bons costumes, conforme passaremos a estudar.

2.2 Princípio da Autonomia da Vontade

A autonomia da vontade, como direito subjetivo de liberdade, ou seja, como direito do homem reconhecido na qualidade interna da vontade individual que se expressa por um querer ou não querer partilhado por todos, independentemente da posição que o sujeito ocupa na sociedade, de seu status político[21], tem sua origem no livre arbítrio pregado pelo cristianismo.
No campo do direito das obrigações, o princípio da autonomia da vontade representa a liberdade de contratar, pelo que a vontade das partes tem o condão de suscitar os efeitos pretendidos dentre aqueles reconhecidos e tutelados pela ordem jurídica.
Há que se destacar que a valorização da autonomia da vontade como elemento capaz de formar o negócio jurídico e vincular as partes sofreu forte inspiração ideológica do Estado liberal, cuja característica maior consistia na preservação da liberdade individual o mais ampla possível diante do Estado. Essa excessiva valorização do voluntarismo acabou por transformar o negócio jurídico num ato de autonomia privada, pelo que a declaração da vontade constituiria o próprio negócio jurídico, e respectivos feitos dele decorrentes, em nome da livre movimentação de riquezas na sociedade.
Todavia, o surgimento de problemas sociais revelou a necessidade de intervenção do Estado nas relações privadas como solução para a crise da teoria contratual clássica, especialmente diante da industrialização e massificação das relações contratuais, pós Revolução Industrial.
Assim, a força obrigatória dos contratos, corolário da autonomia da vontade, passou a sofrer notável mitigação pela intervenção do Estado na economia, como decorrência do reconhecimento da necessidade de harmonização dos direitos humanos em todas as suas dimensões, pelo que a liberdade dos indivíduos passou a ser conformada com o interesse público e depois com a solidariedade contratual.[22]
É o que se percebe partir do século XX, quando a tradicional concepção de autonomia da vontade não mais corresponde à realidade socioeconômica, donde se verifica a necessidade da imposição de limites à autonomia da vontade.
Assim, com a superação do sistema individualista passa-se à valorização do interesse público em nome da dignidade da pessoa humana e, ao contrário do que se possa imaginar, também em nome da verdadeira vontade das partes contratantes pela tutela da confiança, da boa-fé objetiva e, em última análise, da funcionalização do contrato.

2.3 Princípio da Autonomia Privada

Atualmente fala-se em princípio da autonomia privada em substituição ao princípio da autonomia da vontade sob os seguintes argumentos. Em primeiro lugar, alega-se que a autonomia não é da vontade, mas da pessoa humana.[23] Todavia, não vemos relevância no argumento supra, tendo vem vista que a pessoa humana é o sujeito da relação jurídica obrigacional, que se forma por força das vontades convergentes para atender aos interesses particulares de cada uma das partes. Sendo assim, a relação é interssubjetiva e se forma da vontade, a qual deve ser livre de vícios e pautada na boa-fé subjetiva, ou seja, a vontade deve corresponder ao verdadeiro desejo ou intenção das partes[24], assim como na boa-fé objetiva, ou dever de boa conduta, conforme estudaremos mais adiante.
Sustentam ainda os defensores da nova terminologia que muitas vezes o conteúdo do contrato é imposto pela lei ou pelo Estado, o que mitiga a vontade.
Da mesma forma tal argumento não deve prosperar, pois, conforme tivemos oportunidade de estudar, o dirigismo contratual corresponde a uma evolução do direito contratual a fim de tutelar o interesse do vulnerável e garantir a harmonia da relação jurídica, conformando a liberdade com a igualdade e solidariedade.
Na defesa da substituição terminológica afirmam ainda que prevalecem na prática os contratos de adesão, estando a vontade em crise. Ora, conforme tivemos oportunidade de ver, os contratos contemporâneos são, em regra, firmados em massa, o que particulariza esse tipo de contrato e invoca o diálogo das fontes para aproximar os princípios do Código Civil e do Código de Defesa do Consumidor a fim de equilibrar a relação e trazer harmonia à relação contratual, o que não anula a existência dos contratos tradicionais, firmados por partes materialmente iguais, como ocorre em alguns contratos internacionais, e até nacionais, onde as cláusulas do contrato em regra são cuidadosamente discutidas pelas partes, o que não exime esse tipo de contrato da obrigação de observância das normas cogentes, decorrentes da funcionalização dos contratos, como a boa-fé e a confiança.
Em suma, os contratos devem ser analisados sob a perspectiva da evolução dos direitos, especialmente em face da solidariedade, que atualmente concretiza a dignidade da pessoa humana, e demais princípios de ordem pública, o que não desnatura o contrato, apenas traz um novo paradigma a fim de se diferenciar os contratos firmados entre partes iguais e aqueles firmados entre uma parte forte ou dominante e outra vulnerável, o que indubitavelmente deve chamar maior atenção do Estado a fim de que, por intermédio do dirigismo contratual, seja garantido o equilíbrio e a harmonia esperada de todos os contratos que, sem exceção, devem refletir não apenas a vontade, mas também os princípios anexos da conduta[25], assim como o atual estágio dos direitos humanos fundamentais.
  1. Conceito Pós-Moderno de Contrato
Conforme pudemos observar, o conceito tradicional de contrato passou por uma longa evolução, partindo da jurisprudência dos conceitos, passando pelo direito canônico e pelo jusnaturalismo, até chegar ao individualismo liberal, para o qual contrato é um negócio jurídico bilateral ou plurilateral que visa a criação, a modificação ou a extinção de direitos e deveres, com conteúdo patrimonial.
Todavia, encontramos atualmente o conceito pós-moderno[26] de contrato pelo qual o contrato é uma relação intersubjetiva baseada no solidarismo constitucional e que produz efeitos patrimoniais e existenciais tanto em relação às partes contratantes como perante terceiros.[27]
Percebe-se da análise desse novo conceito de contrato a nítida influência da evolução dos direitos humanos, especialmente os direitos de terceira dimensão ou direitos da solidariedade constitucionalmente reconhecidos na Constituição Federal.[28]
Firmando o posicionamento da influência do constitucionalismo solidário no Direito Civil, os informativos 531 e 550 do STF prestigiam a Convenção Americana sobre Direito Humanos, ou Pacto de São José da Costa Rica, ao considerar ilegal a prisão civil do depositário infiel.
Vale destacar que com a Emenda Constitucional 45, os tratados sobre direitos humanos ingressam no ordenamento jurídico pátrio com força constitucional, quando aprovado pelo Congresso Nacional pelo procedimento adotado nas Emendas Constitucionais[29] e, ainda que não aprovado por tal procedimento, por sua natureza humanitária e respectivo reconhecimento de sua força vinculante pela comunidade internacional, terá força supralegal, ou seja, abaixo da Constituição Federal, mas acima da lei, não podendo, assim, ser revogada por lei ordinária e prevalecendo sobre ela.
Ainda na perspectiva dos direitos de terceira dimensão, o Enunciado 23 do Conselho de Justiça Federal do Supremo Tribunal Federal prestigia o princípio da dignidade da pessoa humana ao estabelecer que “a função social do contrato, prevista no artigo 421 do novo Código Civil, não elimina o princípio da autonomia contratual, mas atenua ou reduz o alcance desse princípio quando presentes interesses metaindividuais ou interesse individual relativo à dignidade da pessoa humana”. Exemplificativamente, é nula de pleno direito a cláusula não incomum de não engravidar inserida no contrato de uma executiva por violar a dignidade da pessoa humana.
  1. Nova Teoria Geral dos Contratos
A chamada nova teoria geral dos contratos faz uma releitura dos princípios informadores dos contratos, especialmente para estabelecer uma relação de aproximação principiológica entre o Código Civil de 2002 e o Código de Defesa do Consumir, o que se denominou diálogo das fontes, uma vez que ambos são incorporadores de novos princípios sociais e solidários contratuais.[30]
Nesse sentido, são princípios da chamada nova teoria geral dos contratos: (i) princípio da função social do contrato; e (ii) princípio da boa-fé objetiva. Senão vejamos:

4.1 Princípio da Função Social do Contrato

Trata-se de princípio de ordem pública pelo qual o contrato deve necessariamente ser interpretado e visualizado de acordo com o contexto social em que se insere.
Nesse sentido, dispõe o parágrafo único do artigo 2.035 do Código Civil de 2002 que “nenhuma convenção prevalecerá se contrariar preceito de ordem pública, tais como os estabelecidos por este Código para assegurar a função social da propriedade e dos contratos”.
São efeitos da função social do contrato tanto a mitigação de sua força obrigatória, como sua eficácia perante terceiros, como tem entendido o STJ, por exemplo, no caso da vítima de acidente de trânsito, que pode ingressar diretamente com ação contra a seguradora do culpado, mesmo não havendo uma relação contratual de fato entre elas.[31]
Entende-se que a função social do contrato tem tanto eficácia interna, ou seja, entre as partes, como eficácia externa, ou para além das partes.

4.1.1 Aspectos da Eficácia Interna do Contrato

Primeiramente, podemos apontar a proteção dos vulneráveis contratuais como um dos aspectos da eficácia interna do contrato. Tal constatação se revela especialmente em dois artigos do novo Código Civil ao tratar do estado de perigo e da lesão.
Assim, a lei determina que, quando houver no contrato de adesão cláusulas ambíguas ou contraditórias, dever-se-á adotar a interpretação mais favorável ao aderente.[32]
Já no caso de cláusulas inseridas em contratos de adesão que impliquem na renúncia antecipada do aderente a direito resultante da natureza do negócio, tal cláusula é considerada nula de pleno direito, como ocorre no caso dos tickets de estacionamento com mensagem eximindo o estabelecimento de qualquer responsabilidade pelos objetos e pertences que se encontrarem no interior do veículo.[33
Também se destaca como aspecto da eficácia interna do contrato o princípio da dignidade da pessoa humana, como decorrência da evolução dos direitos humanos, conforme tivemos oportunidade de ver.
Temos ainda nesse contexto da vedação da onerosidade excessiva ou desequilíbrio contratual, que pode levar à anulação,[34] à revisão,[35] ou à resolução do contrato.[36]
No mesmo sentido temos a nulidade de cláusulas anti-sociais tidas como abusivas como, por exemplo, a nulidade de cláusula em plano de saúde que limite o tempo de internação.[37] Por fim, também representa eficácia interna do contrato o princípio da sua continuação, ou seja, a extinção do contrato deve ser a última medida ou ultima ratio.

4.1.2 Aspectos da Eficácia Externa do Contrato

Dois são os aspectos da eficácia externa do contrato, quais sejam, a proteção dos direitos difusos e coletivos, em nome do princípio da solidariedade; e a eficácia do contrato perante terceiros, que pela nova teoria geral dos contratos têm legitimidade para invocar o contrato sempre que reflexamente seus termos os tocarem ou atingirem.

4.2 Princípio da Boa-Fé Objetiva

Trata-se da evolução do conceito de boa-fé trazido pelo Direito Canônico, ou seja, exige-se mais do que a correspondência dos termos do contrato com a intenção do agente, que é de plano subjetivo, mas inclusive a boa conduta do contratante, que está no plano objetivo.
Segundo Karl Larenz a boa-fé objetiva é relacionada aos deveres anexos ou laterais da conduta, inerentes a qualquer contrato, sem necessidade de previsão no instrumento.
São apontados como deveres anexos da conduta os deveres de cuidado; respeito; de informar; de colaborar; de lealdade; transparência; confiança etc. A observância desses deveres assegura o bom contrato, e cumpre com o dever de boa conduta que se espera de toda pessoa, sendo que sua desobediência pode ter como conseqüência a anulação, a revisão ou mesmo a resolução do contrato.
O Enunciado 24 CJF/STJ prescreve que a quebra dos deveres anexos da conduta gera a violação positiva do contrato, nova modalidade de inadimplemento em que a responsabilidade é objetiva.

Considerações Finais

Ao longo do presente estudo procuramos analisar a evolução dos direitos humanos e seus reflexos nas relações jurídicas privadas, designadamente nos contratos.
Assim, pudemos perceber que há atualmente o reconhecimento da necessidade de compatibilização do capitalismo com as necessidades humanas de segunda geração e de terceira geração, a fim de se alcançar o verdadeiro equilíbrio dos contratos pelo reconhecimento legal dos direitos supra-individuais, como os direitos difusos e coletivos, especialmente quando se verifica no contrato a vulnerabilidade de uma das partes.
Nesse contexto, é possível se afirmar que o solidarismo constitucional exerce forte influência na força obrigatória dos contratos, corolário da autonomia da vontade, a qual passou a sofrer notável mitigação pela intervenção do Estado na economia, como decorrência do reconhecimento da necessidade de harmonização dos direitos humanos, em todas as suas dimensões, pelo que a liberdade dos indivíduos passou a ser limitada em nome do interesse público.
Nesse sentido que nasce a nova teoria geral dos contratos, para afirmar o valor de princípios de ordem público e sua influência direta nos contratos, como é o caso do princípio da função social do contrato e da boa-fé objetiva, inclusive sob a nova perspectiva da conduta e seus deveres anexos, como o dever de lealdade, transparência e confiança, deveres inerentes a todos os contratos, cuja inobservância acarreta inclusive a responsabilidade objetiva da parte.
Conclui-se que é esse espírito de solidariedade que deve inspirar a leitura das relações jurídicas obrigacionais, seja na interpretação dos contratos tradicionais, mas especialmente nos contratos contemporâneos onde uma das partes é vulnerável e o dirigismo contratual fazer-se necessário para preservar a harmonia da relação jurídica.

Referencial Bibliográfico

AMARAL, Francisco. Comentários sobre o Projeto do Código Civil Brasileiro. Série Cadernos do CEJ. Conselho de Justiça Federal. Brasília: Centro de Estudos Judiciários, 2002.
GOMES, Orlando Gomes. Contratos. 24ª Ed. Rio de Janeiro: Forense, 2001.
GUERRA FILHO, Willis Santiago. Processo constitucional e direitos fundamentais. 4 ed., São Paulo: RCS, 2005.
JAYME, Erik. “Identité culturelle et intégration: le droit international privé postmoderne”, in Recaueil des Cours, vol. 251, 1995.
KELSEN, Hans. Trad. GARCIA, Eduardo. El Contrato y el Tratado. Colofón, 2002.
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SAYEG, Ricardo Hasson. Doutrina Humanista do Direito Econômico. Tese de Doutorado, 2006.
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2019.02.21 21:21 HibikiSS El rol judío en la revolución comunista rusa.

De lo que he visto, parece haber mucha propaganda que busca pintar el rol judío en la revolución rusa como teoría de conspiración loca así que pensé en compartir muchos hechos históricos a los escépticos. Yo mismo también quería tocar el tema.
Con la excepción notable de Lenin (Vladimir Ulyanov), la gran mayoría de los comunistas que tomaron el control de Rusia en 1917-1920 eran judíos.
León Trotski dirigió el ejercito Rojo y por un tiempo, fue jefe de relaciones externas Soviéticas.
Yakov Sverdlov fue el secretario ejecutivo del partido Bolchevique y también fue director del comité ejecutivo central del gobierno Soviético.
Grigori Zinoviev fue jefe de la comunista internacional (Comintern), la agencia central para esparcir revoluciones en países extranjeros.
Karl Radek fue Vice-comisario para relaciones externas, tomando parte en las negociaciones de Brest-Litovsk y también fue responsable de la distribución de propaganda bolchevique entre las tropas alemanas y los prisioneros de guerra. Cuando ocurrieron las conversaciones para firmar el tratado, Radek fue uno de los que advoco una guerra revolucionaria.
Maxim Litvinov trabajo como comisario de relaciones externas para el gobierno original y para Stalin también.
Lev Kamenev fue uno de los siete miembros del primer Politburó, fundado en 1917 para llevar a cabo la revolución bolchevique. Sirvió el rol de jefe diputado de Lenin del consejo de comisarios del pueblo y el consejo de labor y la defensa también.
Grigori Sokolnikov trabajo como comisario del noveno ejercito y luego del treceavo ejercito, para la campaña contra los Don Cossacks que se habían revelado contra el régimen bolchevique y el ejercito blanco del general Denikin. Luego, junto con Rosalia Zemlyachka, se volvió comisario del octavo ejercito, usando esta posición para ordenar tiroteos masivos durante la guerra civil rusa. También fue, por un tiempo, comandante militar del octavo ejercito, a pesar de las protestas de Stalin.
El mismo Karl Marx era judío y ahora sabemos que incluso Lenin era al menos una cuarta parte judío.
A pesar de toda la propaganda que hay en todos lados que quiere que pienses que el rol de los judíos en la revolución comunista rusa son mitos. La verdad es que era un hecho muy popular en ese entonces. Fue reconocido por muchas figuras, judíos incluidos:
El capitán Montgomery Schuyler envió dos reportes a Washington en Marzo y Junio de 1919, describiendo en detalle grafico el rol judío en la revolución rusa. Estos dos reportes fueron desclasificados en septiembre de 1957 y los originales aun están en archivos nacionales de los Estados Unidos en Washington para inspección publica.
El primer reporte, enviado desde Omsk el primero de Marzo de 1919, contiene este párrafo:
“Es probablemente algo poco sabio decir esto abiertamente en los Estados Unidos, pero el movimiento bolchevique a estado desde el comienzo, guiado y controlado por judíos rusos de la peor clase…”
El segundo reporte, enviado el 9 de Junio de 1919 y enviado desde Vladivostok decía que de los:
“384 comisarios, habían 2 negros, 13 rusos, 15 chinos, 22 armenios y mas de 300 judíos. De los últimos 264 se habían ido a Rusia de los Estados Unidos desde la caída del gobierno imperial”.
El 8 de Febrero de 1920, Winston Churchill expreso su alarma por eventos mundiales en una entrevista publicada en el Sunday Illustrated Herald, London:
Desde los días de Adam (Spartacus) Weishaupt, a los días de Karl Marx, Trotsky, Bela Kun, Rosa Luxemburg y Emma Goldman. Esta conspiración internacional para la destrucción de la civilización y la reconstrucción de la sociedad en la base de desarrollo detenido, de envidiosa malevolencia y igualdad imposible ha estado creciendo de forma estable. No hay necesidad de exagerar la parte en la creación del bolchevismo y la parte de en realidad llevar a cabo la revolución rusa por estos, en gran parte, judíos ateos. Seguramente es uno muy grande: probablemente el mas grande de todos. Con la excepción notable de Lenin, la gran mayoría de las figuras lideres son judíos. También la inspiración principal y la mayor influencia viene de lideres judíos.
Eso es para mostrarles que el rol judío en la revolución bolchevique era un hecho bastante común y popular que fue reconocido incluso por personas que no necesariamente eran enemigos de los judíos.
Algunos judíos incluso admitieron el hecho ellos mismos, como el rabino Harry Waton, que escribió en su libro Un Programa Para El Judío Y La Humanidad:
“El alma comunista es el alma del Judaísmo. Así que es natural que el triunfo de la revolución rusa es el triunfo del Judaísmo”.
Aproximadamente 9 millones de muertes ocurrieron solamente bajo Lenin desde 1917 hasta 1924 debido a la guerra civil de 1918-1923, las hambrunas resultantes y masacres a disidentes. Una de las primeras leyes aprobadas por el nuevo régimen comunista de Lenin en 1917 fue “El Acta de anti-Semitismo”, haciendo un crimen criticar a los judíos, castigable por la muerte o tiempo en un Gulag.
Algunas personas como Aleksandr Solzhenitsyn, premio nobel de la literatura de 1970 colocan el total de muertes bajo el régimen Soviético en 66 millones. Desde 1917 hasta 1957.
El profesor Rudolph Rummel de la universidad de Hawaii calculo que 61.9 millones de personas fueron sistemáticamente asesinadas por la Unión Soviética de 1917 hasta 1987.
Incluso Sever Plocker, periodista israelí, reconoce el rol que tuvieron los judíos en la revolución bolchevique, admite que el genocidio fue de al menos 20 millones diciendo: “Resulta que los judíos, también, cuando son cautivados por ideología mesiánica pueden convertirse en grandes genocidas, de los mas grandes conocidas por la historia moderna”.
Espero que esto haya sido informativo. Hay mucha propaganda que busca limpiar el rol que tuvieron los judíos en la revolución rusa y reducir el numero total de muertes bajo regímenes comunistas y estoy seguro que muchos de nosotros odiamos a los comunistas. Personalmente cuando se trata de compartir esta clase de información, mis razones son que no escondo el hecho de que soy un nacionalista anti-semita. Pero eso no significa que quiera violencia en contra de ellos o algo por el estilo. Simplemente soy abiertamente paranoico y como pienso involucrarme seriamente en la política venezolana y causarle a todos un dolor de cabeza, pues creo que tanto mis vecinos como los mismos judíos merecen saber el porque detrás de mis acciones. A pesar de todo esto, la verdad es que el comunismo ya lo habían inventado los jesuitas mucho antes de la revolución rusa y lo probaron en Paraguay. [He abierto varios temas hablando de eso.]
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2019.01.25 15:16 jupixweb Convivir con el nerviosismo mediático actual

Fuente: https://www.jupixweb.de/2019/01/24/convivir-con-el-nerviosismo-mediatico-actual/

Continuando la traducción de entrevistas, otra vez traigo a Dirk Baecker, uno de los sociólogos más importantes de Alemania, alumno de Niklas Luhmann e impulsor de la sociología de sistemas en la actualidad. Uno de los pocos intelectuales de verdad que toman en serio al internet, sus derivados y sus consecuencias para la morfología de la sociedad futura. La entrevista, emitida en octubre pasado por la radio alemana Deutschlandkultur, puede encontrarse en mi canal de Youtube en donde también subí la transcripción original en forma de subtítulos.
Reproduzco la entrevista íntegramente aquí. La traducción, los enlaces y el subrayado1 son míos:
[Periodista] — Hace dos semanas, la antropóloga cultural Aleida Assmann dijo en la Iglesia San Pablo en Frankfurt:
„… mientras que la era de la imprenta y la de la fotografía analógica aún estaban centradas en valores como verdad, verificabilidad y evidencia, la era digital está abierta de par en par a la manipulación de información …“
Al mismo tiempo, el sociólogo Dirk Baecker publicó en estos días un libro con el título „4.0 o el hueco que deja el ordenador“. Nos encontramos con Dirk Bäcker en nuestro estudio en Berlin, y al preguntarle sobre su mirada como sociólogo en torno a las condiciones digitales del presente, nos vemos envueltos en una conversación sobre las cuatro grandes edades tecnológicas de la historia de la humanidad:
[Dirk Baecker] — Aquí comienza mi interés sobre la digitalización, no solo privado y personal, sino profesional y sociológico…
— Exacto! Eso es lo que queremos conocer: su mirada sociológica a la digitalización!
— …exactamente, ese es el quid de la cuestión: para mí, la digitalización —es decir: la utilización de aparatos electrónicos de todo tipo— reviste la misma importancia profunda para las estructuras sociales y para la cultura humana como la tuvo antes la introducción de la imprenta, antes de eso la introducción de la escritura y antes de eso la introducción del lenguaje. Quiere decir: estamos retomando a pensadores como Marshall McLuhan, Friedrich Kittler y otros al hablar de las cuatro grandes Edades Tecnológicas de la Historia de la Humanidad
— cada una de las cuales fue inconmensurablemente larga…
— ¡Y son cada vez más cortas! Tenemos una lengua desde hace… no se sabe con precisión, solo podemos conjeturar una aproximación de acuerdo al tamaño del cráneo o a estructuras mandibulares… pero [el lenguaje] debe haber caído a la tierra aproximadamente hace treinta o cuarenta mil años… Hay una frase muy bonita de William Burroughs, „Language is a virus coming from outer space“: La lengua es un virus venido del espacio exterior… porque ¡fue tan precipitado! Repentínamente ya no estábamos solamente cara a cara, sólo corporalmente con los demás; de repente comenzamos a oír palabras ¡de las que nunca podemos estar seguros a qué se refieren exactamente! Es lo que yo llamo „El problema de Refrencia de la Lengua“, que fue tan repentino que obligó a la manada primordial —si es que puede llamársela de esa manera— a organizarse en tribus cuya función principal consistía en darle forma a ese problema y a la solución de ese problema (¡y no a la lengua en sí misma!) Ese problema debió ser controlado para que no cualquiera, en cualquier momento, le dijera a cualquier otro cualquier cosa que se le ocurriera…
— Entonces: hace treinta, cuarenta mil años: 1.0, la lengua, la oralidad
— Sí; oralidad. Y después tenemos hace aproximadamente ocho mil años la aparición de la escritura
— 2.0
— 2.0: y más específicamente, hace aproximadamente cinco a cuatro mil años: la escritura alfabética, la condición necesaria para que esa oralidad fluída, esa lengua fluyendo alrededor de nuestros oídos pueda fijarse, observarse… El concepto de „análisis“, el desmenuzamiento de la visión aparece, así, con los griegos; y la sociedad sufre una explosión de horizontes temporales; porque escribir es: poder leer lo que se escribió ayer, escribir lo que deberá ser leído mañana, súbitamente aparece la necesidad de tener conceptos como „pasado“, „presente“ y „futuro“… Otra vez apareció una nueva estructura social, la llamada „sociedad estratificada“… es decir, organizada en estratos sociales… la civilización greco-romana debió así transitar los retos del nuevo… con palabras de Luhman, del nuevo „superavit de sentido“, es decir: más formas, más símbolos de los que pueden ser procesados en un momento dado
„Estratificado“ significa „en capas“, una sobre la otra… ¿y no las había antes de la escritura?
— No en esa dimensión diferenciadora, entre nobles y plebeyos por ejemplo… por supuesto, había jefes, había jerarquías, también había palacios, había segmentos en donde se adivinaba una estratificación más acentuada…
— „En capas“
— Sí, en capas, que formaban un órden estabilizador de la sociedad que, en esencia, funcionaba de forma tal que si habías nacido en ese estrato ya no podrías abandonarlo nunca más. Es, por así decirlo, lo… „dramático“ de la estratificación social: que se define „qua nacimiento“. Y esto es lo que vino a romper la sociedad moderna, al inventar al individuo, que se abre camino a través de esas capas (que aún existen, pero mucho más debilitadas). Ahí aparece el 3.0. El 3.0 es muy interesante porque la introducción de la imprenta es responsable de la aparición de la sociedad moderna…
— ¡Pero aquí hay una diferencia importante! ¡“Lo Escrito“ no es lo mismo que „Lo impreso„!
— ¡Correcto! Con la imprenta aparecen „los escritos“, que son libros, son periódicos, son volantes, son billetes, son documentos oficiales, son diplomas de escuela…
— ¡Es la biblia!
— Sí, la biblia también pertenece a este grupo… curiosamente, Gutenberg inventó la imprenta para distribuír masivamente la biblia. Cosa que rápidamente se convirtió en una blasfemia, pues la biblia estaba reservada a los ojos de los sacerdotes y nunca fue para el pueblo; y al principio se pensó „bien, quizás podamos contrarestar las nefastas consecuencias de la imprenta si con ella distribuímos únicamente la biblia“, pero pronto se tuvo que aceptar que también servía para distribuír otros escritos… Aparecieron los „humanistas„, que en el siglo XV y XVI eran los „Content Provider“ de la imprenta, así es como los denominaríamos hoy; y el truco consistió en que… (por supuesto que esto sucedió luego de la alfabetización generalizada, es algo que tardó décadas, o más bien siglos en llegar), el truco fue que con la imprenta cualquiera podía informarse sobre cualquier tema, sobre el estado de la jardinería, de la democracia, las inversiones, la educación… lo que sea. Y el resultado fue que cualquiera que hubiera leído podía criticar a cualquier otro en cualquier momento. La imprenta moderna es una crítica en la que todos pueden criticar a todos en todo momento, y que, además debe ser aceptada por todos.
— ¿Por qué? Porque se puede revisar…
— Porque los demás también leyeron y comienzan a decir cosas. Kant tiene un pequeño ensayo, „¿Qué es la ilustración?“ Y en las primeras páginas aparece el espanto: ¿Qué hacemos con estos „privados“… es decir, con estos hombres que sentados en sus casas, sin que nadie pueda controlarlos, leen cosas… ¡Cualquier cosa! Sin tener los medios para controlar si lo que leen es verdadero o falso, y sin embargo, salen de sus casas y van al mercado (o a dónde sea) y pregonan cualquier cosa que se les haya ocurrido durante esa lectura?
— Estos „privados“ son, si mal no recuerdo, quienes construyen la esfera pública… o sea que son los privados quienes hacen lo público…
— Bien, sí, esa es la descripción enfática, por así decirlo de la conveniencia de un estado en realidad intolerable…
— Y eso encaja perfectamente con un público que actualmente está marcado por fenómenos como Twitter u otras redes sociales, en donde el chiste reside, justamente, en que estoy solo en mi habitación y… escupo cosas al mundo con una mayor incontinencia que la que observaría en otros contextos, en una reunión por ejemplo (probablemente en coincidencia con la crítica actual)
— Bien, en primer lugar aquí hay que decir que la esfera pública clásica de la burguesía era un medio de control. En efecto, Kant propuso en su escrito „¿Qué es la ilustración?“ que los eruditos únicamente pudieran hablar cuando en el mismo espacio hubiera un segundo erudito, para que el segundo pudiera controlar al primero. Lo que nadie podía prever era que la gente que leería los diarios sería criticada por el propio diario y por otra gente que también había leído los diaros. Ese era un proceso que, comparado con lo que experimentamos hoy, requiere tiempo. Por lo menos necesita de un día entero, hasta que, por así decirlo, cada uno hubiera leído su diario y fuera a su lugar de reunión, en el salón, el café o donde sea… Pero el resultado fue que lo que aparecía en los diarios y lo que se imprimía en los libros podía ser controlado de manera feroz por alguna autoridad: el redactor, el autor, etc. Muchas cosas eran posibles, ¡pero no todo! La situación en la que hoy nos encontramos, es… como se dice habitualmente y sin ninguna ironía: la tertulia se ve extendida a la esfera pública; y cualquier comentario al azar que se le ocurre a cualquier persona en cualquier lado, encuentra su lugar, incontrolablemente, en los posteos de las plataformas de este mundo. Nos encontramos ante una situación totalemente diferente, porque las autoridades, las opiniones aceptadas por todos, los antiguos canales por donde fluía aquello que debía ser comunicado… ya no existen. Aún así, considero que la diferencia entre lo público y lo privado es importante; pero no le daría más importancia de la que se merece. En cuanto nos enfrentamos a algún tipo de medio (ya sea lengua, escritura, imprenta o electrónica) tenemos que lidiar con efectos públicos; y la dificultad que aparece al intentar escapar de la esfera pública (que cominza en la calle), al intentar recluírnos en nuestra habitación a solas para preparar el discurso público… quiero decir: al pensar en algo y decirlo, en ese momento ya nos encontramos dentro de lo privado y lo público a la vez.
— Y también es característico para la época de la imprenta que se tenga algo concreto entre las manos, ya no podemos decir —como en la época oral—, „dije esto y aquello“, o afirmar cosas, o girar fluídamente en torno a los temas; Por el contrario, existe una mayor persistencia y verificabilidad en esta época.
— Sí; una verificabilidad, un comentabilidad… y surge la idea, por primera vez, que los escritos mejoran con el tiempo, que son mejores cuanto más jóvenes son; y no peores, como se creía en la antigüedad (al tener que copiar los manuscritos a mano, con cada copia se producían más y más errores) . Para mejorar es necesaria la crítica; y la posibilidad del comentario es una forma de control crítico.
— ¿De cuándo data la época de la imprenta? ¿La época de la Humanidad 3.0?
— En efecto, surge con la aparición de los tipos móviles; ese sería el momento más visible, más potente. Comienza en 1520, y termina… ¿en treinta o cuarenta años? Por supuesto, todavía nos encontramos en medio del proceso. No hay „cortes duros„, no hay una fecha exacta, no podemos decir „en octubre de 1973“ comenzó la Sociedad Próxima, es decir: la Sociedad del Ordenador… estas cuatro Edades Tecnológicas se superponen unas a otras. Lo podemos notar en este mismo momento: todavía tenemos que lidiar con el problema del lenguaje.
— ¡Absolutamente!
— ¿Quién dice qué cosa al utilizar qué palabra?
— Y hacia allí apuntaba mi siguiente pregunta: luego de hablar del „4.0“, ¿En donde se encuentra esto que estamos haciendo? ¿Dónde ubicamos a la radio? Porque al mismo tiempo estamos en un ámbito plenamente oral, en una conversación que, así como está sucediendo, no puede leerse en ningún lado y nadie sabe exactamente que pasará a continuación, ni predecir nuestra experiencia… Si lo ubicamos históricamente, diría Edad de la Humanidad 1.0, que venimos arrastrando hace treinta mil años… Y por otra parte, todo esto terminará en un archivo digital
— La radio es sin lugar a dudas 4.0. Es un medio electrónico; electrónico porque puede controlar su propia conexión (es decir: porque posee los medios técnicos para hacerlo), es un medio masivode distribución, de distribución de comunicación (potencialmente) a cada habitante del planeta, si bien es cierto que está atrapada en el famoso modo de „un solo canal„: en este momento ningún oyente puede interrumpir el flujo de las ideas que estamos aquí… „torturando„, estuve a punto de decir [risas]
— ¡Solo yo puedo interrumpirlo!…
— Sí, ¡Ud. puede hacerlo! Quizás pueda decirlo así: creo que la radio todavía está muy influenciada por cierta autopercepción, que mantuvo durante mucho tiempo, de ser la traducción de un producto escrito, una especie de revista… una revista que no existe en papel, sino en el medio del éter; y que muy lentamente fue creciendo y adoptando sus propias verdades electrónicas, podría decirse su conectividad extrema, su apertura a comentarios de todo tipo… de música, de sonido… y también del lenguaje, de noticias, de publicidad, de entretenimiento y seriedad, etc etc etc… en intercambio permanente con los oyentes. Quiero decir: todos recordamos la hipótesis de Bertolt Brecht, quien basado en la radio de los años veinte se imaginó el surgimiento de algo muy parecido a lo que pasó después con la aparición de internet: que llegaría un momento en el que los periodistas, con el micrófono en mano, recorrerían las calles de la ciudad entrevistando a la gente sobre cualquier tipo de cuestiones y que eso sería transmitido instantáneamente a todas partes del mundo.
~ SEGUNDA PARTE ~
— Está escuchando Deutschlandfunk Kultur: el programa de filosofía „Sein und Streit“, y estamos conversando sobre la digitalización con el sociólogo Dirk Baecker, quien publicó en estos días un libro con el título „4.0 o el hueco que deja el ordenador“. La segunda parte del programa se refiere a lo dicho por la antropóloga cultural Aleida Assmann, quién hace pocos días dijo lo siguiente:
„Mientras que la era de la imprenta y la de la fotografía analógica aún estaban centradas en valores como verdad, verificabilidad y evidencia, la era digital está abierta de par en par a la manipulación de información. En abril de este año, un empleado de Google publicó un video que mostraba a Obama diciendo algo que nunca dijo, pero que parecía increíblemente real. Imitando su mímica de forma orgánica y natural. Dentro de poco, cualquiera podrá poner palabras en boca de otros, en el sentido más exacto de la expresión, y nadie será capaz de distinguir en realidad quién es el autor de lo dicho.“
— Sr. Baecker ¿Comparte esa idea sobre la manipulación de la información bajo las condiciones digitales del presente?
— En principio, es una observación correcta, pero existen algunos aspectos que no comparto. En primer lugar, no creo que el fenómeno de las Fake News sea algo tan pero tan nuevo: en el siglo XIX, en el siglo XVIII, ya tuvimos escándalos en los cuales nunca se supo que era verdad y qué era Fake News; pensemos por ejemplo en el caso Dryfus. La palabra „Feme“ (el „rumor“), es una palabra anqituísima, de la que ya se ocupaban los romanos y los griegos, concepto sobre el cual podemos leer en Homero y en Heródoto; el rumor, es decir: la noticia aparentemente cierta, pero probablemente falsa, ha sido la causante de conflictos y guerras, porque irrita a la gente, la enfurece y la lleva a tomar las armas en cuanto se le presenta la oportunidad de ir a la guerra
— Pero también podemos decir que hoy todo transcurre mucho más rápido, porque podemos manipular las imágenes muy fácilmente desde nuestros smartphones y subirlas a Instagram… o pongamos otro ejemplo, uno que ocurrió hace pocas semanas, pocos meses y tuvo gran relevancia política aquí en Alemania: comienza a circular por la red un video sobre los sucesos en Chemnitz, y nadie puede decir con seguridad si fue manipulado o no, y ese video se transforma en muy poco tiempo en una cuestión política, si es real o no, si es fake o no…
— Efectivamente, todo sucede más rápido. También puede corregirse más rápido. En mi opinión, el fenómieno más interesante es el siguiente: ¿cómo surgen estas „burbujas“ de gente, de grupos, de clanes, si lo desea: de redes, las cuales son altamente receptivas a las Fake News y que depositan su fe a cualquier precio el ellas, lugares en dónde las Fake News deben y quieren ser creídas? Creo que ahí se pone interesante, podemos decir que nos enfrentamos a un fenómeno doble, una cara del cual… o mejor dicho: nos enfrentamos a las dos caras de un mismo fenómeno: por un lado está la sobreexigencia que experimentamos por la multiplicidad de informaciones que aparecen durante la… podríamos decir „exploración relajada“ de la red; la sobreexigencia de encontrarnos permanentemente con informaciones que se contradicen, de no saber quién las puso ahí ni porqué, ni saber dónde encontrar mecanismos de autocontrol; y que por eso producen la impresión de encontrarnos solos ante nuestra propia sobreexigencia; y de acuerdo al grado de presión, al grado de emergencia experimentado en la tensión entre el querer-comprender y el ya-no-poder-comprender, nos refugiamos en lo que siempre quisimos creer.
William James escribió en los „Principios de la psicología“… En el año 1890… El hermano de Henry James, cofundador de la psicología pragmática, escribió: „los hombres creeríamos cualquier cosa, si tan solo pudiéramos“, y las burbujas que se cristalizan en torno a las Fake News son… grupos de gente que quieren creer lo que quieren creer; y que cultivan —en el sentido más amplio de la palabra—, las Fake News como objeción a un mundo que no pueden ni quieren comprender. Quiero decir: todas estas palabras, „Prensa Hegemónica“, „Elite“ y todo eso que últimamente está tan en boga, son palabras que describen la sobreexigencia ante un discurso con el que esta sociedad, en su modus operandi moderno de una esfera pública razonable, se auto-in-forma. La sobreexigencia aparece cuando no se encuentra el trabajo que se está buscando, la sobreexigencia aparece cuando ya no se encuentran puntos en común con una sociedad (¡qué se yo de qué manera!) homogénea, y ahí es cuando se recae en el cultivo de las Fake News, que en esencia subsisten no porque deban ser creídas, sino porque otros creen en ellas; es decir: porque otros las comparten.
— ¿No aparece ahí otro juicio sobre el estado actual de la esfera pública digital, según el cual se tiende a la histeria, que todo sucede muy rápido, que es muy vertiginoso, etc.?
— Creo que sí. Aunque no estoy seguro en qué medida esa „histeria“ no sea parte de la descripción externa; ya que que podemos experimentar en nuestra propia… Yo, por ejemplo, lo noto en mi propia dinámica con el E-Mail o en Twitter: la vida en el mundo de los aparatos digitales, de los medios electrónicos, es una vida que posibilita el contacto permanente, y por momentos no solo lo posibilita sino que hasta lo impone, pero que puede ser controlado por nosotros (¡y esto es muy importante!) en la medida en la que participamos del contacto permanente pero siempre a nuestro propio rítmo. Eso que algunos denominan „histeria„,ese tipeo permanente sobre la pantalla de nuetrsos smartphones, para otros es una acción tranquilizante de la comprobación del hecho de que todo está bien: „Nada grave ha pasado, la vida de nuestros familiares continúa por los caminos habituales, en las oficinas, en las secretarías todo está bien, podemos volver a nuestras actividades analógicas“. Es decir: por un lado estamos fascinados (¡y esto también hay que decirlo!) por un lado estamos fascinados por la velocidad con la que somos capaces de comunicarnos con familia y compañeros de trabajo, y por otra parte buscamos todo el tiempo alejarnos de la posibilidad de la comunicación instantánea al asegurarnos de que no sucede nada preocupante; y eso solo es posible si chequeamos nuestros smartphones y después continuamos con nuestras actividades habituales.
— Suena como una descripción empática y sensible de lo que otros denominarían „Adicción al Smartphone“. Está explicando por qué estoy todo el tiempo mirando la pantalla de mi smartphone…
— Sí, bueno… sencillamente no tengo nada que ver con esa descripción, no es mía… Quizás yo mismo sea adicto, los adictos no son conscientes de su condición. Mientras uno crea que tiene las cosas bajo control, uno cree que está libre… libre de los efectos dañinos; y es eso justamente lo que nos introduce en la adicción, desde Baetson que lo sabemos, que describió el fenómeno estudiando a los alcohólicos… alguien que sostiene el vaso y dice „puedo beberte porque no me controlas“, y luego bebe, se convierte así en un adicto.
— Porque la situación se repite…
— Porque la situación se repite. Como dije, esa descripción no es mía; la puedo compartir, la puedo aceptar… pero pienso que ese tipo de crítica a menudo aparece junto a otra descripción paralela sobre la banalidad del contenido de la comunicación. „Estoy caminando en Broadway mientras me como un Hotdog“ ¿A quién le importa? En seguida los críticos de la „histeria“ y la „adicción“ hacen esa pregunta.
— Y las imágenes… que circulan en las redes de los platos de comida… las fotos de los Spaghetti…
— Sí, bueno, debo reconocer que a veces a mí también me molestan un poco [risas]; pero aún así: en medio de este mundo cada vez más nervioso (o quizás siempre haya sido igual de nervioso), es un pequeño, insignificante y maravilloso mensaje que le dice a los demás: „¡Todavía estoy aquí!“ „¡Me interesa lo que están haciendo!“ „Creo que a Uds. también les puede interesar lo que yo estoy haciendo, les envío esta foto y sigo comiendo!“ Lo repito una vez más: es una forma de conectividad tranquilizadora en el medio inquietante del Ordenador.
— Y en este marco, si volvemos a preguntar ¿Cómo, bajo estas circunstancias, se puede construír una esfera pública funcional…? ¿Cómo hacemos? Quiero decir; un público que bajo estas circunstancias… cómo dijo Ud. mismo: es propenso a la falsificación, al Fake, a lo estéril, es propenso a… ¿Cómo decirlo? Propenso a cosas banales que son adictivas.
— Creo que aquí sirve olvidar el singular: no hablar de „el público“ o „la esfera pública“, sino de „los públicos“ y „las esferas públicas“ en entender que existe un publico político, un público estético, un público educativo, un público religioso… Existe hasta una esfera pública del derecho, por ejemplo. Eso implica que la gente sabe perfectamente cuál es su área de interés y siempre está en condiciones (siempre y cuando no esté operando en el estado de amenaza y sobreexigencia del que hablamos antes) siempre está en condiciones de switchear entre lo que está haciendo y lo que no está haciendo, y de observar si lo que está haciendo sigue teniendo sentido… Yo hablaría de „los públicos“ y „las esferas públicas“, en plural.. Y también me parece importante observar, como lo hizo el sociólogo Gabriel Tarde en 1910, me parece importante observar el proceso de retroacoplamiento que se produce entre el público (o si quiere: una parte del público) y su proveedor de opinión correspondiente (por ejemplo el teatro, o el partido, o la iglesia, o cualquier productor de informacion que se le ocurra); un proceso de retroacoplamiento que se produce en un sendero muy angosto y que produce choques y fenómenos de control de aquello que se considera interesante, controlable, productivo; qué es entretenimiento, qué es publicidad, qué es quizás una noticia que amenaza con cambiar cosas o dar lugar a otras… En definitiva, no me importa tanto esa esfera puntual de lo público como representación de la sociedad en su conjunto, ni el desarrollo de una racionalidad social, como lo postula Habermas; si no que por el contrario, confío más el el conjunto de todos los públicos, cada uno de los cuales persigue intereses muchas veces irracionales, pero que en su interacción pueden potenciarse y frenarse unos a otros.
— Y que sin embargo conforman una serie, un „ensamble“ de esferas públicas…
— Funciona, sí, pero en el sentido que de extisten, de que „son„. No me animo a afirmar que cumplan una función positiva para algo, más allá de concentrar atención.
— Su perspectiva también está marcada por, o por lo menos Ud. hace incapié en su libro, que la digitalización de la sociedad… Que la expresión „Digitalización de la Sociedad“ funciona en dos direcciones: La sociedad es digitalizada; y la digitalización es socializada, podría decirse…
— La sociedad es el actor de la digitalización, de alguna manera hay que poner en marcha el aparato digital… hay una ejemplo muy bonito: en los hospitales de este mundo el ordenador tardó cuarenta años en pasar de los sótanos de los centros de cómputos a la cama del paciente… Cuarenta años…. quiere decir que hubo un actor que estaba interesado utilizar ordenadores; y al mismo tiempo (lo muestra la historia) el ordenador es el medio que digitaliza la sociedad(„Sociedad“ en genitivo objetivo). Y uniendo estos dos fenómenos, al final, nos encontramos con una sociedad que se digitaliza a sí misma. Así, nosotros estamos en control…
— Nosotros en el sentido de „Nosotros los seres Humanos
— Nosotros los seres Humanos en esta Sociedad, en donde al mismo tiempo estamos hablando (¡y con razón!) de que los ordenadores son los que determinan cómo interactuamos con los ordenadores
— Llegados a este punto quisiera que pudiera extenderse un poco sobre el tema, sobre todo pensando en el subtítulo de su libro, que suena ta poético… „El hueco que deja el ordenador“, en referencia a Alexander Kluge y su libro „El hueco que deja el diablo“… Aquí el diablo es el ordenador. ¿Cuál es el hueco que deja el ordenador?
— El hueco que deja el ordenador es el hueco en el que la sociedad, con sus formas tradicionales de la Política y la Economía, de la Justicia y de la Religión, etc., de la Familia, con esas formas heredadas, intenta modificar o conservar esa tradición, a favor de una vida con el ordenador y en el ordenador. Dicho más claramente: ningún software, ningún algoritmo puede decirnos cual ha de ser el correcto funcionamiento de la economía o de la política o de la familia; los aparatos digitales y los medios electrónicos están a la espera de que a esta sociedad se le ocurra una idea sobre cómo ensamblar todo, sobre cómo usarlos.
— ¿Es una llamada a la Libertad Humana? ¿A a capacidad de acción?
— Sí, quizás, pero yo no quisiera enfatizarlo tanto porque esa libertad está limitada por las posibilidades técnicas, que están en gran parte predeterminadas
— El hueco que deja el ordenador no es demasiado grande entonces…
— El hueco que deja el ordenador es solo el hueco del diseño de ciertos paquetes de software, y de la utilización de esos paquetes de software… En el hueco que deja el ordenador no hay lugar para preguntarse si podemos esquivar o evitar el ordenador. Ya no podemos.—
  1. En la traducción intenté mantener el carácter oral de la entrevista, lo que no pocas veces desembocó en repeticiones y una cierta falta de coherencia estilística que espero sepan disculpar.
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